Autárquicas 2025

Autárquicas: Isaltino é campeão, PS vai gastar mais na campanha do que PSD e Chega juntos

25 set, 2025 - 07:00 • Diogo Camilo

A candidatura de Isaltino Morais em Oeiras tem o maior orçamento de todas as candidaturas a votos nestas autárquicas: 376 mil euros. Frente de esquerda de Alexandra Leitão em Lisboa vai gastar mais do que a coligação de direita de Carlos Moedas. No Porto, Manuel Pizarro tem maior orçamento do que Pedro Duarte e Filipe Araújo. Candidaturas do PS vão gastar mais de 6 milhões de euros, enquanto o Chega vai investir menos do que a CDU.

A+ / A-

O Partido Socialista não vai olhar a meios nas autárquicas de 12 de outubro, prometendo ser a força política que mais dinheiro vai gastar na grande maioria dos concelhos mais populosos do país. Contas feitas, as candidaturas do PS vão ser superiores à soma das candidaturas de PSD e Chega juntas.

Segundo os documentos entregues à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) consultados pela Renascença, o PS será a força política mais gastadora - seja em nome próprio ou como coligação - em 30 dos 50 concelhos com mais eleitores, enquanto o PSD - sozinho ou em coligação com CDS ou IL ou outros partidos - tem o maior orçamento em 14 das principais corridas eleitorais do próximo mês.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Em quatro concelhos é a CDU quem se propõe a gastar mais dinheiro na campanha e noutros dois - Oeiras e Setúbal - são os movimentos independentes que investem mais. Em ambos os casos, as candidaturas - de Isaltino Morais em Oeiras, e de Maria das Dores Meira, em Setúbal - são apoiadas pelo PSD.

O maior orçamento de todas as candidaturas a votos nestas autárquicas fica precisamente em Oeiras: o movimento "Inovar Oeiras" de Isaltino Morais prevê gastar 376.200 euros, dos quais mais de 200 mil vêm de donativos. O valor é muito superior ao orçamento de 2021, quando gastou 285 mil euros para vencer confortavelmente, e é quase 10 vezes superior ao orçamento do PS no concelho, que não vai gastar mais do que 40 mil euros.

Em Setúbal, os sociais-democratas também não têm candidatura própria e vão apoiar Maria das Dores Meira, uma decisão que gerou críticas na concelhia do PSD. A antiga autarca sadina pela CDU formou o movimento "Setúbal de Volta" e vai gastar 315 mil euros na campanha, que será a terceira candidatura mais dispendiosa em todo o país - mais do que os 134 mil euros da CDU e os 105 mil euros do PS.

PS gasta mais em Lisboa e Porto

Em Lisboa, a frente de esquerda de PS, Bloco de Esquerda, Livre e PAN, que tem Alexandra Leitão como cabeça de lista, tem um orçamento de campanha eleitoral de cerca de 375 mil euros, segundo o documento entregue no Tribunal Constitucional. É o segundo maior orçamento de todas as candidaturas a votos nas autárquicas de 12 de outubro.

O valor é superior ao da coligação de Carlos Moedas em mais de 100 mil euros: a coligação PSD/CDS/IL com o nome “Por ti, Lisboa”, tem um orçamento de 235 mil euros, inferior aos 300 mil euros com que foi a votos nas últimas eleições, em 2021.

O Chega tem em Lisboa e no Porto os seus orçamentos de campanha mais elevados: 75 mil euros na candidatura de Bruno Mascarenhas e de Miguel Corte-Real.

No Porto, a candidatura do PS também é a que tem o orçamento mais elevado: 226 mil euros para a candidatura de Manuel Pizarro, em relação aos 210 mil euros orçamentados pela coligação de PSD, CDS e Iniciativa Liberal, que tem como cabeça de lista Pedro Duarte, antigo ministro do governo de Luís Montenegro.

É difícil apresentar contas para todos os partidos numas eleições em que, em muitos dos concelhos, PS e PSD se apresentam em coligação e a compartilhar despesas e receitas.

Os sociais-democratas apresentam um orçamento consolidado de cerca de 4,4 milhões de euros, nos quais estão incluídos 150 mil euros de despesas comuns e das centrais de campanha e a que se somam depois as despesas de cada candidatura.

Nos 50 concelhos com mais eleitores, as coligações que incluem o PSD e as candidaturas próprias estimam gastar mais de 4 milhões de euros nas autárquicas.

Já o PS e o Chega não apresentam um valor consolidado de todas as candidaturas. Os socialistas preveem gastar 1,2 milhões em despesas comuns e nas centrais de campanha, a que se somam quase 5 milhões de euros nas candidaturas próprias e em coligações nos quais se incluem partidos como o Livre, o Bloco de Esquerda, o PAN e o Nós, Cidadãos e MPT. O total é de 6,16 milhões, mais do que a soma de Chega e as candidaturas do PSD juntas.

O Chega estima gastar 100 mil euros em despesas comuns das várias candidaturas e tem um orçamento global de cerca de 1,5 milhões de euros nos 50 municípios com mais eleitores destas autárquicas.

PSD quer surpreender em Faro e desinveste em Lisboa

Entre os orçamentos de campanha do PSD e das suas candidaturas em nome próprio ou em coligação destaca-se a aposta forte em capitais de distrito como Aveiro, Porto, Funchal, Faro e Santarém, onde a previsão de gastos é superior ao número de eleitores, o que significa que o orçamento é superior a um euro por eleitor naquele concelho.

O concelho onde há maior investimento em relação ao número de eleitores é em Ovar, onde o orçamento do PSD é de 75 mil euros, superior a todas as outras forças políticas juntas, num município com pouco mais de 50 mil habitantes.

Em outras candidaturas, como Seixal, Moita e Palmela, onde é esperado que CDU ou PS vençam, o orçamento dos sociais-democratas é em muito inferior ao número de habitantes no concelho.

Nos documentos enviados ao Tribunal Constitucional, o PSD apresenta os seus maiores orçamentos para Lisboa, Porto e Vila Nova de Gaia, mas um orçamento muito inferior para Sintra, o segundo concelho com mais eleitores no país: em coligação com IL e PAN, a candidatura de Marco Almeida é de apenas 120 mil euros, menos de metade do orçamento da candidatura de Ana Mendes Godinho, uma coligação entre PS e Livre.

As duas candidaturas com maior orçamento apoiadas pelo PSD são precisamente as independentes em Oeiras e Setúbal, com gastos previstos acima dos dois euros por eleitor.

PS aposta forte em Porto e Coimbra

Para voltar a vencer a maioria dos municípios no país, o Partido Socialista irá gastar a maior soma destas autárquicas, com um total superior a 6 milhões - seja em nome próprio ou como coligação.

Nos documentos consultados pela Renascença, o PS apresenta um maior orçamento em algumas autarquias que não venceu em 2021, como Coimbra, Porto, Santarém, Ponta Delgada e Vila Nova de Famalicão.

Em todos estes, o PS em candidatura própria ou em coligação surge com um orçamento superior ao do PSD - ou da coligação que inclui o PSD -, apesar da câmara ser social-democrata ou de independentes. Além do Porto, a coligação com o PAN, liderada por Ana Abrunhosa, em Coimbra irá gastar 170 mil euros, enquanto a candidatura do atual autarca, José Manuel Silva, da coligação "Juntos Somos Coimbra" (PSD-CDS-IL-NC-PPM-VP-MPT) irá gastar 115 mil euros.

Em Santarém, os socialistas vão gastar 75 mil euros para tentar a eleição de Pedro Ribeiro, que estava na Câmara Municipal de Almeirim e atingiu o limite de mandatos. Este valor é superior aos 60 mil euros de PSD e CDS e da candidatura do atual autarca, João Leite, que assumiu o cargo há cerca de um ano, depois do autarca Ricardo Gonçalves ter renunciado ao mandato para assumir a presidência do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Em todos estes concelhos, o PS tem um orçamento superior ao número de eleitores - o que significa que a força política está a investir mais de um euro por eleitor naquele concelho.

Entre os 50 maiores concelhos, o orçamento mais composto em relação ao número de eleitores está em Felgueiras: 90 mil euros investidos num concelhos com cerca de 51 mil eleitores - mais 30 mil que a AD e mais 70 mil euros que o Chega.

CDU com orçamento de 2,6 milhões, CDS investe 250 mil em reconquistas

A CDU, que tem o maior orçamento de todas as forças políticas em alguns municípios, como Almada, Vila Franca de Xira ou Moita, prevê custos de 600 mil euros na central de campanha e mais de 2 milhões de euros nas candidaturas aos concelhos.

A Iniciativa Liberal, que está em coligação com o PSD em municípios como Sintra, Faro, Torres Vedras, Santo Tirso, Coimbra e Gondomar, tem a sua candidatura própria com maior orçamento em Cascais, com 24 mil euros, à frente da candidatura de Matosinhos ou de Braga, onde é candidato Rui Rocha, antigo presidente do partido.

O Bloco de Esquerda apresenta um orçamento de despesas comuns na ordem dos 250 mil euros e tem a sua candidatura mais dispendiosa no Porto, onde prevê gastar 24 mil euros na campanha. O Livre tem um orçamento de central de campanha de 100 mil euros e a sua candidatura com maior orçamento é também no Porto, com 37 mil euros. Ambos estão incluídos na coligação de Alexandra Leitão, do PS, em Lisboa.

O PAN, que também está nesta candidatura, tem cerca de 19 mil euros de despesas comuns na campanha e a candidatura própria com mais gastos será no Funchal, com um orçamento de cerca de 6 mil euros.

O CDS vai apostar forte nas autárquicas para voltar a vencer os seis municípios que conquistou em 2021: 65 mil euros em Vale de Cambra, 57 mil euros em Albergaria-a-Velha, 43 mil euros em Ponte de Lima, 41 mil euros em Oliveira do Bairro, 22 mil euros em Santana e outros 22 mil em Velas. Ao todo, mais de 250 mil euros só para a reconquista das câmaras que possui.

A candidatura no concelho dos Açores, na ilha de São Jorge, é mesmo aquela onde serão investidos mais euros por eleitor entre todos os partidos: cerca de 4 euros por cada pessoa que pode votar no município, visto que são menos de cinco mil.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque