Autárquicas 2025

Caravana do PS passa por um terço dos concelhos onde Chega venceu as legislativas

29 set, 2025 - 06:44 • Alexandre Abrantes Neves

O PS está empenhado em impedir o crescimento do Chega e até já proibiu os autarcas de coligações com o partido de André Ventura. Na rota para as duas semanas de campanha, a caravana dos socialistas vai ainda marcar o ponto em muitas autarquias em limite de mandatos e vai apostar numa campanha de muitas visitas, reuniões e comícios.

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Caravana do PS passa por um terço dos concelhos onde Chega venceu as legislativas
Ouça aqui o resumo da rota prevista para a campanha do PS. Foto: Hugo Delgado/Lusa

Com o fator Chega a criar imprevisibilidade nas autárquicas, o Partido Socialista (PS) desenhou a rota da campanha para as eleições autárquicas do próximo dia 12 de outubro a pensar num efeito tampão que trave o crescimento local do partido de André Ventura – segundo a primeira versão o roteiro de campanha, dos 36 concelhos por onde os socialistas vão passar, exatamente um terço (12) foi vencido pelo Chega nas legislativas de maio deste ano.

Deste grupo, a maioria (nove) são autarquias atualmente lideradas pelo PS. É o caso, por exemplo, de Olhão (onde os socialistas estão em limite de mandatos e ganham desde 1976) ou de Sintra, onde PS, PSD/IL/PAN e Chega estão taco-a-taco nas sondagens. Também nos Açores há uma situação semelhante: em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, o PS é vencedor desde 2009, mas está agora a tentar segurar as pontas, depois da perda de mandato de Ricardo Rodrigues em abril deste ano por prevaricação.

É a estratégia de ir ao terreno encontrar o inimigo olhos nos olhos para tentar estancar o declínio eleitoral sentido pelo PS em pontos-chave desde as legislativas (onde foi ultrapassado pelo Chega e passou para terceiro lugar) e garantir o lugar de “primeiro partido, com mais votos no país”, como apontado pelo líder socialista na Convenção Autárquica Nacional do PS no início de setembro.

Já nessa altura, os 12 pontos do compromisso autárquico do partido, elaborado pelo gabinete de José Luís Carneiro, faziam antever a prioridade de combater o partido de André Ventura através da força autárquica, ao impedir coligações pós-eleitorais com o Chega e realçando a importância de manter um diálogo apenas com quem partilhe “ideais humanistas e progressistas”.

Quase um terço está em limite de mandatos

Mas o PS parece também afinar o tiro noutras direções e jogar as fichas nas janelas de oportunidade que se abrem pelo país fora nas autarquias em limite de mandatos. Dos 36 concelhos que fazem parte do trajeto socialista, também praticamente um terço (11) vão obrigatoriamente ter de mudar de presidente de câmara, por terem alcançado o teto de três vitórias autárquicas seguidas.

Aqui, estão em ligeira maioria os municípios atualmente liderados pelo PS – são sete, como é o caso de Sintra, de Basílio Horta (e onde a antiga ministra da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, tenta segurar o concelho), de Olhão (vencida pelos socialistas desde 1976) ou Montemor-o-Velho, recuperada pelos socialistas em 2013 depois de três maiorias absolutas da AD.

Fora isso, o PS também não deixa passar ao lado as brechas que se abrem, seja em autarquias do PSD (em Aveiro, a saída obrigatória de Ribau Esteves traz um duelo de irmãos entre socialistas e social-democratas), lideradas pela CDU (caso de Évora) ou outras onde governam independentes, exemplo do Porto, onde Manuel Pizarro ganha balanço nas primeiras sondagens divulgadas.

Comícios, mas poucas arruadas

De resto, a campanha do PS, como habitual, foca a primeira semana na zona sul do país, nas regiões do Algarve e do Alentejo, onde há combates importantes a travar. É o caso de Campo Maior – socialista desde 1976, mas onde as contas estão baralhadas devido à vitória do Chega em maio e ao regresso do antigo socialista e agora independente João Muacho, autarca até 2021 – ou de Alter do Chão, que o PS perde desde 2017 para independentes por curtas margens.

Depois disso, a caravana socialista passa o fim-de-semana na Madeira (Machico e Funchal, esta última perdida em 2021) e depois nos Açores. A segunda semana divide-se num vaivém entre norte, centro e Grande Lisboa, onde os socialistas vão organizar um comício com Alexandra Leitão (que tenta recuperar a autarquia a Carlos Moedas) e também dedicar um dia inteiro à península de Setúbal, no Barreiro, Sesimbra e Almada, zonas afetadas nos últimos meses por constrangimentos nas urgências obstétricas.

Na sexta-feira antes das eleições, o último dia de campanha – e para o qual está prevista também a entrega da proposta de Orçamento do Estado no Parlamento –, Carneiro divide o dia entre Lisboa (com a tradicional descida do Chiado) e um comício no distrito do Porto.

Com os temas da saúde, educação, mobilidade, habitação e higiene urbana a marcarem a campanha, o PS aposta numa campanha com visitas e reuniões com diversos setores, desde hospitais, fábricas e até agricultores. Enquanto os jantares e comícios acontecem a um ritmo quase diário, as arruadas e ações de contacto com população estão menos presentes na primeira versão divulgada do roteiro de campanha.

O grande objetivo do Partido Socialista (que só não apresenta candidatura nos concelhos de Vizela, em Braga, e de Santana, na Madeira) passa por repetir a vitória alcançada nas eleições autárquicas de 2021. Na altura (com o PS também no governo), os socialistas venceram 149 câmaras municipais de 308 possíveis e conseguiram a liderança da Associação Nacional de Municípios Portugueses, que ficou a cargo de Luísa Salgueiro, agora recandidata para o terceiro e último mandato em Matosinhos.

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