Legislativas 2025
Pedro Nuno Santos: "Em gestão de crises, este Governo é profundamente incompetente"
05 mai, 2025 - 11:38 • Diogo Camilo , Fábio Monteiro
A propósito do apagão de segunda-feira, o líder do PS diz que "é fácil culpar culpar o SIRESP, porque o SIRESP não fala". Já o líder do Chega diz que Montenegro foi "puramente incompetente", numa altura em que era preciso um "primeiro-ministro forte" e Livre atira que Governo "ficou aquém no teste da realidade".
Outro dos temas em destaque no debate das rádios, em transmissão na Renascença, é o do apagão da semana passada, que levou a um corte de eletricidade em todo o país na úlitma segunda-feira.
Num dia em que o sistema utilizado para as comunicações em situações de emergência falhou, Pedro Nuno Santos afirmou que é "fácil culpar o SIRESP", porque este "não fala", e que "o Governo falhou".
"Ainda hoje não sabemos que tentativas de comunicações foram feitas através do SIRESP e falharam. E precisamos de perceber o que falhou. Só sabemos que o Governo responsabiliza o SIRESP pelas falhas na comunicação. Luís Montenegro fez aqui um grande elogio à rádio mas não a usou para falar com os portugueses", afirmou o líder do PS, que lamentou a ausência da rádio nas comunicações, o que levou à proliferação de desinformação.
Pedro Nuno falou ainda que o Governo de Luís Montenegro tem "um currículo" no que respeita à gestão de crises, mencionando que "não há uma palavra" a assumir responsabilidade na greve do INEM que levou a mortes.
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"Do ponto de vista de gestão de crises, este Governo é profundamente incompetente", afirmou.
Pedro Nuno Santos também lembrou que o sistema foi alvo de investimentos após os incêndios de 2017 e acusou o Governo de adiar soluções: “O PSD fala há muitos anos do SIRESP. Estiveram lá um ano e só agora vão começar a estudar o SIRESP. É conveniente.”
Antes, Luís Montenegro indicou que é necessário "reestruturar o SIRESP, que tem falhado sucessivas vezes", referindo que os resultados em Portugal "foram melhores que em Espanha".
"Se quiserem comparar a reação das entidades espanholas, comparem à vontade. O Governo português tem sido usado como um elemento diferenciador pela positiva em Espanha. É sempre possível irmos verificar se as coisas funcionaram bem ou mal, mas salvaguardamos a reposição rápida da situação", afirmou, garantindo que não está em cima da mesa utilizar a Starlink, rede de satélites de Elon Musk.
Montenegro admitiu ainda que o envio da mensagem da Proteção Civil foi feito apenas às 17h porque “foi o momento em que havia informação fidedigna.”
O líder da AD destacou também o papel da rádio na partilha de informação durante o apagão: "Tranquilizámos a população com as informações sustentadas que tínhamos. Em tempos de crise, comunicar hora a hora, só por comunicar, não é a melhor opção. A rádio permitiu que 47 entidades públicas comunicassem com a população", explica.
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Montenegro é "bom com perceções, no teste da realidade ficou aquém"
Para Paulo Raimundo, "foi preciso um apagão para que se fizesse luz" sobre a soberania energética do país. O líder do PCP indicou que o dia serviu para mostrar que as comunicações "voltaram a falhar como não podem falhar".
O comunista indicou que os setores elétrico, das comunicações e da emergência "são demasiado importantes" e que "não podem estar entregues" a interesses "que não sejam os nacionais", defendendo um "setor energético unificado", a única maneira possível evitar o apagão.
Já Mariana Mortágua, a coordenadora do Bloco de Esquerda, refere que é essencial recuperar a "soberania" na área energética e da tecnologia, argumentando que não podemos ficar à mercê de operadores privados, "uma oligarquia americana" que controla a Starlink ou os cabos submarinos.
Rui Tavares, do Livre, diz que o Governo "não passou no teste da realidade" sobre o apagão e lembra a rádio, uma tecnologia "simples e a custo zero" que não foi utilizada.
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"Quando precisávamos de um primeiro-ministro forte, foi puramente incompetente"
Questionado sobre como e onde deve criar centrais de energia nuclear, que a Iniciativa Liberal defende, Rui Rocha diz que, "enquanto a viabilidade económica não estiver provada, não faz sentido a pergunta", defendendo o "princípio da neutralidade tecnológica".
De seguida, Rui Rocha afastou-se do tema, ao criticar o ministro Castro Almeida pela forma como lidou com o apagão.
O líder do Chega falou mesmo de uma "incompetência do Governo" na questão do apagão. "Ontem ouvimos o Presidente da República a dizer que não recebeu nenhuma SMS. Isto é pura desorientação", afirmou, lançando que foi dada a indicação para que o aviso do apagão não fosse enviado tão cedo - um cenário que Montenegro rejeitou. "Não houve indicação para não haver comunicação. O Governo deu todas as indicações que tinha para garantir a calma", disse Montenegro.
André Ventura também criticou as declarações de Montenegro, de que Portugal fez melhor figura que Espanha no apagão.
"Estivemos melhor em quê? Comunicaram mais, recuperaram a luz mais cedo", afirmou Ventura, recuperando a declaração de "pura incompetência" de Montenegro nesta questão. "Foi puramente incompetente na gestão de uma crise quando mais precisávamos de um primeiro-ministro forte. Ao primeiro momento de crise vemos a treta que isso é", afirmou.
Também Inês Sousa Real criticou a gestão de crise do Governo, referindo que, "tal como nas alterações climáticas, o Governo chegou tarde e com pouca cultura de prevenção".
O tema encerrou com Montenegro a assumir: “A responsabilidade foi minha. Portugal reagiu bem, não obstante as dificuldades.”









