Legislativas 2025

Rocha foi mais à rua com o sonho de entrar num Governo com a AD

16 mai, 2025 - 06:31 • Filipa Ribeiro

O presidente da Iniciativa Liberal passou a campanha a apelar ao voto para ter "poder de negociação" na eventual formação de um Governo à direita. Dos ataques à esquerda, passando por tinta verde ao namoro do eleitorado da AD e do Chega, o presidente Liberal afirmou como único objetivo: ser um partido de governação.

A+ / A-
Rui Rocha lamenta falta de discussão de mais propostas na campanha

Veja também:


As duas semanas de campanha terminam sem qualquer dúvida sobre a vontade da Iniciativa Liberal em ser convidada para integrar um Governo à direita com a AD.

Os liberais passaram 15 dias seguidos a meter a colher na relação entre PSD e CDS, com Rui Rocha a sublinhar que "quer um Governo em que a Iniciativa Liberal, com um reforço de votos, consiga condicionar a governação".

AD, queres casar comigo?

A pergunta não foi feita, porque a Iniciativa Liberal espera que o primeiro passo seja dado pela Aliança democrática.

Na campanha, a porta dos liberais ao PSD abriu gradualmente com o partido a repetir, nos últimos dias, que "é um partido de Governação" e a pedir "peso eleitoral" para ser um "Governo de quatro anos".

Sem definir concretamente quantos deputados quer ver eleitos, a Iniciativa Liberal faz mais uma campanha a defender que quer apenas "crescer". Não querendo comprometer-se, o presidente dos liberais foi sublinhando como meta a atingir - um bom resultado para que o partido seja opção para se formar Governo à direita.

Para um bom resultado, Rui Rocha arrancou a campanha a atacar a esquerda acusando-a de ter um discurso de medo, de derrotada e sem medidas. A meio da primeira semana, o líder liberal mudou o foco para o "eleitorado zangado" que vota no Chega e já na última semana de campanha lançou charme ao eleitorado da AD a quem apelidou de "desiludidos".

O partido quer ser Governo com força e promete ser "exigente" nas negociações, no entanto do outro lado houve quase que um "ghost" do PSD, que não confirmou os contactos que a meio da campanha Rui Rocha disse ter recebido do social-democratas para uma coligação pré-eleitoral e que se referiu a Rui Rocha apenas numa referência a um jogo de voleibol.

Rui Rocha vai mais à rua

Ao contrário da campanha de 2024, o presidente da IL procurou este ano estar mais presente na rua e no contacto com eleitores, além das tradicionais visitar a empresas.

No entanto, nem sempre tudo correu bem. Houve uma feira quase vazia, um barco que quase nem saiu do cais e um interior do país que ainda continua a ter dificuldade em reconhecer o líder do partido. É, aliás,o interior do país e também o sul, que o partido continua sem explorar - nesta campanha, a Iniciativa Liberal esteve apenas em Viseu e em Faro mantendo como maior aposta os distritos do litoral entre Braga e Setúbal.

Mais de três mil quilómetros depois, Não há dúvidas de que a IL procura o crescimento em Lisboa, Setúbal, Porto, Braga, Aveiro e agora em Leiria - o distrito onde Rui Rocha não esconder ser a grande aposta nestas eleições e onde quer ver uma estreia na eleição de pelo menos um deputado.

Os liberais querem aumentar a quota de deputados para entrarem num "bom Governo". E num dos últimos recados que Rui Rocha apontou no caderno de coisas a fazer, estão so avisos deixados pelo antigo líder do partido Carlos Guimarães Pinto que realçou: "Se for para fazer bom Governo seremos aliados. A IL tem responsabilidade de não fazer parte de um governo medíocre".

O regresso da tinta verde

A campanha da Iniciativa Liberal ficou ainda marcada pelo regresso da tinta verde às campanhas eleitorais. No arranque da segunda semana, o líder do partido viu um comício interrompido por uma manifestação de dois jovens ativistas pelo clima.

A conclusão? Um fato e um líder partidário completamente pintados a verde e uma queixa nas autoridades contra os jovens.

Como resultado, há agora um blazer sujo a leilão, com uma licitação acima dos 500 euros em que as receitas serão entregues à Associação Acreditar.

"Fizemos tudo para que não fosse campanha de cenários e casos"

Num balanço feito ao microfone da Renascença, Rui Rocha defende que o ponto negativo da campanha foram os "ataques e a não apresentação de propostas" dos outros partidos. O presidente da IL, lembra que já tinha defendido que a postura de ataque e de falta de medidas à esquerda "significa uma confissão de derrota".

Rui Rocha garante que o partido "fez de tudo para que a campanha não fosse de cenários e casos", algo que acabou por acontecer e dominar os últimos dias.

Por outro lado, o presidente da Iniciativa Liberal faz um balanço positivo na avaliação interna do partido nos últimos dias. Rui Rocha diz que a campanha para as legislativas teve "das melhores mobilizações de sempre", mostrando confiança num bom resultado.

O presidente da Iniciativa Liberal, com um olho na eventual coligação com a AD, garante que vai estar atento ao telemóvel na segunda feira. "No sábado vou estar com a família, para dia 19 estar disponível para aquilo que os portugueses entenderem", diz.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque