Legislativas 2025
Numa esquerda em queda livre, a CDU assume o modo "resistência"
19 mai, 2025 - 05:04 • Cristina Nascimento
Durante a campanha eleitoral, Paulo Raimundo, líder do PCP, mostrava-se confiante que os resultados de 18 de maio seriam positivos. Não foram, mas de certa forma, no desfalque da esquerda, os comunistas encontraram forma de terminar a noite a clamar “a luta continua”.
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Entre as 22h30 e as 23h00 de domingo de legislativas fez-se a festa na sala de hotel que acolheu a noite eleitoral da CDU.
Primeiro foi eleito o líder do PCP, Paulo Raimundo; depois Paula Santos, cabeça de lista por Setúbal; e de seguida Alfredo Maia, cabeça de lista no Porto. Durante essa meia hora, a Juventude CDU, de olhos pregados nos ecrãs das televisões, gritou e proclamou as palavras de ordem habituais: “CDU avança, com toda a confiança”.
E a CDU ainda avançou com o sonho de um quarto deputado. Paulo Raimundo chegou a dizer que tinham indicação que manteriam o mesmo número de eleitos no Parlamento. Não aconteceu.
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Aliás, várias coisas não aconteceram. A CDU não teve mais 100 mil votos do que em 2024, não reforçou a bancada com mais dois deputados, não conseguiu fazer regressar à Assembleia da República o Partido Ecologista “Os Verdes”. Não conseguiu eleger Bernardino Soares, por Beja, e despede-se (outra vez) do histórico parlamentar comunista António Filipe (era o número 2 de Lisboa e não foi eleito).
Raimundo reconhece que o resultado agora alcançado não é o queriam e que não dá “melhores condições para o combate”, mas acrescenta um "mas".
“Não andamos para trás na resistência”, assegura. E repete o que já disse mil vezes sobre o papel que a CDU terá: “as eleições acabaram, os problemas mantêm-se e agravam-se. É preciso força, coragem e gente dedicada – como aquela que há aqui nesta sala toda – para enfrentar esses problemas”.
Olhando para uma esquerda que cai abruptamente para o pior resultado de sempre – basta ver os resultados do PS e do Bloco de Esquerda – no quartel-general da CDU para a noite eleitoral quase que se respirou de alívio. Perderam um deputado e 25 mil votos.
Muitos dirão que o resultado eleitoral é a continuidade do declínio dos comunistas, mas esta noite até risos se ouviram na sala quando Paulo Raimundo, respondendo às perguntas dos jornalistas sobre se ficava triste com a eleição de apenas três deputados, disse frontalmente: “então queria que eu ficasse contente com isso”.
“Tivemos um resultado de resistência”, disse Raimundo.
E não será por acaso que a noite terminou com as cerca de 150 pessoas presentes a entoar “a luta continua”.







