05 jan, 2026 - 06:31 • Diogo Camilo
Os onze candidatos na corrida a Belém de 18 de janeiro vão gastar mais de 5 milhões de euros durante a campanha para as eleições da Presidência da República, cinco vezes mais do que os sete candidatos das últimas eleições de 2021.
Há cinco anos, o candidato que mais gastou na campanha foi Marisa Matias, que acabou apenas na quinta posição, com cerca de 4% dos votos. A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda gastou cerca de 358 mil euros, um valor inferior ao orçamento de campanha de seis dos candidatos destas presidenciais.
Marcelo Rebelo de Sousa, que venceu confortavelmente com 60,7% dos votos, gastou menos de 25 mil euros nessa campanha.
Para estas presidenciais, segundo os orçamentos de campanha apresentados à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, o candidato apoiado pelo PSD, Luís Marques Mendes, prevê gastar mais de 1,3 milhões de euros na campanha de 2025 - um orçamento mais de 50 vezes superior ao que deu a vitória ao atual Presidente da República.
Já Ana Gomes, que não foi apoiada pelo PS em 2021, teve despesas de 135 mil euros - quase 10 vezes inferior ao orçamento de Seguro para as presidenciais deste ano.
Para as eleições presidenciais deste ano, o líder das despesas é Luís Marques Mendes, com uma campanha que prevê gastar 1,32 milhões de euros, ou seja, quase 53 vezes menos que os 25 mil euros gastos por Marcelo há cinco anos.
O segundo candidato que vai gastar mais dinheiro é António José Seguro: prevê receitas superiores a Marques Mendes, quase 1,5 milhões de euros, mas prevê gastar menos - cerca de 1,1 milhões de euros.
De todos os candidatos às presidenciais, Seguro era o único que já apresentava na sua página o quanto iria gastar na campanha, tal como no orçamento que apresentou.
Henrique Gouveia e Melo vai gastar pouco mais de um milhão de euros, enquanto André Ventura tem um orçamento de 900 mil euros - mais de cinco vezes superior ao orçamento com que foi a votos há cinco anos, nas presidenciais de 2021 (era de 160 mil euros).
Já João Cotrim de Figueiredo, que só entregou o orçamento mais tarde, irá gastar 500 mil euros, um orçamento mais de 10 vezes superior ao do candidato apoiado pela Iniciativa Liberal em 2021, Tiago Mayan Gonçalves, que gastou 47 mil euros.
Jorge Pinto tem um orçamento de 97 mil euros, quase o dobro de Catarina Martins, que vai gastar pouco mais de 50 mil euros.
António Filipe e André Pestana apenas mostram as receitas e escondem os gastos, mas o candidato apoiado pelo PCP prevê receber 395 mil euros para a campanha presidenciail, um valor semelhante aos cerca de 275 mil euros gastos por João Ferreira em 2021.
E Manuel João Vieira apresenta o orçamento mais modesto: 860 euros, dos quais 500 provêm de donativos e outros 350 euros de angariação de fundos.
Os orçamentos de campanha disponibilizados à Entidade de Contas e Financiamento Político apresentam subcategorias das receitas, como o dinheiro previsto em subvenção estatal, donativos ou em contribuições dos respetivos partidos.
Luís Marques Mendes lidera na categoria dos donativos, com 320 mil euros, seguido de Henrique Gouveia e Melo, com 300 mil euros, enquanto António José Seguro orçamentou 200 mil euros de donativos em espécie.
André Ventura prevê receber apenas 100 mil euros em donativos, mas 50 mil euros em angariação de fundos (o maior valor de todos os candidatos neste campo) e 25 mil euros de donativos em espécie, além da maior contribuição de partidos políticos: 300 mil euros, superior aos 170 mil euros de Seguro e dos 80 mil euros de António Filipe.
Nas receitas, os candidatos orçamentam também a subvenção estatal que preveem que vão receber.
António José Seguro é quem espera mais votos, prevendo receber mais de um milhão de euros através do apoio que está diretamente relacionado com o número de votos recebidos a 18 de janeiro.
Marques Mendes estima um milhão de euros de receitas através da subvenção estatal, enquanto Gouveia e Melo espera apenas 700 mil euros, André Ventura apenas 400 mil e Cotrim de Figueiredo 350 mil euros, quase tanto como António Filipe, que prevê 300 mil euros em subvenção estatal.
Olhando agora para os gastos e a maneira como estão divididas as subcategorias de despesas, Marques Mendes é o líder destacado no que toca ao dinheiro de campanha alocado a estudos de mercado e agências de comunicação: 400 mil euros, com Gouveia e Melo a desembolsar 280 mil euros para este efeito e todos os outros candidatos 100 mil euros ou menos.
António José Seguro é quem orçamenta mais para propaganda (200 mil euros), o dobro do segundo candidato com mais dinheiro para este efeito, André Ventura, com 100 mil euros.
O candidato apoiado pelo Chega segue a estratégia do partido e aposta tudo em "brindes e ofertas": 300 mil euros, quase 10 vezes mais que o segundo candidato que gasta mais nos brindes, Cotrim de Figueiredo.
Gouveia e Melo gasta mais de um terço do seu orçamento em "custos administrativos", com 350 mil euros, enquanto Marques Mendes promete ter a campanha que vai gastar mais dinheiro em comícios e espetáculos - 325 mil euros - e em estruturas e cartazes - 315 mil euros.
Já Jorge Pinto aloca quase 40% do seu orçamento a comícios e espetáculos, com 38 mil euros.
Sim, segundo a Comissão Nacional de Eleições, todos têm que o fazer. O orçamento de campanha deve ser apresentado à Entidade de Contas e Financiamento Político até ao último dia do prazo para entrega das candidaturas - ou seja, o 18 de dezembro de 2025.
Cotrim de Figueiredo e Humberto Correia não entregaram o orçamento até essa data, mas o candidato liberal decidiu entregar o documento a 31 de dezembro.
Candidatos como António Filipe e André Pestana entregaram os seus orçamentos de receitas, mas não estão disponíveis as suas estimativas de despesas na campanha.
Há um limite máximo de despesas, no valor de 4 milhões de euros - correspondente ao total de subvenção estatal que será distribuída aos candidatos com mais de 5% dos votos. Caso haja segunda volta, os candidatos poderão gastar mais um milhão de euros.
Depois das eleições, os mandatários financeiros e os candidatos têm 60 dias para apresentar contas da campanha. Caso não o façam, são punidos com coimas entre os 2.612,50€ e os 41.800€.
Segundo a lei, apenas têm direito à subvenção pública os candidatos que têm pelo menos 5% dos votos.
Com o maior número de sempre de candidatos em eleições presidenciais, a disputa para chegar aos 5% dos votos será ainda maior e, segundo as sondagens mais recentes, poderá deixar de fora os três candidatos à esquerda: Jorge Pinto, Catarina Martins e António Filipe.
Nas últimas presidenciais, foram quatro os candidatos a ficarem de fora desta barreira: João Ferreira, Marisa Matias, Tiago Mayan e Vitorino Silva.
Nas eleições de 2016, foram vários os casos a ficarem de fora, como o próprio Vitorino Silva, mas também Maria de Belém, Edgar Silva, Paulo de Morais, Henrique Neto, Jorge Sequeira e Cândido Ferreira.
Entre os candidatos que tenham mais de 5% dos votos, haverá mais de um milhão de euros a ser distribuída em partes iguais - que é 20% de 10.000 o IAS de 2025, que é de 522,50€.
Mantendo-se o cenário atual, e com cinco candidatos destacados nas sondagens, este milhão de euros reverterá em cerca de 209 mil euros para cada um.
O restante bolo de 4,18 milhões de euros será distribuído em proporção com os votos de cada um dos candidatos com mais de 5% dos votos.
Estes mais de 4 milhões correspondem a 80% de 10.000 vezes o IAS de 2025, de 522,50€.
A subvenção é pedida ao Presidente da Assembleia da República nos 15 dias seguintes ao anúncio oficial dos resultados das eleições e inicialmente é adiantado 50% do valor devido nos dias seguintes à entrega da solicitação.