08 jan, 2026 - 01:15 • Manuela Pires
A campanha ainda está a meio da primeira semana, mas com as sondagens a indicarem que Marques Mendes não consegue ultrapassar os adversários do centro-direita, o PSD cerra fileiras em torno do candidato. Ao quarto dia de campanha, Marques Mendes acusa os adversários de estarem apenas nesta corrida para criar instabilidade política. Assume que “quer ser o Presidente que vai ajudar o Governo” a ter estabilidade política.
O comício de Évora tem como prato forte Hugo Soares, o secretário-geral do PSD, que tem passado pela campanha, mas desta vez subiu ao placo para deixar avisos aos militantes do PSD e a quem votou em Montenegro nas últimas legislativas.
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“Sim, eu vim à campanha dizer ao PSD que este é o melhor candidato para Portugal”, grita Hugo Soares, numa altura em que figuras destacadas do partido apoiam Gouveia e Melo ou estão ausentes desta campanha.
O secretário-geral do PSD pede, também, o voto a quem em maio deu a segunda vitória nas legislativas a Luís Montenegro.
“Sim, vim dizer aos que votaram no Governo que este é o candidato mais independente”, disse Hugo Soares, para concluir que “todos os que em Portugal entendem que não deve haver instabilidade”, que “não querem deitar o esforço dos portugueses borda fora ou que Portugal pare” têm apenas uma opção que é votar em Marques Mendes no dia 18 de janeiro.
O candidato, que escolheu para lema da campanha a experiência, juntou nos últimos tempos a independência, mas o que é certo é que quando ouve algumas queixas sobre as pensões, sobre a promessa de um novo hospital, que está ainda por cumprir ou os problemas da saúde, diz apenas que vai estar atento e nunca aponta o dedo ao Governo.
Esta quarta-feira, o assunto do dia é a morte de um homem que esperou três horas por uma ambulância. Marques Mendes é questionado no mercado de Setúbal, mas foge da questão alegando que não conhece em concreto o que se passou. Mais à tarde, em Vila Viçosa, o comandante dos bombeiros avisa que é preciso melhorar a coordenação entre o INEM e os bombeiros de forma a melhorar o socorro às populações. Marques Mendes ouviu, mas ficou em silêncio.
No comício de Évora, Mendes aproveita a deixa de Hugo Soares e reforça a ideia de que os adversários só querem criar a instabilidade e deitar abaixo o Governo.
O candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS escolheu André Ventura que tem, “permanentemente, a ideia da instabilidade”, António José Seguro que “quer ser um contrapoder, ou seja, alguém que quer ajudar a criar instabilidade”.
E depois os outros dois candidatos que podem ditar uma derrota de Mendes, o almirante Gouveia e Melo e João Cotrim de Figueiredo.
“Temos o candidato da Iniciativa Liberal, que com a divisão que está a criar no espaço da direita e do centro-direita, só ajuda, evidentemente, a favorecer o populismo, logo a gerar e a criar instabilidade.”
Marques Mendes rematou com o almirante Gouveia e Melo: “E depois temos o outro candidato, Gouveia e Melo, que se viciou em dissoluções e em dissoluções por esta e por aquela razão, ou seja, um dia destes ainda temos mais dissoluções no futuro, se ele eventualmente fosse eleito do que tivemos até agora”, concluiu.
A estratégia na campanha foi apontar as incongruências nos adversários, e os escolhidos pelo secretário-geral do PSD foram André Ventura que disse, no ano passado, “que é um mau sinal para o país que o líder da oposição, ele próprio, André Ventura, seja candidato a Presidente da República”, lembrou Hugo Soares.
O secretário-geral do PSD foi ainda buscar aos arquivos as palavras de Cotrim de Figueiredo que disse que: “não me fascinaria a Presidência da República é muito cerimonial. Não seria feliz”, para concluir que nenhum destes dois candidatos deve chegar ao Palácio de Belém.