Entrevista Renascença
Marques Mendes: “UGT saiu fortalecida da greve e tem mais capacidade negocial”
16 dez, 2025 - 06:00 • Manuela Pires
Em entrevista à Renascença, o candidato à Presidência da República com o apoio do PSD pede ainda um acordo mais amplo que integre política fiscal e salarial para facilitar a negociação entre patrões, sindicatos e o Governo.
A greve geral da passada quinta-feira não bloqueou as negociações e Marques Mendes avisa o Governo que a UGT vai para a mesa das negociações com o poder reforçado.
“A UGT saiu fortalecida desta greve, com maior capacidade negocial. A UGT pode neste momento chegar às negociações com o Governo, que devem demorar semanas ou até meses, e a UGT tem uma capacidade negocial mais forte do que tinha. E eu acho que isso é bom” refere Marques Mendes à Renascença.
O candidato à Presidência da República, que há mais de um mês avisou o Governo que “devia dar mais atenção à UGT, devia negociar mais com a UGT e ser mais sensível às questões vindas da UGT”, diz em entrevista à Renascença que a central sindical tem agora mais poder e acredita num acordo mais amplo.
“Acho que é bom que a central sindical democrática, que já deu grandes sinais de sentido de responsabilidade, tenha capacidade negocial. E, portanto, tudo isto só se vai resolver, na minha opinião, com uma negociação ampla” refere o ex-líder do PSD.
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Na entrevista à Renascença, que é publicada na íntegra esta quarta-feira, 17 de dezembro, Marques Mendes lança um desafio ao Governo , entidades patronais e sindicais para alargarem o âmbito do acordo de forma a facilitar as negociações.
“Não apenas no pacote laboral, mas também produtividade, como é que se distribuem os ganhos de produtividade, salários, objetivos quantificados e calendarizados em matéria de aumento de salários, formação profissional, até, eventualmente, algumas alterações no domínio fiscal. Porque se for um acordo mais amplo, é mais fácil de negociar” refere Marques Mendes.
O candidato à Presidência da República entende que a lei laboral tem de ser equilibrada porque não pode beneficiar apenas a entidade patronal.
“Tem de haver equilíbrio em tudo porque uma empresa não são só os acionistas e os gestores, são os trabalhadores, e portanto, a lei não pode ser desequilibrada” avisa Mendes.
“Se houver outras matérias, evidentemente que o equilíbrio é mais fácil, porque consegue-se uma vantagem aqui outra acolá. E, portanto, parece-me que esta ideia que eu tive, deve ser encarada pelos parceiros sociais. Num primeiro momento, talvez eles ainda não tenham pensado a sério nesta ideia, mas estou convencido que, mais tarde, vai ser inevitável” conclui o candidato à Presidência da República.
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Depois desta primeira etapa negocial entre o Governo e a UGT as alterações às leis laborais têm de ser aprovadas no parlamento, mas Marques Mendes não quer para já pensar nesse momento porque considera que o mais importante, neste caso, é o acordo na concertação social.
“A minha prioridade não é essa. A minha prioridade nas leis laborais é um acordo na concertação social. Essa, para mim, é a prioridade das prioridades. A concertação social, para mim, é uma questão essencial” diz Marques Mendes que considera que é “governar em parceria”.
“Em parceria com os empregadores e em parceria com os sindicatos, a partir daí, acho que o diálogo e a negociação no Parlamento são bastante mais fáceis. Portanto, a minha prioridade neste momento não estou a pensar no Parlamento, estou a pensar na concertação social” conclui o candidato presidencial.










