Presidenciais 2026
Isidro Morais Pereira admite candidatura a Belém. "Chega tem mérito ao levantar questão da imigração"
26 jun, 2025 - 19:03 • Pedro Mesquita , Diogo Camilo
Em entrevista à Renascença, major-general diz que "ainda não decidiu, mas está a ponderar" uma candidatura a Belém para 2026. O comentador de assuntos internacionais garante que "não houve contactos" entre si e o Chega, mas aponta que o próximo Presidente da República não deve recusar o apoio de partidos políticos.
Depois do almirante Henrique Gouveia e Melo, mais um militar está a avaliar a candidatura à Presidência da República. O major-general Isidro Morais Pereira, que se tornou conhecido pelas suas análises sobre a guerra na Ucrânia e a crise no Médio Oriente, diz agora que "ainda não decidiu, mas está a ponderar" entrar na corrida a Belém.
A notícia foi avançada esta quinta-feira pelo Observador e, em entrevista à Renascença, Isidro Morais Pereira garante que, até à data, "não houve contactos" entre si e o Chega, mas assume que não irá recusar um eventual apoio do partido liderado por André Ventura.
Confirma que está a ponderar ser candidato à Presidência da República?
Sim, confirmo. Muitos cidadãos anónimos, muitas pessoas com que me encontro na rua - já não é de hoje, já há bastante tempo que isso acontece - me têm pedido para me candidatar porque se reveem na minha pessoa, eventualmente. E depois de tanto ouvir, estou a ponderar. Ainda não decidi, mas estou a ponderar.
Porque está a ponderar? Apenas porque há uma vaga de fundo nesse sentido ou porque tem algum plano para o caso de ser eleito?
Claro que se for eleito tem que ter um plano, senão nunca na vida ponderaria a candidatar-me. Eu sei perfeitamente o que é que incumbe a um Presidente da República, quais são as suas responsabilidades.
Mas seria uma espécie de contraponto, por exemplo, a uma outra candidatura de área militar do almirante Gouveia e Melo?
Não, o almirante Gouveia e Melo tem todo o direito de se candidatar. Tem mais de 35 anos, eu também. Neste momento, não sou um cidadão restringido de direitos porque já não estou no ativo portanto, como qualquer outro cidadão, e tendo servido a minha pátria durante muitos anos, mais de quatro décadas, se as pessoas se revêem no cidadão, tenho que analisar se ainda tenho condições físicas, psicológicas, mentais, para estar à altura de obter um cargo de tamanha responsabilidade.
Essa candidatura, a avançar, teria o apoio do Chega?
Se alguém pretende ser o Presidente de todos os portugueses, na minha opinião, não deve enjeitar apoios de partidos, sejam eles quais forem.
Mas há contactos?
Não, não. Até à data não houve qualquer contacto entre mim e o Chega, e vice-versa.
E gostaria que houvesse?
Não é uma questão de gostar. Se o Chega achar que me quer apoiar, vou ponderar esse apoio, naturalmente.
No plano político, revê-se nas posições assumidas pelo Chega?
Revejo-me em algumas posições, em outras nem tanto, assim como me revejo em algumas posições do PSD e PS, em outras nem tanto.
Diga-me um exemplo daquilo em que se revê relativamente ao Chega.
Por exemplo, acho que o Chega tem todo o mérito quando levantou as questões relacionadas com a imigração, porque o pior serviço que se pode prestar à comunidade imigrante é permitir que o nosso país seja abordado por cidadãos - que procuram uma vida melhor e têm todo o direito a isso - e não zelar, não controlar essas entradas, para que essas comunidades sejam devidamente integradas à medida das possibilidades que o nosso país tem.
E em que é que não se revê?
Sinceramente não lhe posso dar agora um exemplo. Não me surge assim nenhum exemplo, mas há com certeza aspectos que são menos conseguidos. Por exemplo, revejo-me nas posições que o Chega tem tomado...
Estava a perguntar-lhe naquilo em que não se revê...
Bom, quer dizer, talvez alguns aspetos menos conseguidos relativamente à aceitação de algumas opiniões, até inclusivamente, nalgumas formas como se analisa a própria temática da imigração, mas pelo menos teve o mérito de levantar a questão.
Nas posições em que não se revê, estão as posições assumidas relativamente a comunidades ciganas?
Temos que nos lembrar que a comunidade com que Portugal vive há centenas de anos, não é? Roma e Pavia não se fizeram num dia, não é a tentar colocar o ónus nessas comunidades. As comunidades têm que ser integradas como todas as outras, não é?
Então aí não se revê?
Não completamente. Em alguns aspetos acho que o Chega tem razão também, em colocar o problema na ordem do dia, para se encontrar uma solução para uma melhor integração dessas mesmas comunidades.











