29 set, 2025 - 06:30 • Manuela Pires
São quase duas semanas em que Luis Montenegro vai vestir os dois fatos, o de primeiro-ministro e o de líder do PSD, e conciliar as duas agendas fazendo com que em alguns dias tenha quatro ações de campanha e noutros dias esteja ausente.
De acordo com fonte social-democrata à Renascença, a participação de Luis Montenegro na Volta Autárquica será diferente das outras campanhas e, quando o primeiro-ministro não puder estar presente, os protagonistas são o secretário-geral do PSD, Hugo Soares, e o eurodeputado Sebastião Bugalho.
Segundo a mesma fonte, nesta campanha autárquica vão andar pelo país outros dirigentes do partido e ministros como Miguel Pinto Luz, Maria da Graça Carvalho ou José Manuel Fernandes.
A agenda para a campanha que começa oficialmente esta terça-feira dia 30 de setembro vai por isso contar com outras figuras social-democratas.
Na Volta Autárquica do PSD, Luis Montenegro vai estar esta segunda e terça-feira na região de Lisboa, em três concelhos que são liderados pelo Partido Socialista - Almada, Amadora e Sintra - e almoça com autarcas de Lisboa.
Mas logo na quarta-feira Luis Montenegro abandona a campanha para viajar até à Dinamarca onde vai participar no Conselho Europeu informal, em Copenhaga, e no dia seguinte, dia 2 de outubro o primeiro-ministro está na cimeira da Comunidade Política Europeia.
Sendo assim, no dia 1 de outubro, e segundo a agenda enviada aos jornalistas, as ações de campanha vão ser asseguradas pelo secretário-geral do PSD. A campanha vai ao Algarve, mas Hugo Soares marca presença em Loulé, São Brás de Alportel, Vila Real de Santo António e Tavira.
Na campanha para as eleições autárquicas, muitos candidatos pedem para contar com a presença do líder do partido. A escolha é obviamente política e a Renascença sabe que a decisão final é tomada entre a direção do partido e os candidatos autárquicos.
OE 2026
Aumento do salário mínimo, pelo menos, para os 920(...)
A campanha eleitoral vai terminar no dia em que o governo entrega o orçamento do estado na Assembleia da República e ao longo destas duas semanas o primeiro-ministro vai aproveitar para dar conta de muitas das medidas que o governo já tomou e que pode integrar na proposta.
Já este fim de semana, em Góis, o primeiro-ministro adiantou que o próximo Orçamento do Estado terá um novo aumento do Complemento Solidário para Idosos e, garantiu ainda, que caso exista folga, o governo pode voltar a dar “a meio do ano” um suplemento às pensões mais baixas.
Na apresentação da recandidatura de Rui Sampaio à Câmara Municipal de Góis, o líder do PSD falou para os pensionistas e reformados lembrando que com o governo da AD o valor de referência para a atribuição do CSI já subiu duas vezes e vai voltar a subir no próximo ano.
Pouco depois destas declarações, em Penalva do Castelo, o líder do PSD garantiu à população que o governo não vai abandonar os moradores dos territórios de baixa densidade.
Nas próximas eleições autárquicas, o PSD não concorre a cinco dos 308 municípios - Aljustrel, Barrancos, Monforte, Velas e Corvo - e desta vez a Iniciativa Liberal entrou em várias coligações.
Segundo dados citados pela agência Lusa, o PSD concorre sozinho a 137 autarquias e estabeleceu mais de 150 coligações: destas, 113 são apenas com o CDS (os democratas-cristãos lideram em duas), seis apenas com a IL, 16 entre os três partidos e 18 que incluem outros partidos (como o MPT ou o PPM).
Os sociais-democratas apoiam ainda 11 candidatos independentes, entre eles o antigo ministro do PSD, Isaltino Morais, em Oeiras, ou a ex-autarca comunista Maria das Dores Meira, em Setúbal (neste caso contra a vontade das estruturas locais), e outros como Marinha Grande ou Idanha-a-Nova. Mas há outros casos em que os candidatos independentes como Pedro Santana Lopes, na Figueira da Foz integram as listas do PSD/CDS-PP.
Estas eleições, e pela primeira vez, há muitos autarcas que estão impedidos de concorrer devido à limitação de mandatos, entre eles estão Carlos Carreiras em Cascais, Ribau Esteves em Aveiro ou Ricardo Rios em Braga.
O PSD estabeleceu como objetivo para estas eleições recuperar a liderança da Associação Nacional de Municípios e a Associação Nacional de Freguesias, que está nas mãos do partido socialista desde 2013.
Há quatro anos, o PSD conquistou 114 autarquias (72 sozinho e 42 em coligação), recuperando Lisboa, Coimbra, Portalegre ou Funchal, e encurtando a diferença para os socialistas de 63 para 35 câmaras.