Legislativas 2025
O pior resultado. BE torna-se partido de uma só cara
19 mai, 2025 - 04:38 • Isabel Pacheco
Mariana Mortágua assume “grande derrota”, mas não se demite da coordenação do Bloco de Esquerda.
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Ainda mal caiam as projeções à boca das urnas e Jorge Costa, da comissão política do Bloco de Esquerda (BE), adivinhava a “noite difícil” que se veio a confirmar. Pior: o partido perdeu quatro dos cinco deputados e registou o pior resultado de sempre.
“O Bloco de Esquerda tem uma grande derrota esta noite e é importante assumirmos essa derrota com toda a humildade e frontalidade, porque é o primeiro passo para fazermos em conjunto a reflexão para sabermos olhar para a campanha que fizermos e construir o Partido para futuro”, apontou Mariana Mortágua durante a curta declaração na Casa do Alentejo, em Lisboa, garantindo a “toda a esquerda em Portugal” que o “Bloco de Esquerda está aqui”.
Pela primeira vez na história do partido, a líder Mortágua tornou-se na única deputada assumir a representação do Bloco na Assembleia da República. Nem mesmo na sua fundação, em 1999, tal tinha acontecido quando entraram para o Parlamento com dois deputados: Francisco Louçã e Luís Fazenda.
Os dois fundadores do partido, a par de Fernando Rosas, regressaram às listas de candidatos às legislativas. Francisco Louçã concorria por Braga. Fazenda por Aveiro e Rosas por Leiria. Eram os trunfos de uma campanha que arriscou tudo e ficou sem “quase nada”.
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Mariana Mortágua sabe-o, mas mantém o compromisso para os “bons e maus momentos” e não desiste de se recandidatar. “Eu encabeço uma moção à próxima Convenção do BE e mantenho inteiramente esse compromisso”, sublinhou a bloquista quando questionada pelos jornalistas.
A convenção deveria acontecer em maio, mas foi adiada para novembro devido às eleições legislativas antecipadas. Nessa altura, deverá ser definido o rumo do partido que Mariana Mortágua quer que seja de “esperança no futuro” e de “muito trabalho” para “enfrentar a extrema-direita”.
“Há razões de preocupação e o sinal que temos de dar a toda a gente que está preocupada com esta viragem à direita, com o resultado destas eleições, é que estaremos cá e faremos o trabalho todos dias para a alargar a esquerda”, afirmou Mortágua, lembrando que “cada mandato a menos do BE na Assembleia da República é uma lutadora e um lutador contra a extrema-direita que está a fazer o mesmo trabalho na rua”.
“A esquerda que defenda a liberdade, a democracia”, apelou a deputada durante os nove minutos da sua intervenção, que terminou interrompida com os aplausos dos apoiantes do partido na Casa do Alentejo. Eram 23h00 e confirmava-se a eleição de Mariana Mortágua: a única de deputada do Bloco de Esquerda na próxima legislatura.
Pela frente, a ainda coordenadora do partido terá as eleições autárquicas em setembro ou outubro. O desafio antecede as presidenciais em janeiro de 2026, em que a esquerda terá de encontrar uma figura forte e unânime para fazer frente à direita.









