06 jan, 2026 - 07:00 • Diogo Camilo
Faltam menos de duas semanas para a primeira volta das eleições presidenciais de 18 de janeiro, a campanha já anda na rua e os debates terminam esta terça-feira, mas o sentido de voto dos portugueses parece cada vez mais disperso.
As sondagens divulgadas nas últimas semanas mostram quatro candidatos em empate técnico e um cenário cada vez mais provável de uma segunda volta no dia 8 de fevereiro, com Marques Mendes como grande favorito a ser o próximo Presidente da República, apesar de ser André Ventura a liderar as intenções de voto na primeira volta.
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A Renascença aplicou às sondagens divulgadas nos últimos três meses o mesmo método matemático usado na Sondagem das Sondagens, o agregador de barómetros das legislativas, para chegar a uma estimativa dos resultados mais apurada e com menor margem de erro. A tracking poll CNN/TVI/JN/TSF, divulgada na segunda-feira à noite, veio mudar tudo, mas continua a apontar para uma segunda volta.
Os resultados mostram André Ventura na frente, com 19,7% das intenções de voto, com Luís Marques Mendes a segui-lo de perto, com 18,6%, caindo para segundo lugar após a última sondagem.
As sondagens divulgadas até esta segunda-feira apenas mostram o sentido de voto até ao dia 19 de dezembro, ou seja, antes do frente a frente entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, que se realizou a 22 de dezembro, enquanto a tracking poll é a única que mostra o cenário após a realização de todos os frente a frente.
Ainda assim, é notório o efeito dos debates nas intenções de voto no almirante: Gouveia e Melo caiu quase 6 pontos percentuais no espaço de um mês e meio (entre 17 de novembro, dia em que começaram os debates, e o início de janeiro) e os cálculos da Renascença colocam-no com 17,5%, a percentagem mais baixa desde que anunciou a candidatura.
No mesmo período de tempo, Marques Mendes desceu bastante também (3 pontos percentuais), enquanto Ventura viu aumentar o seu apoio ligeiramente (0,6 pontos percentuais).
Depois de liderar todas as sondagens até outubro, Gouveia e Melo viu Marques Mendes e Ventura passarem-lhe à frente: dos dez barómetros divulgados nos últimos dois meses, o candidato apoiado pelo Chega surge como o mais votado em quatro deles, enquanto o candidato apoiado pelo PSD lidera outras quatro. Na sondagem de ICS e ISCTE para SIC e Expresso, Ventura e Gouveia e Melo surgem empatados, com o mesmo exato número de votos, enquanto António José Seguro lidera a sondagem mais recente.
Com os recentes resultados, e dada a margem de erro das sondagens, há quatro candidatos em empate técnico: André Ventura, Marques Mendes, Gouveia e Melo e António José Seguro, com os dois primeiros a terem vantagem para uma segunda volta. O almirante, com margem de erro, não vai além dos 19,4%, enquanto Seguro chega até aos 18,5%.
E o resultado parece cada vez encaminhado para uma eventual segunda volta nas eleições presidenciais: na margem de erro superior, Marques Mendes recolhe apenas 20,4% dos votos e André Ventura 21,5% - muito longe dos 50% necessários para que conheçamos o próximo Presidente da República já na primeira volta.
Atrás surge João Cotrim de Figueiredo, num empate técnico com Seguro e Gouveia e Melo, longe dos dois da frente e muito acima dos restantes candidatos, com um ponto médio de intenções de voto de 14,4%.
O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal foi quem subiu mais desde o início dos debates: tinha 7,4% antes e cresceu 7 pontos percentuais no último mês e meio.
O método adotado pela Renascença, igual ao do projeto Sondagem das Sondagens, usa o filtro de Kalman, um algoritmo usado para filtrar o ruído estatístico gerado pela publicação de muitas sondagens, e esquece as várias abordagens de distribuição dos indecisos para fazer uma só repartição de forma proporcional.
Atrás dos principais candidatos surgem, muito atrás, os três candidatos da esquerda: Catarina Martins com 3,1% das intenções de voto, António Filipe com 2,9% e Jorge Pinto com 1,9%, todos a subirem ligeiramente com as sondagens.
André Pestana e Humberto Correia não surgem em qualquer sondagem com mais do que 1% dos votos, enquanto Manuel João Vieira apareceu nesta tracking poll com 1,5%.
Nos habituais cenários de segunda volta lançados por todas as sondagens, um cenário é certo: André Ventura perde em todos, com os votos entre Marques Mendes, Gouveia e Melo, Seguro e Cotrim a concentrarem-se entre si.
Cotrim de Figueiredo, que chegou a estar à frente de Seguro em três das sondagens e à frente de Gouveia e Melo noutra, não consta de nenhum dos cenários de segunda volta divulgados pelas empresas até ao momento.
Contra André Ventura, tanto Marques Mendes como Gouveia e Melo conseguem perto de 70% das intenções de voto, tornando muito improvável uma vitória do líder do Chega na segunda volta, mesmo que vença a primeira volta de 18 de janeiro.
Em todas os cenários de segunda volta, Ventura não consegue mais do que 28,1% contra Marques Mendes e Gouveia e Melo.
A Renascença aplicou também o mesmo método matemático usado na Sondagem das Sondagens aos cenários de segunda volta e Marques Mendes surge com 71,7% contra Ventura, que tem 28,3%. Se a segunda volta for entre o almirante e o líder do Chega, Gouveia e Melo consegue 71,9% neste momento e Ventura apenas 28,1%.
Se a segunda volta for entre Marques Mendes e Gouveia e Melo, será mais equilibrado: o conselheiro de Estado ficaria neste momento com 53,2%, enquanto Gouveia e Melo teria 46,8%. Ambos estariam fora da margem de erro - e por isso não estão em empate técnico.
[artigo atualizado às 14h08 com informação da sondagem tracking poll da Pitagórica]