12 jul, 2022 - 20:44 • Tomás Anjinho Chagas
Pedro Santana Lopes abriu as portas da Câmara Municipal da Figueira da Foz a André Ventura. Atrás do presidente do Chega vieram os deputados, que estiveram na cidade figueirense a propósito das jornadas parlamentares do partido.
Começou por dar o corpo às balas e os parabéns ao Chega, por ter conseguido o que ele próprio já tinha tentado. “São a terceira força política nacional e felicito-os por isso: um crescimento rápido. Houve quem tentasse e não tivesse conseguido”, disse Santana Lopes em tom irónico, numa referência ao partido Aliança que fundou, e que acabaria por abandonar.
Num encontro que durou menos de 20 minutos entre conversas com André Ventura e declarações aos jornalistas, Santana Lopes falou com o Chega sobre a descentralização, a erosão costeira e o porto da Figueira da Foz, sempre com momentos de boa disposição à mistura.
Apesar de admitir que está mais próximo do PSD do que do Chega, não marginaliza o partido de André Ventura. “Na declaração de princípios, no programa e nas declarações do Chega tenho visto o respeito pela democracia”, garante Pedro Santana Lopes.
“Desde a minha faculdade que luto pelo direito a todos existirem, desde que façam o jogo democrático”, atira Santana Lopes considera que o Chega é chapelado por essas “regras”: respeito pelo princípio da liberdade individual, sujeição a votos, aceitar o veredicto popular, elenca o atual presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.
“Não é questão de gostar ou não gostar, há pontos em que estou muito de acordo, outros que não estou de acordo, como em todos os partidos. Até no partido que militei durante décadas isso aconteceu”, garante Santana Lopes em tom neutro, sem se aproximar, nem ostracizar o Chega.
Do outro lado há vontade, conforme tinha dito em entrevista à Renascença, André Ventura em frente a Santana Lopes disse acreditar que os caminhos dos dois “ainda se vão cruzar”.
No exterior da autarquia os termómetros batem os 37 graus, no horizonte vê-se o fumo de alguns dos incêndios que lavram esta terça-feira, e à cidade já chegam as cinzas.
No interior, os jornalistas circulam o autarca e a agulha vira-se para o PSD. Santana Lopes assume que olha para a nova direção do PSD com agrado, com mais o que olhava para a anterior.
“Do que ouvi no Congresso gostei, do que ouvia antes não me soava bem”, dispara Pedro Santana Lopes, que prefere “olhar para o futuro”.
Se assim é, os jornalistas perguntaram pelo dele. Na semana passada Luís Montenegro passou pela CM da Figueira da Foz, e terá convidado Santana Lopes a regressar ao PSD. Mas o próprio desmente:
“Ele não me convidou para isso, pelo menos que eu tenha ouvido, e eu oiço bem. Até porque eu não posso, como autarca independente, aderir a um partido, porque se não perco o mandato. Eu li isso, recebi muitas mensagens dos sociais-democratas a dizer «volta, estou muito contente», mas eu acho que ele não me convidou para isso, e eu também não posso”, afirma Santana Lopes.