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Marques Mendes: autarca, ministro, deputado e líder do PSD quer agora ser Presidente da República

26 dez, 2025 - 08:30 • Manuela Pires

A experiência política é o grande trunfo da candidatura. Luís Marques Mendes foi autarca, ministro dos governos de Cavaco Silva e Durão Barroso, líder do PSD e deputado.

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Luis Manuel Gonçalves Marques Mendes nasceu em Azurém, freguesia do concelho de Guimarães, a 5 de setembro de 1957, filho do advogado e dirigente do PSD António Marques Mendes e da professora Maria Isabel Gonçalves. Viveu boa parte da sua vida em Fafe e filiou-se no PPD em 1975.

Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Coimbra e aos 19 anos, ainda estudante, tornou-se vice-presidente da Câmara Municipal de Fafe.

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Marques Mendes gosta de praticar desporto - na juventude foi guarda-redes -, vai ao ginásio duas a três vezes por semana e é adepto do Benfica. É casado e pai de três filhos.

A experiência de 50 anos na política

A política sempre fez parte da vida do candidato e começou em casa. O pai, António Marques Mendes, é um dos fundadores do PPD, foi presidente da Câmara de Fafe, deputado na Assembleia da República e no Parlamento Europeu.

Luís Marques Mendes entra na política aos 18 anos, quando é convidado para adjunto do governador civil de Braga, Eurico de Melo.

Um ano mais tarde, participa nas primeiras eleições autárquicas livres e é vice-presidente da Câmara de Fafe. O PSD vence a autarquia, Luís está no executivo e o pai, António, é o presidente da Assembleia Municipal. Tem 19 anos e uma licenciatura em Direito para completar na Universidade de Coimbra.

Marques Mendes tem 17 anos quando o país dá os primeiros passos a caminho da democracia. Os primeiros discursos são feitos no Teatro de Fafe, mas poucos acreditam que foi ele que os escreveu e apontam a autoria para o pai, considerado por todos uma referência na cidade.

“O meu pai era a grande referência em Fafe, porque era um grande advogado e as pessoas ouviam os discursos do meu pai com respeito enorme” disse Marques Mendes no programa de Júlia Pinheiro transmitido pela SIC poucos dias antes de ter apresentado a candidatura à Presidência da República.

No mesmo programa, Mendes revela que herdou do pai “o lado mais racional e ponderado” e da mãe “a alegria e o lado conversador”.

E é precisamente a mãe que, depois de ouvir os primeiros discursos e os comentários de quem assistia ao comício, o aconselha a falar sem o papel na frente, porque essa seria a única forma de todos acreditarem que aquelas eram mesmo as suas palavras.

“Só tens uma saída. Tu tens de falar sem papel. Tu tens de falar de improviso. Senão as pessoas não acreditam”, conta Marques Mendes a Júlia Pinheiro, concluindo que este conselho “foi decisivo na minha vida até hoje. 80% ou 90% das intervenções que eu faço ainda hoje são de improviso.”

Os governos de Cavaco Silva e Durão Barroso

Marques Mendes tira a licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra, exerce advocacia, mas a política sempre fez parte da sua vida.

Militante do PSD desde 1975, integra com 28 anos o primeiro Governo de Cavaco Silva, onde foi secretário de Estado da Comunicação Social, e é nesse mandato que é criada a Agência de Notícias Lusa, que surge da fusão da NP e da ANOP. No primeiro Governo de maioria absoluta de Cavaco Silva, Marques Mendes ocupa a Secretaria de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e é, ao mesmo tempo, o porta-voz do Governo.

No terceiro Governo do PSD, sobe a ministro Adjunto do primeiro-ministro e é neste mandato que decide criar a RTP Internacional.

Depois de 10 anos no Governo, Marques Mendes é eleito deputado, em 1995, e lidera o grupo parlamentar quando o PS vence as eleições e António Guterres é o primeiro-ministro.

Dois anos depois, é “o principal responsável pela terceira grande revisão da Constituição, a qual consagrou, pela primeira vez, o direito de voto dos portugueses que residem no estrangeiro nas eleições presidenciais”, lê-se na nota biográfica do site da candidatura.

Quando o PSD vence as eleições legislativas, em 2002, Durão Barroso chama de novo Marques Mendes para o Governo e fica com a pasta dos Assuntos Parlamentares.O Governo dura apenas dois anos, porque Barroso assume, em julho de 2004, a presidência da Comissão Europeia.

A liderança do PSD

Um ano depois, Luís Marques Mendes é eleito líder do PSD. Substitui Pedro Santana Lopes, que esteve no cargo apenas cinco meses, e sai da liderança na sequência da derrota eleitoral que dá a primeira maioria absoluta a José Sócrates.

Marques Mendes é o último líder do PSD a ser eleito em congresso e o primeiro a ser eleito em eleições diretas. É ele que altera os estatutos do PSD que introduz a escolha do líder do partido por eleição direta dos militantes.

No congresso em Pombal, quando é eleito, Mendes promete “avançar com uma nova forma de fazer política” e nas autárquicas de outubro de 2005, em nome da “credibilização da política”, quer reforçar a ética na vida política e decide não apoiar Isaltino Morais em Oeiras e Valentim Loureiro em Gondomar, dois militantes que estavam sob investigação judicial. Os dois autarcas são eleitos, mas em candidaturas independentes e o PSD perde as duas câmaras.

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Mas a estratégia dá frutos e o PSD vence as eleições e conquista 159 câmaras, incluindo Lisboa e Porto, contra 109 do PS. Dois anos mais tarde, em 2007, o PSD perde a Câmara de Lisboa, em eleições intercalares, para António Costa, Marques Mendes antecipa as diretas para o fim do ano e perde a liderança do partido para Luís Filipe Menezes.

Nessa altura, Mendes defende que “há princípios, valores e regras a respeitar. É uma questão de credibilidade. Considero que é assim que se pode ajudar a restaurar a confiança na política e a melhorar a qualidade da nossa democracia. Não me desviarei deste caminho".

Desde 2007 que Marques Mendes está afastado da vida partidária, mas continua na vida pública.

Em 2010, estreia-se no comentário político na TVI24 e três anos depois passa para a SIC, onde esteve nos últimos 12 anos, todos os domingos a analisar a política nacional e internacional no Jornal da Noite.

Para além de comentador, Marques Mendes criou uma empresa familiar para gerir a sua participação na SIC e em diversas conferências em que interveio.

A par disto, foi consultor na Abreu Advogados, um dos maiores escritórios da área no país e que tem estado no centro da polémica neste período de pré-campanha, na sequência de um artigo publicado na revista Sábado, que levanta a questão sobre a origem de 709 mil euros ganhos por Mendes naquela sociedade.

Mendes escolhe as origens para lançar a candidatura

Marques Mendes escolheu a cidade de Fafe, a “terra onde tudo começou”, para anunciar, no passado mês de fevereiro a candidatura à Presidência da República.

A experiência política é o grande trunfo da candidatura. Enumera os cargos que ocupou no Governo, no Parlamento, no partido e no Conselho de Estado para concluir que “com este percurso tive a oportunidade de adquirir uma vasta experiência”.

A palavra “experiência” aparece 11 vezes no discurso e está nos cartazes espalhados pelo país. Para quem o acusa de ser um candidato do partido do Governo, Mendes faz como Cavaco Silva e entrega o cartão de militante do PSD.

Mendes promete ética, nos partidos, mas também na Assembleia da República. “É importante que o Parlamento disponha de instrumentos para poder suspender deputados que têm comportamentos desviantes, chocantes e eticamente censuráveis”, refere no discurso, numa altura em que é conhecido o caso do deputado do Chega que rouba malas do tapete do aeroporto.

Para além da ética na política, Marques Mendes acrescenta a esta candidatura a defesa da estabilidade política, promete fazer pontes e incentivar entendimentos.

“Fazendo pontes, aproximando posições, buscando convergências, mediando consensos, estimulando entendimentos. Fiz isso eu próprio, com alguns acordos de regime, quando fui líder partidário e parlamentar. Foi o caso da limitação dos mandatos autárquicos. Todos o tinham reclamado, mas nunca ninguém antes o tinha feito”, disse no discurso de apresentação da candidatura.

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