Legislativas 2025

CPI à Spinumviva e os pedidos de pragmatismo. Livre quer mais do PS

13 mai, 2025 - 00:23 • Alexandre Abrantes Neves

Se o PS não avançar, o Livre está pronto para pressionar uma CPI sobre a Spinumviva. É a nova adição à estratégia de Rui Tavares para mostrar a força de uma nova geringonça. Por um lado, critica a união à direita e a postura do primeiro-ministro. Por outro, pede mais compromisso a Pedro Nuno - e, de visita a um gatil, até avisa que o Livre não é "gato de adoção" do PS.

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CPI à Spinumviva e os pedidos de pragmatismo. Livre quer mais do PS
Ouça aqui a reportagem da Renascença. Foto: António Cotrim/EPA

O dia começou com um alerta. “Quem dá propostas de trajetos e quem mostra o caminho que se pode fazer é o Livre”, afirmou o porta-voz do partido, Rui Tavares, aproveitando uma viagem de autocarro pelo trânsito lisboeta para deixar o recado em forma de metáfora a Pedro Nuno Santos.

As palavras ficaram a marinar, entre as propostas de mobilidade do partido e a vontade de aumentar a extensão das faixas “bus” em Lisboa – de cerca de 70 para mais 240 quilómetros – e no resto do país.

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Mas, da parte da tarde, o líder do Livre voltava à narrativa – o PS, acredita Tavares, deixou um "espaço vago" à esquerda e na oposição ao Governo e o Livre está pronto para o ocupar. Desta vez, o pretexto foi o regresso do caso Spinumviva à campanha e a irritação de Luís Montenegro com as perguntas dos jornalistas sobre a sua empresa familiar.

“Se Luís Montenegro continuar primeiro-ministro, é claro que nós vamos ter de avaliar a pertinência de uma comissão parlamentar de inquérito. Se outros que são os autores originais dessa ideia, não quiserem prosseguir com ela, o Livre está aberto a avaliar essa hipótese”, afirmou, apesar de reconhecer que não é esta a CPI que “mais vontade têm de fazer”.

Sem nunca se referir diretamente ao PS – que já assumiu deixar cair a CPI se Montenegro apresentar “todos os esclarecimentos” –, Rui Tavares quer mostrar-se como uma força forte à esquerda, que não deixará de insistir no esclarecimento sobre o caso que, reforça Tavares, fez “rebaixar a fasquia da ética na governação”.

O Livre parece acreditar que isso ajuda o partido a mostrar como uma geringonça 2.0 é viável, enquanto tenta expor as fragilidades de uma coligação entre a AD e a IL, apontando diretamente ao carácter de Luís Montenegro. Para isso, Tavares endurece o discurso e, sem referir nenhum nome, cola o atual primeiro-ministro aos casos de governantes do passado que já tiveram problemas com a justiça.

“Se Portugal não quer voltar a viver mais experiências do passado – em que primeiros-ministros conviviam mal com escrutínio, com a imprensa, com a fiscalização parlamentar e em que depois se veio a ver que essa má convivência tinha a razão de ser porque as coisas pioraram e foram mais para Portugal – e se nós queremos, em vez disso, passar para um patamar de boa governação, então Luís Montenegro tem de sair”, assinalou.

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A viagem de autocarro alugado entre Carnide e o Arco do Cego (e cuja rota acabou desviada devido ao excesso de trânsito) permitiu, na manhã desta segunda-feira, uma série de metáforas entre mobilidade urbana e a possível coligação entre o PS e o Livre. Rui Tavares pouco mais adiantou daquilo que já tem dito nos últimos dias, mas aproveitou para lançar farpas à falta de esclarecimento do PS, apesar de não referir o nome de Pedro Nuno Santos: “Basta ver como à direita eles são pragmáticos e assumem isso”.

À tarde, o mesmo aconteceu, num gatil visitado no Seixal, distrito de Setúbal. Rui Tavares reforçou que o Livre “não é um gato de adoção do PS” e brincou com as perguntas dos jornalistas sobre a eventual oferta de um gato ao secretário-geral socialista: “Tem de passar pelo crivo dos gatos”, sentenciou, à porta do Refúgio dos Gatos do Bairro, um abrigo de gatos na margem sul do Tejo.

Já sobre o número de deputados ambicionados nestas legislativas, Rui Tavares continuou sem esclarecer cabalmente o tamanho do autocarro que precisará até à Assembleia da República. Ainda assim, acabou a descoser-se com um número, ainda que sem se comprometer totalmente.

É verdade que o Livre pode duplicar a sua representação parlamentar. (…) Mas o que é importante é que as pessoas saibam que o Livre se preparou para ter excelentes quadros políticos”, sublinhou.

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Este é um objetivo que o líder do Livre se mostra empenhado em fazer passar no contacto direto com os eleitores – e, daí, o crescimento das ações de rua até ao final da campanha, em distritos onde tem esperança de eleger ou reforçar votação, como Aveiro e Porto.

Esta meta vai sempre fazer-se, como já assegurou, “a partir do centro da esquerda, mas a falar para todos”, de forma a privilegiar a captura de votos à direita e não aos partidos com quem partilha prioridades.

“O nosso programa de bem-estar animal que é equilibrado e sensato. (…) Ainda bem que também é causa partilhada de outros partidos”, referiu, quando questionado se a visita ao gatil nesta segunda-feira à tarde era uma forma de piscar o olho aos votantes do PAN. “Nós respeitamos muito o trabalho que todos partidos fazem nessa área”, rematou.

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