08 jan, 2026 - 00:59 • Susana Madureira Martins
A manhã do quarto dia de campanha da caravana começou com o candidato presidencial António José Seguro no Palácio Baldaya, em Lisboa, a discutir questões de ambiente e clima, numa sessão algo árida que se prolongou por mais de uma hora. Para além de exibir um troféu da sua candidatura como Duarte Cordeiro, ex-ministro do PS, a palestra teve outro propósito: o de diferenciar esta das outras candidaturas mais diretas.
“Enquanto os meus adversários se entretêm a atacar-se uns aos outros, e agora pelos vistos também a mim, nós entretemo-nos a discutir os problemas do país”, justificou Seguro na última ação desta quarta-feira, na Casa do Campino, em Santarém.
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Aos eventuais descontentes com as trocas de acusações entre Luís Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo, o candidato apoiado pelo PS deixou, entretanto, o apelo: “Venham de onde vierem, da esquerda, da direita, do centro, cada português e cada portuguesa são muito bem-vindos”. Seguro tenta, assim, alargar ao máximo a base do seu potencial eleitorado.
Seguro adota a estratégia de seguir a campanha sem hostilizar os adversários nestas presidenciais ou mesmo o Governo, a quem recusa até a atribuição de “culpa” no caso do idoso do Seixal que acabou por morrer após esperar três horas pelo INEM.
Enquanto os adversários pediram a demissão da ministra da Saúde, Seguro manteve a pose de Estado, mostrando “irritação” e "indignação" pelo sucedido, mas não indo além disso, insistindo na necessidade de um pacto para o setor.
Com o dia a correr-lhe de feição, galvanizado pelas sondagens, Seguro testou a sua popularidade numa das zonas nobres da cidade de Lisboa. Em Alvalade, passeou-se pela Avenida da Igreja, entrando em lojas, sentando-se em esplanadas ou ensinando a três crianças que passavam na rua os nomes dos candidatos presidenciais e os partidos que os apoiavam, sem que os miúdos, aparentemente, percebessem exatamente do que falava. Mas a imagem e o número estavam feitos.
De conversa com uma jovem sentada numa das esplanadas da Avenida da Igreja, Seguro discutiu a série de ficção portuguesa "Rabo de Peixe" e a dinamarquesa "Borgen", e com uma senhora ensaiou uns passos de dança em frente a uma conhecida livraria, onde acabou por entrar.
Sempre com os jornalistas atrás, o candidato acabou por confessar que não anda a ler “nada”, desculpando-se com a atual falta de tempo. Acabou por comprar um livro sobre a fundadora do PS Maria Barroso e confessou gostar muito de ler romances, mas sobretudo livros de História e biografias.
Com o radar ligado e a saber que estava a ser filmado e gravado pelos jornalistas, o candidato apelou a toda a gente que mexe para o voto “no Seguro”, sendo recorrente falar de si próprio na terceira pessoa. A dada altura saiu-lhe um jovem monárquico pela frente que confessou que não iria votar “em nenhum de vós”, a menos que fosse “estritamente necessário”, desejando “a melhor das sortes” a Seguro, que se proclamou “republicano”.
A passeata terminou com uma passagem por um assador de castanhas de olho azul que se disponibilizou a ir a Penamacor tratar da poda às videiras que o candidato mantém na sua terra de origem. Pela segunda vez em dias, o candidato lamentou não conseguir arranjar um tratorista que lá vá fazer-lhe o serviço.
Durante a passeata por Lisboa, Seguro ainda deixou recados aos candidatos apoiados pelos partidos à esquerda do PS, num dia num dia em que o tema das desistências à esquerda voltou à campanha.
Face a eventuais condições para uma desistência das candidaturas à esquerda em favor da de Seguro, o candidato apoiado pelo PS avisou: “O caminho da minha candidatura, a natureza da minha candidatura, sou eu que a decido. Não cedo a pressão nenhuma, nem negoceio nada", rejeitando que as suas palavras fossem um aviso para alguém.
"Eu não faço nenhum aviso, absolutamente a nada. Eu dirijo-me a todas as portuguesas, a todos os portugueses. Esta candidatura dirige-se a todos os democratas, todos os progressistas e a todos os humanistas", disse.
Seguro segue assim a sua própria cartilha e elege um único adversário, André Ventura, sem nunca o nomear, argumentando que esta não é uma eleição qualquer, é uma das mais importantes do nosso regime democrático, porque à espreita estão os inimigos da democracia”.
Conclusão? O candidato responde: “O voto no Seguro é também um voto para fortalecer a democracia e combater os populismos”