PARLAMENTO

Aguiar-Branco promete ser "equidistante", antecipa legislatura "exigente" e acredita que consenso "é possível"

03 jun, 2025 - 17:09 • Susana Madureira Martins

Acabado de ser reeleito para um novo mandato com os votos da AD, Chega e PS, José Pedro Aguiar-Branco garantiu que não terá "hostilidade" com nenhum deputado naquele que foi o primeiro discurso que fez no hemiciclo na nova legislatura.

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Aguiar-Branco reeleito presidente da AR. “Temos pela frente uma das legislaturas mais exigentes da nossa democracia”
Aguiar-Branco reeleito presidente da AR. “Temos pela frente uma das legislaturas mais exigentes da nossa democracia”

Acabado de ser reeleito, à primeira votação, como presidente da Assembleia da República (AR), com 202 votos a favor e depois de ter cumprimentado todos os líderes partidários presentes na Sala das Sessões, José Pedro Aguiar-Branco disse esta terça-feira que esta será uma legislatura "exigente, uma das mais exigentes da nossa Democracia", naquele que foi o primeiro discurso que proferiu no hemiciclo, dando início a uma nova legislatura em que a AD formou uma nova maioria relativa.

Com uma nova reconfiguração parlamentar, em que o Chega passou a ser a segunda força política com 60 deputados, mais dois do que o PS, Aguiar-Branco prometeu que exercerá o seu mandato de forma "equidistante", numa Assembleia da República que se traduz agora num "conjunto de geometrias variáveis que desafiam tudo", garantindo ainda que os deputados nunca verão do presidente do Parlamento qualquer "hostilidade ou agressividade".

Depois de dirigir uma palavra de agradecimento aos funcionários parlamentares, que fazem "funcionar a Democracia", Aguiar-Branco agradeceu aos deputados, referindo ter a "consciência do desafio e da responsabilidade que esse voto comporta" perante "a instabilidade internacional em que vivemos, da Economia à Defesa, que coloca em risco valores que dávamos por adquiridos, a democracia, a paz e a liberdade. Os vários tipos de liberdade, da livre circulação à liberdade de expressão, princípios que devem ser preservados especialmente aqui no Parlamento".

Aos deputados, Aguiar-Branco apelou ao consenso que diz ser "possível, continua a ser possível sermos capazes de ultrapassar os desafios", considerando ser aquilo que "os portugueses exigem de nós". Ao mesmo tempo notou que no hemiciclo, existe agora o "maior" número de partidos de sempre, sete grupos parlamentares e três deputados únicos, com "muitos" deputados "estreantes e um conjunto de geometrias variáveis e de novos temas que desafiam tudo o que julgávamos saber sobre o funcionamento das nossas instituições".

"O consenso é possível, continua a ser possível"

Lembrando o arranque dos trabalhos da Assembleia da República há 50 anos, Aguiar-Branco salientou que parece agora uma "miragem distante" que, na altura, os 250 deputados de 7 diferentes partidos "se tenham sentado nesta mesma sala e conseguido chegar a acordo sobre a forma como as nossas instituições iriam, daí em diante, funcionar". Se na altura os deputados conseguiram fazê-lo em ambiente de "polarização", "divergências ou antagonismos entre partidos, ideias ou deputados", agora, diz o presidente do Parlamento também é possível.

"O consenso é possível, continua a ser possível. Sermos capazes de superar esses desafios, sermos capazes de encontrar os nossos denominadores comuns, é o que os portugueses esperam de nós", sintetizou Aguiar-Branco. "Há 50 anos, 250 deputados de 7 diferentes partidos foram capazes também de ver além das diferenças, foram capazes de encontrar denominadores comuns e de escrever em conjunto uma constituição de raiz", disse ainda o presidente, convicto que em 2025, "qualquer desafio" que os deputados possam "enfrentar nos próximos quatro anos será sempre menor do que esse".

Dizendo acreditar "muito pouco na narrativa de que é preciso salvar a Democracia", Aguiar-Branco prefere salientar que a Democracia "não se salva, nem se defende, constrói-se" no hemiciclo, "não com proclamações mais ou menos inflamadas ou meritórias vindo das diferentes bancadas, mas com as propostas que apresentamos, com as aprovações ou rejeições que votamos. A democracia constrói-se todos os dias com as decisões que aqui tomamos", avisou.

Um presidente sem "hostilidade" ou agressividade"

Assumindo-se como mais um dos seus 230 deputados eleitos, Aguiar-Branco assumiu que enquanto deputado tem uma "ideia política e uma militância partidária", mas que como presidente da AR guarda "reserva" nas suas opiniões, com um regimento para "cumprir e fazer cumprir", assumindo ainda que tem "o dever de garantir" que as intervenções dos deputados são ouvidas. "Mesmo quando não concordo, especialmente até quando não concordo", fez questão de ressalvar, avisando ainda que tem o "dever" de garantir que essas opiniões "podem ser contraditadas, com a igualdade de armas que a dialética democrática exige".
Sem nunca falar diretamente para nenhuma das bancadas em particular, o presidente reeleito do Parlamento assumiu que a legislatura será "exigente para quem dirige os trabalhos, exigente para cada um dos senhores deputados", assegurando que os representantes da mesa da Presidência serão equidistantes e respeitadores de todos os eleitos", salientando que "só assim respeitamos a vontade popular, vontade expressa em eleições livres, diretas e universais, que em 51 anos de democracia nunca foram postas em causa", referindo como "um bom exemplo" que "vai distinguindo" Portugal do que acontece "noutras geografias políticas".

Nunca se referindo às tensões entre bancadas que marcaram a anterior legislatura, Aguiar-Branco frisou que tem de "garantir que nenhum deputado se sinta intimidado no legítimo exercício do seu mandato", referindo que enquanto Presidente, Aguiar-Branco promete tratar "todos" os diplomas discutidos em plenário de "forma igual", mesmo quando não concorda e "especialmente" quando não concorda, prometendo que o Parlamento nunca verá nele "um sinal de hostilidade ou agressividade com qualquer outro deputado ou senhora deputada, independentemente do seu partido, do que diga ou do que pense".

"Continuo a acreditar profundamente que o respeito, a cortesia e a urbanidade são elementos fundamentais para a nossa vida em sociedade e que o prestígio do Parlamento e da função de deputado carece do reconhecimento na nossa sociedade como um bem maior do nosso regime democrático", disse ainda o presidente reeleito, dizendo ainda "acreditar que é preciso abordar questões como o Regime das Incompatibilidades ou o Estatuto Remuneratório dos Titulares de Cargos Políticos, algo que veio defendendo no último ano.

A última referência no primeiro discurso do presidente reeleito foi para os "restantes" órgãos de soberania, a quem renovou o "compromisso de uma relação de lealdade institucional e de respeito democrático", sentenciando que "é isso, também, que o país espera de nós".

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  • Ganhar
    03 jun, 2025 ou ganhar 19:17
    Parece que continuam convencidos que podem suster o Chega! com cercas sanitárias e jogadas pouco claras. E depois o Chega! é que não é democrático nem de fiar ... Não aprenderam nada até aqui e devem julgar que passam sem o Chega! porque "teem" o PS. Nas próximas eleições o Chega! ganha-as.
  • Vão ter
    03 jun, 2025 problemas desnecessários 19:10
    Hoje, o Chega! votou pelo candidato do PSD, mas o PSD roeu a corda quanto ao candidato a vice, do Chega! Os problemas na outra Legislatura começaram quando não quiseram eleger um Vice-Presidente do Chega! apesar deste ser, na altura, a terceira força e pelo Regimento da AR ter direito a um vice-Presidente. Agora repetem o jogo sujo, isto quando o Chega! é a 2ª Força e o governo é minoritário. Depois, dizem que o Chega! é que não é fiável...

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