Legislativas 2025

PAN fica no Parlamento por menos de 2 mil votos. As margens de quem foi eleito e quem ficou por eleger

19 mai, 2025 - 20:21 • Diogo Camilo

PS foi o último partido a conseguir um mandato em apenas um círculo eleitoral, enquanto em nove distritos foi o primeiro partido a ficar de fora. JPP conseguiu o último lugar na Madeira por cinco mil votos, Inês Sousa Real mantêm-se no Parlamento por uma margem de 1.308 votos.

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As eleições deste domingo foram decididas por largas margens, mas alguns dos deputados eleitos conseguiram o mandato por poucas centenas de votos.

A entrada do partido Juntos Pelo Povo (JPP) no Parlamento, por exemplo, foi decidida por apenas cinco mil votos, depois de, no ano passado, esta força política ter ficado fora do hemiciclo por cerca de 500 votos.

Na Madeira, a AD foi a força política mais votada e viu serem eleitos três deputados, enquanto o PS e o Chega conseguiram apenas um. O JPP, ao ser o quarto partido mais votado (com 12,32% e 17.115 votos), ficou com o sexto e último mandato naquele círculo eleitoral, roubando um deputado ao PS em relação ao ano passado.

Realizando os cálculos através do Método d'Hondt, o primeiro candidato a não ser eleito na Madeira foi o segundo nome da lista do Chega, Tiago Spínola Abreu.

Mas esta não foi a margem mais pequena da noite eleitoral: em Santarém, o último deputado a ser eleito foi o quarto nome da lista da AD, com uma diferença de apenas 492 votos para o PS (que não elegeu), enquanto que em Portalegre foi a vez do PS ficar com o último mandato, por uma margem de 667 votos em relação à AD.

Nos Açores, o primeiro a ficar de fora foi o segundo na lista do PS, que perdeu o mandato para o terceiro da lista da AD por apenas 776 votos.

Em Lisboa, o último mandato a ser atribuído foi para o PAN, partido que alcançou 1,84% dos eleitores e 23.369 votos, mais 2.305 votos do que o candidato seguinte, a 13.ª candidata da lista do PS, Maria Begonha. No entanto, o candidato seguinte, António Filipe da CDU, precisaria de menos votos para ser eleito à frente da líder do PAN: apenas mais 1.308 votos.

O resultado foi o pior do PAN em Lisboa desde 2011, mas foi suficiente para a eleição de Inês Sousa Real.

No Porto, o último candidato a conseguir ser eleito foi o segundo deputado do Livre naquele círculo eleitoral: Filipa Pinto, com mais 2.772 votos do que Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, e mais 1.642 votos do que o último candidato da AD a não entrar, que seria Álvaro Castello Branco, do CDS.

A cabeça de lista do Bloco teria à sua frente na fila outros dois candidatos, o 10.º da lista do Chega e o terceiro da lista da Iniciativa Liberal no círculo portuense.

Contas feitas, a AD conseguiu ter o último deputado a ser eleito no círculo eleitoral em 11 distritos, enquanto em cinco dos círculos foi um deputado do Chega a ser eleito. O PS só conseguiu isso uma vez e, em contrapartida, em nove círculos eleitorais foi o primeiro a ficar de fora. O mesmo azar aconteceu por três vezes ao Chega e por oito vezes à AD.

Além dos três grandes, há os casos do JPP, do PAN e do Livre, que foram o último partido a eleger, respetivamente, na Madeira, em Lisboa e no Porto.

As diferenças entre quem entra e quem fica de fora

No círculo eleitoral de Setúbal, o Chega venceu e conseguiu seis deputados, enquanto PS e AD ficaram com cinco. Mas as coisas podiam ter sido bem diferentes por uma diferença de pouco mais de mil votos (1.138): se os socialistas tivessem esta quantidade de votos, seria o PS a eleger seis deputados e a AD a eleger quatro.

Noutros círculos, as diferenças foram maiores. Em Beja, o Chega, que venceu o círculo eleitoral, ficou a cerca de dez mil votos de chegar ao último mandato, o da AD. Em Évora, a diferença foi ainda maior e o último deputado a ficar de fora foi do PS, por uma margem de mais de 18 mil votos.

Em Faro, o último deputado eleito foi do Chega e tirou o lugar ao PS, por uma diferença de 11 mil votos. Na Madeira, a diferença entre o JPP, o último eleito, o segundo mandato do Chega, que foi o segundo partido mais votado, foi de mais de cinco mil votos.

Em Leiria, o último deputado eleito foi o quinto candidato da AD, enquanto o primeiro a ficar de fora foi o terceiro do PS, por uma margem de mais de oito mil votos. Em Braga, as margens foram grandes: o último a ficar de fora foi o 9.º na lista da AD, mas por uma margem de quase 18 mil votos. Em Aveiro, foi novamente a vez do último eleito ser do Chega, para que o primeiro a ficar de fora fosse do PS — por uma margem de quase oito mil votos.

Em Viana do Castelo foi ao contrário: o primeiro a ficar de fora foi do Chega, por uma margem de quatro mil pontos, e em Vila Real o último a ficar de fora por mais de quatro mil votos. Em Bragança, o Chega não elegeu por cerca de mil votos, enquanto na Guarda a margem foi de cerca de dois mil votos e em Castelo Branco foram AD e PS a ficarem divididos por cerca de quatro mil votos.

Em Viseu, as diferenças foram de 15 mil votos entre o 4.º da AD e o primeiro da iniciativa Liberal, mas o partido de Rui Rocha teve pouco mais de seis mil votos, sendo improvável que fosse eleger. Em Coimbra, o último mandato a entrar foi o 4.º da AD e o próximo seria o 5.º da AD.

[artigo atualizado às 22h59 de 20 de maio com a informação sobre António Filipe da CDU]

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