Eleições Legislativas 2025
Ventura dá carga de ombro ao PS e luta por liderar oposição
19 mai, 2025 - 04:15 • Tomás Anjinho Chagas
Chega continua a crescer e deve trepar para o segundo lugar da política portuguesa. Resultado levou à demissão do líder socialista, no entanto, coloca novamente a questão da governabilidade. Ventura não fechou a porta a negociações com a AD, mas já teve melhores relações com Luís Montenegro.
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A noite prometia ser simpática para os militantes do Chega, mas poucos seriam tão otimistas para dizer que o partido estaria a ombrear com o PS. Os socialistas – que em 2022 elegeram 120 deputados e arrumaram o sistema político com uma maioria absoluta – desta vez não foram além dos 58 deputados, menos de metade do que conseguiram há três anos.
André Ventura – que prometeu que só cantaria vitória se vencesse as eleições – assumiu que ainda não era o resultado com que sonhava, mas avisou: “Fizemos história.” O Chega conseguiu 58 deputados, os mesmos que o PS, mas conta com uma vitória depois de contados os votos dos círculos da Europa e Fora da Europa. (No ano passado o partido conquistou 3 dos 4 lugares da emigração).
O destino do partido, no entanto, arrisca-se a ser exatamente o mesmo de há um ano: partido de protesto. Com o “não é não” de Luís Montenegro (até ver) em vigor, o Chega dificilmente vai conseguir tornar-se peça-chave na aritmética parlamentar. Os deputados que elegeu chegariam para formar maioria se fosse feita uma coligação com a Aliança Democrática, mas se o PSD se mantiver irredutível, o Chega sujeita-se a ficar fora de qualquer solução de estabilidade.
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Reconfigurar a direita: plano falhado
Durante a campanha, André Ventura, quando questionado sobre os seus objetivos, foi sempre claro: o objetivo era vencer as eleições, ficar à frente do PSD, e assim forçar uma saída de Luís Montenegro, quebrando assim o “não é não” dos social-democratas. A realidade é dinâmica, o Chega acabou por conseguir demitir um líder político: Pedro Nuno Santos.
Luís Montenegro voltou a vencer as eleições, sem maioria absoluta, mas isso dá-lhe uma relegitimação política que vai manter o líder do PSD em São Bento. André Ventura dificilmente vai conseguir mudar as ideias ao primeiro-ministro, com quem foi deteriorando as relações pessoais no último ano. Os dois falaram ao telefone neste domingo de eleições já depois dos resultados serem conhecidos. A menos que haja um volte-face, um acordo entre os dois partidos – pelo menos assumido – está longe de ser provável.
Dores de crescimento repetidas?
No ano passado, o Chega passou de 12 para 50 deputados. Por consequência, André Ventura teve de gerir uma megabancada parlamentar, com tudo o que isso exige, de bom e mau. Com a eleição de tantos novos quadros, há riscos: no ano passado o Chega teve de lidar com vários casos e casinhos no seu grupo parlamentar, com destaque para Miguel Arruda, deputado que foi acusado de furtar malas em aeroportos. André Ventura secou o caso ao retirar confiança política ao deputado, mas há o risco de ter mais episódios semelhantes.
Agora, com 58 deputados (ou mais, consoante os que eleger na emigração), André Ventura terá de passar a pente fino os membros da sua bancada para evitar os casos com que tantas vezes ataca os seus adversários.
Peso da responsabilidade
Um novo resultado positivo coloca também a incógnita sobre que responsabilidade o Chega quer assumir enquanto partido da oposição. André Ventura disse ser o “líder da oposição em Portugal”, mas e daí?
No ano passado, o drama do Orçamento foi desenlaçado com a abstenção do PS, que deixou passar o documento magno da AD. Ao ter os mesmos deputados que os socialistas, o Chega tem agora de definir que estilo quer adotar enquanto partido de oposição. André Ventura não vai deixar de ser vocal e provavelmente feroz, mas com três eleições em quatro anos, o eleitorado pode penalizar o partido no caso de uma nova crise política.









