25 dez, 2025 - 21:00 • Susana Madureira Martins
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, acredita estar a levar o país “no caminho certo do crescimento, da estabilidade, da execução de uma agenda transformadora”, mas apela a que se dê o passo seguinte, deixando nas entrelinhas um apelo sobre as alterações à legislação laboral, mas sem sequer se referir diretamente ao anteprojeto do Governo que levou à greve geral deste mês.
Na mensagem de Natal divulgada esta quinta-feira à noite, o chefe do executivo faz referência ao crescimento económico notado pela revista “The Economist” e pede que o país se desprenda “da mentalidade do deixar andar e temos de adquirir e trabalhar a mentalidade da superação”. É o regresso da tese de que se não houver uma reforma das leis laborais o país “não sai do rame-rame” a que já tinha feito referência em Santa Maria da Feira, no início do mês.
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Montenegro tem insistido na ideia de que a continuação do crescimento económico exige uma reforma da legislação laboral. E, indiretamente, nesta mensagem volta a fazê-lo: “Um país com mais crescimento pode subir os salários. Pode subir as pensões. Pode apoiar a compra de medicamentos de quem mais precisa, pode negociar melhores carreiras profissionais”.
As “novas ambições salariais” surgem como “resultado de uma agenda transformadora que, com a sua visão estratégica e estruturante, nos permitirá sermos mais produtivos e eficientes”, diz Montenegro.
Aos partidos da oposição e aos parceiros sociais, designadamente, aos sindicatos, o primeiro-ministro avisa que o país tem dois caminhos: ou se contenta “com esta circunstância em que estamos bem, mas sabemos que se nos mantivermos assim a médio prazo, vamos perder face à evolução dos outros, ou aproveitamos a situação em que estamos e tratamos já de garantir a nossa própria evolução para continuarmos a crescer mais do que os outros no futuro”.
Usando linguagem desportiva, Montenegro diz que esta é a “diferença entre jogar para empatar ou ter a mentalidade vencedora de jogar sempre para ganhar”. Ao estilo de uma sessão motivacional, o primeiro-ministro pede uma “mentalidade de não deixarmos para amanhã o que podemos fazer hoje”, apelando mesmo a uma “mentalidade de Cristiano Ronaldo”, o consagrado internacional de futebol da seleção nacional.
Para ser Ronaldo, ou seja, para a “criação de riqueza” como “meio para sermos uma sociedade com mais justiça, com mais liberdade e com mais felicidade”, é preciso um caminho de “coragem, resistência, capacidade de diálogo e sentido de unidade nacional”, diz ainda o primeiro-ministro, isto porque, acrescenta, “as coisas não caem do céu”.
Não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante
Aos partidos, e, sobretudo, ao líder do Chega, André Ventura, que ameaça agora bater com a porta se o anteprojeto da legislação laboral não for profundamente alterado, o primeiro-ministro concede que “não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante”, referindo que “o mais importante é o interesse do país”.
Montenegro aponta para uma legislatura completa, referindo que “agora que vamos ter cerca de três anos e meio sem eleições nacionais” e apela ao foco de “todos” para “cumprir” a “responsabilidade” de fazer “tudo para garantir a Portugal e a cada português um futuro mais próspero”.
De fora da mensagem de Natal fica qualquer referência à crise das urgências hospitalares, mas fica o “reconhecimento particular” aos profissionais de saúde” que “garantem os serviços essenciais”, elencando ainda os profissionais dos transportes, bombeiros, forças de segurança, militares e até os jornalistas.
O primeiro-ministro deixa ainda uma “palavra especial aos que se encontram sozinhos ou que vivem momentos de maior fragilidade”, referindo-se aos “mais idosos que vivem em solidão”, aos que são “vítimas de violência muitas vezes dentro das suas próprias casas”, aos que “sofrem problemas de saúde” e aos que “vivem em situações de pobreza”.
Na mensagem, Montenegro lembra ainda “as famílias dos que vivem tantas guerras, como em África, no Médio Oriente ou na Ucrânia, e todos os ataques aos direitos humanos que sentimos como ataques a todos nós”, deixando “à família portuguesa, enquanto país e nação” a certeza de que “tem motivos para se reunir e olhar com esperança para o futuro”.
“Neste Natal, a melhor prenda que podemos dar a cada um de nós é acreditar mais em Portugal”, conclui Montenegro, que faz um derradeiro apelo: “Acreditar é não ter medo nem amedrontar. Acreditar é ser corajoso, mas ser justo”.