Legislativas 2025

Indeciso sobre em que partido votar no domingo? Conversamos com uma inteligência artificial para ajudar à decisão

14 mai, 2025 - 19:05 • Salomé Esteves

O "Vota AI" é uma plataforma de inteligência artificial especializada nos programas eleitorais portugueses. A Renascença conversou com o modelo para perceber o que dizem os partidos sobre habitação, saúde e os jovens.

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Os estudos pós-eleitorais dizem-nos que cerca de 13% das pessoas decidem em quem votam no dia das eleições. Este ano, há uma ajuda para quem sente que todos os dias até às eleições são dias de reflexão. Dois alunos da Universidade do Porto criaram uma plataforma baseada em inteligência artificial, o "Vota AI", para, dizem eles, "tornar a política mais acessível e transparente".

O assistente criado por Filipe Barros e João Barão recorre a modelos de linguagem natural — semelhante à do Chat GPT — para descodificar o que dizem os programas eleitorais dos partidos. Mas, ao contrário das ferramentas de IA mais populares, o "Vota AI" é "especializada no contexto político português". Por isso, as respostas são, dizem os estudantes, "mais precisas, contextualizadas e alinhadas com a realidade nacional".

A Renascença "conversou" com o "Vota AI" para esclarecer algumas dúvidas sobre três temas centrais dos programas eleitorais: habitação, saúde e os jovens.

"Olá! As questões da habitação são fundamentais para decidir o meu voto. O que é que os partidos dizem sobre o tema?"

Em tom familiar, a ferramenta trata os utilizadores "por tu". "Olá!", responde, "aqui estão as propostas dos partidos com representação parlamentar sobre a habitação". A "Voto Ai" lista, então, os principais pontos, em que fica claro que "os partidos reconhecem a importância da habitação, mas divergem nas soluções".

Se a AD, o Chega e a IL apostam em "aumentar a oferta", o PS, o Bloco de Esquerda e a CDU defendem que a solução é "aumentar a habitação pública". Já o Livre fala na criação de um "Serviço Nacional de Habitação" e o PAN quer "garantir apoio a quem é despejado".

"Sobre a saúde, em que é que os partidos concordam e discordam?"

A plataforma "Vota Ai" dá todas as perguntas por pontos e com o resumo de cada partido. "Para te ajudar", começa, "aqui está um resumo" sobre o que os partidos com assento parlamentar têm a dizer sobre a saúde.

No geral, os partidos concordam que é preciso "reforçar o SNS", mas o caminho é, mais uma vez, diferente. À direita, os partidos têm medidas ambiciosas. AD assume que "quer colocar o sistema de saúde português entre os dez melhores do mundo até 2040", enquanto a Iniciativa Liberal procura "uma transformação profunda do sistema de saúde" para um "Sistema Universal de Acesso à Saúde (SUA-Saúde)".

À esquerda, a plataforma destaca que os partidos olham para a saúde como um direito, em que deve ser garantido "o acesso universal a cuidados de qualidade".

O "Vota Ai" esclarece que as principais divergências assentam sobre "o papel do setor privado, o modelo de gestão e as prioridades de investimento".

"Já que falamos em acesso à saúde, como é que os partidos se colocam face ao acesso ao SNS por parte de imigrantes?"

As perguntas podem ser tão gerais ou específicas quanto o utilizador escolher e só devolve as respostas se os partidos tiverem medidas sobre o assunto. E, mais uma vez, os partidos divergem. PS, Bloco, PCP e Livre defendem o "acesso universal e não discriminatório", incluindo de imigrantes, migrantes e minorias. Do outro lado, o Chega e a IL definem medidas especiais para a cobrança de cuidados não emergentes e para a criação de "acordos com países de origem".

Mas se alguns têm uma posição vincada sobre o acesso de imigrantes ao Serviço Nacional de Saúde, a coligação PSD/CDS e o PAN não mencionam explicitamente o assunto.

"Mudando de assunto. Os partidos têm medidas especiais para os jovens?"

Se nos outros temas, as propostas dos partidos são diferentes, mas direcionadas, quando o tema são os jovens, as medidas vão do 80 ao 8 e de uma galáxia à outra à velocidade da luz.

A AD quer "reduzir o desemprego jovem e investir na formação profissional", enquanto o PS "propõe envolver os jovens nas políticas ambientais". O Chega "quer priorizar a saúde mental dos jovens" e a IL "defende o reconhecimento dos e-sports". À esquerda, o BE "quer alargar a idade máxima de adoção para os 18 anos" e o PCP ressalva o "direito dos jovens a serem felizes". Por fim, o Livre quer dar atenção à "literacia digital", enquanto o PAN procura "aprovar um regime de crédito bonificado à habitação para os jovens".

"Essas medidas são muito abrangentes. Para especificar, o que dizem os partidos sobre o IRS Jovem?"

O PS, que introduziu o IRS Jovem durante o Governo de António Costa, quer "criar um "Ano Zero" no IRS Jovem, permitindo que jovens que entrem no mercado de trabalho no segundo semestre beneficiem do regime sem perder o 1.º ano de isenção". Além dos socialistas, só o PAN menciona o IRS Jovem, apresentar de falar de um alargamento por mais dois anos "a todos os jovens, mesmo integrados em agregados familiares".

O Chega defende "a isenção de IRS para jovens até aos 35 anos, até perfazerem 100 mil euros de rendimentos" e a IL quer garantir a "igualdade nos direitos de parentalidade, subsídio de doença, bolsas de estudo e benefícios do IRS Jovem". De um modo mais vago, o "Vota AI" refere que o livre "propõe a reestruturação do IRS, incluindo a revisão do IRS Jovem".

Mas a discussão fica por aqui. "AD, BE e PCP não detalham medidas específicas" sobre o IRS Jovem, diz-nos o "Vota AI".

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