Presidenciais 2026
Da PGR à Ucrânia. O que disseram os candidatos presidenciais no Debate da Rádio?
02 jan, 2026 - 13:49 • Diogo Camilo , João Carlos Malta , João Pedro Quesado
O Debate da Rádio teve trocas de farpas entre Marques Mendes e Gouveia e Melo, acusações de almoços secretos entre Ventura e Seguro e sugestões de desistências de Cotrim de Figueiredo a Jorge Pinto, Catarina Martins e António Filipe. Pelo meio discutiu-se justiça, o poder que tem um Presidente da República e se Portugal deve ou não enviar tropas para a Ucrânia.
No primeiro encontro entre oito dos candidatos às eleições para a Presidência da República de 18 de janeiro, o Debate da Rádio ficou marcado por acusações de parte a parte, por discordâncias em relação à atuação da justiça e da posição de Portugal na ajuda à Ucrânia, mas também por posições semelhantes quanto à nova lei do lobbying e à ação de um chefe de Estado perante um Orçamento do Estado chumbado.
No debate emitido por Renascença, Antena 1, TSF e Rádio Observador, a grande tensão aconteceu entre Luís Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo. Sem se nomearem diretamente nas críticas, o almirante e o conselheiro de Estado falaram sobre o "tráfico de influências" e como o escrutínio pode passar a "devassa, insinuação e suspeita" e "pode dar cabo da democracia".
Pelo meio, André Ventura e António José Seguro também se envolveram em trocas de palavras. Quando o candidato apoiado pelo PS disse a Gouveia e Melo não ter tido "nenhum almoço secreto" com candidatos, Ventura assegurou que teve um encontro com o próprio Seguro. O socialista garantiu que é "falso" - voltou a dizê-lo nas declarações após o debate.
Já Cotrim de Figueiredo aproveitou para abrir a porta da desistência de candidatura aos três candidatos à esquerda de Seguro. Na sua intervenção inicial, o candidato liberal fez uma nota prévia para dizer que Jorge Pinto, António Filipe e Catarina Martins "mais provavelmente vão ter que desistir". Em resposta, Catarina Martins garantiu que não o fará, tal como António Filipe, enquanto o candidato apoiado pelo Livre não quis responder taxativamente sobre uma possível desistência, dizendo apenas: “Estou aqui para ser Presidente da República”.
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Sobre os temas propriamente ditos que originalmente levaram aos despiques, os candidatos concordaram que um chumbo do Orçamento do Estado deve ser estudado "caso a caso". Enquanto candidatos à esquerda defenderam que o Parlamento "deve estudar formas de ter um novo orçamento", candidatos mais à direita consideraram que a prioridade é a "estabilidade" na governação.
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Em relação a conflitos de interesse, e que despoletou a primeira troca de acusações entre Marques Mendes e Gouveia e Melo, o almirante lembrou que a "a advocacia é uma profissão que obriga a estar inscrito na Ordem dos Advogados", enquanto André Ventura disse que o único conflito de interesse que tem é com o Benfica, devido à sua "ligação emocional e também filiada a este clube de futebol”.
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Sobre a nova lei do lobbying, candidatos como André Ventura, Marques Mendes, Seguro ou Cotrim de Figueiredo defenderam que este é "um passo", mas que só por si não é suficiente, enquanto Catarina Martins e António Filipe consideraram que a lei vem "legalizar o tráfico de influências" e são necessários mais mecanismos de prevenção da corrupção, como a transparência de candidatos e titulares de cargos políticos.
Quanto ao envio de tropas para a Ucrânia, Ventura disse que quer evitar ao máximo o cenário, tal como Gouveia e Melo e António Filipe. Já os restantes são favoráveis à participação nacional num cenário de manutenção de paz.
No final, ficámos sem saber quem é o candidato presidencial que pertence à maçonaria, como tem sido atirado durante a pré-campanha presidencial. "Talvez seja o Manuel João Vieira", como disse Cotrim de Figueiredo.















