Autárquicas 2025

Mobilidade, habitação e preço da água: os grandes problemas de Gondomar

02 out, 2025 - 23:02 • Henrique Cunha

Num concelho com forte tradição na arte da filigrana, liderado durante anos pelo emblemático Valentim Loureiro, o problema da mobilidade, dos transportes, e da habitação, a juntar ao preço elevado da água, preocupam os gondomarenses.

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Mobilidade, habitação e preço da água: os grandes problemas de Gondomar
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O que preocupa a população de Gondomar na contagem decrescente para as eleições autárquicas de 12 de outubro? A Renascença faz o retrato do concelho com a ajuda das promessas eleitorais dos candidatos.

Ao problema da mobilidade, dos transportes, e da habitação, os gondomarenses lamentam também o elevado preço da água.

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Todas as candidaturas reconhecem as dificuldades causadas pela concessão assinada em 2001 por Valentim Loureiro com as “Águas de Gondomar”, mas nem todos revelam o que pretendem fazer quando o atual contrato terminar em 2031. Por agora, o município subsidia o preço; investimento 3 milhões de euros do seu orçamento anual.

A concessão foi assinada por Valentim Loureiro tem uma duração de 30 anos. Em 2025 permanecem as críticas e a preocupação pelo elevado preço da água em Gondomar. Nenhum candidato se atreve a sugerir a denúncia do contrato pela indeminização que acarretaria, mas todos prometem dureza numa futura negociação.

Ciente do problema, o executivo, antes liderado por Marco Martins e agora por Luís Filipe Araújo, que também é o candidato do PS, está a subsidiar o preço da água.

“No orçamento do ano passado nós alocamos cerca de três milhões de euros para compensar a manutenção do preço tal como ele está”, revela o autarca à Renascença, sem, contudo, se comprometer com uma solução definitiva em 2031. “Nós iremos defender aquela solução que permita aos gondomarenses ter água a um preço razoável, e não enjeitamos a possibilidade uma solução que passe por reintegrar a sua gestão nos serviços da autarquia”, assegura Luís Filipe Araújo.

Já a candidata da CDU, Maria Olinda Moura, tem uma opinião mais definitiva clara, e adianta à Renascença que “neste mandato, se o povo assim, a CDU se chegar à Câmara irá começar a tratar da reversão desse contrato”.

Por sua vez, Emídio Guerreiro, da coligação “Despertar Gondomar” que envolve PSD e Iniciativa Liberal, promete de imediato baixar a taxa de resíduos para que a fatura da água desça.

“Romper o contrato leva a uma indeminização que seria muito cara, pelo que o que eu proponho fazer de imediato é reduzir a taxa de resíduos que depende exclusivamente da câmara”, adianta Emídio Guerreiro. O candidato que tem como "número 2" - Ricardinho, o antigo melhor jogador do mundo de futsal - quer "despertar a economia" e acusa a atual gestão de nada fazer pela habitação. “Em 12 anos fizeram-se zero casas. A Câmara esteve alheia. Nós temos um empreendimento com mais 300 casas que espera há três anos uma resposta, em Valbom”, acusa.

Longa lista de espera para habitação

Luís Filipe Araújo reconhece a existência de “uma lista de espera grande para a habitação” e afirma que a Câmara “vai dando resposta a esses pedidos, na medida das suas possibilidades”, adiantando que, paralelamente, a autarquia “está a avançar com a sua estratégia local da habitação, com uma oferta diferente, baseada na habitação acessível”.

O Bloco de Esquerda (BE) quer “um papel ativo da autarquia na regulação do preço das casas”, defende a ligação de Metro até ao centro da cidade, porque “é preciso mais transportes e transportes de maior qualidade e também uma melhor articulação entre os já existentes”. O candidato do BE, José Ricardo, pede que se complemente a mobilidade com uma maior aposta “em ciclovias e em bicicletas públicas”.

Todos os candidatos defendem a ligação de Metro até ao centro da cidade, mas a grande prioridade do candidato do CDS, Vitor Guerra, é o "desenvolvimento económico". “É preciso apostar na construção de uma zona industrial para reanimar o tecido económico que, por sua vez, nos irá permitir desenvolver alguma política de habitação a nível de construção para arrendamento a custos controlados”, sublinha.

Para o PAN, é fundamental investir em transportes e habitação. Manuela Carneiro lembra que “Gondomar é um concelho com muita população a deslocar-se diariamente para o Porto, que precisa de transportes mais frequentes”. Por outro lado, a candidata não esquece a necessidade de se preservar a natureza, lembrando em particular que as “margens do Rio Douro continuam muito maltratadas”. Quanto à habitação, Manuel Carneiro diz que “seria uma boa aposta voltar ao cooperativismo”.

O Chega promete “construção de habitação a custos acessíveis com recurso a fundos comunitários” e também “uma maior articulação entre a Metro e a Unir”. O candidato Rui Afonso quer também “o desenvolvimento de áreas empresarias para se conseguir implementar grandes, ou megaprojetos industriais e tecnológicos para assim criar mais riqueza e mais emprego em Gondomar”.

O candidato não esquece a segurança, afirmando a necessidade de se dar "às pessoas uma sensação de segurança, alargando o corpo da polícia municipal, alargando também os guardas-noturnos a todas as freguesias e, por que não implementando o sistema de videovigilância em alguns pontos mais críticos do concelho para assim podermos reduzir o vandalismo”.

PS dividido

Num concelho com forte tradição na arte da filigrana, depois de Valentim Loureiro, o eleitorado “coroou” o PS que agora se apresenta dividido, por força da candidatura de Carlos Brás que se desfiliou do partido para concorrer à autarquia.

O candidato elege o “desenvolvimento económico” como a sua grande prioridade a que junta a habitação, “com a gestão do parque habitacional existente assim como a construção de nova habitação social a custos controladose a custos moderados, através da via verde da habitação que queremos implementar”, e ainda "uma profunda reformulação dos serviços municipais, desde logo a questão do urbanismo, das taxas e das licenças, assim como também dos impostos municipais como o IMI e a derrama”.

Em entrevista à Renascença, o antigo deputado socialista assegura que não estamos perante “uma rutura com o PS, mas antes uma evolução”, porque desta forma “com esta candidatura respondemos ao apelo de muitos e muitos gondomarenses”.

Apesar desta previsível divisão entre o eleitorado socialista, o presidente recandidato continua otimista “ainda que possamos encontrar candidatos que de um dia para o outro viraram independentes”. “Eu julgo que o eleitorado percebeu o que aconteceu, está atento e vai responder no dia 12 de outubro”, afiança.

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