08 jan, 2026 - 21:25 • João Maldonado
O tema é incontornável e Catarina Martins não se quis desviar uma linha nas declarações que prestou. “Temos uma campanha presidencial que tem de responder pelas grandes crises do país e é sobre isso que vou falar”, declarou a candidata presidencial no dia em que foram conhecidos mais casos de mortes por alegada falta de assistência de ambulâncias.
A antiga líder do Bloco de Esquerda - e atual eurodeputada eleita pelo partido – atacou o poder governante, com Luís Montenegro chamado à colação.
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Na mente de Catarina Martins surgem duas hipóteses “assustadoras”: “Ou o Governo é absolutamente incompetente ou quer mesmo destruir o Serviço Nacional de Saúde para entregar tudo ao negócio privado da doença”. Mas, pelo que disse na Moita, parece ser uma mistura das duas ideias.
Apelando a que seja travada a política para o setor da Saúde que o executivo da AD tem levado a cabo, acha um nefasto sinal a demora a pronunciar-se sobre os casos de Marcelo Rebelo de Sousa, o homem a quem quer suceder. “Teria de estar a chamar agora o primeiro-ministro.”
É a cabeça que está a prémio na ótica da bloquista, ainda mais do que a de Ana Paula Martins: “A ministra da Saúde seguramente tem responsabilidades, há muito tempo, nem nunca devia ter sido ministra; mas a responsabilidade é do primeiro-ministro; o primeiro-ministro é o chefe de Governo; nós estamos numa situação de calamidade na Saúde que já não podemos dizer que foi um erro da ministra; é mesmo um problema global do Governo, do qual o primeiro-ministro é o principal responsável”.
Perante a situação, Catarina Martins sublinha que é preciso desconfiar da candidatura de Luís Marques Mendes, já que é “do partido do Governo”, que está “deliberada e sistematicamente a criar problemas com o Serviço Nacional de Saúde e com o INEM e a ter um experimentalismo irresponsável que não pode continuar”.
A candidata à Presidência da República reforça que “enquanto estão a experimentar cortes e novos mecanismos há pessoas que perdem a sua vida”. Estando no Palácio de Belém, Catarina Martins exigiria planeamento e respostas, convocando todos para travar a “destruição do SNS” – sempre ouvindo quem está no terreno, “os médicos, os enfermeiros, os profissionais, os bombeiros”.
E foi precisamente na Moita, precisamente nos Bombeiros Voluntários que nasceu o bebé Afonso – medalha de ouro de 2026 a nascer numa ambulância. Eram 6h47 desta quarta-feira quando os pais foram em busca de ajuda ao quartel, onde, dentro de um veículo de emergência médica, acabaria por vir ao mundo.
“Se às vezes num bloco de partos não é resolvido, imaginem numa ambulância, não pode haver esta frequência”, explicam os bombeiros. Só nesta corporação foram 15 os partos realizados no ano passado.
De visita ao local, Catarina Martins ouviu as queixas e concordou com todas, desde uma maior profissionalização e especialização à subida dos salários: “Há caixas de supermercado a pagar melhor dos que os bombeiros, sinceramente ter aqui bombeiros a receber o salario mínimo nacional, assim não; estamos cá para defender os portugueses sempre, mas também precisamos que nos defendam a nós e que nos deem condições para defender os portugueses”, apelou o comandante Pedro Ferreira à candidata presidencial.