PRESIDENCIAIS 2026

Seguro avesso a demissões "deste ou daquela" no Governo e contra "enlamear" dos candidatos presidenciais

08 jan, 2026 - 23:59 • Susana Madureira Martins

O candidato presidencial apoiado pelo PS passou esta quinta-feira pelo Cacém, viajou de comboio e andou em campanha pelo Alentejo. Diz que o seu problema “não são os adversários, mas os problemas” das pessoas.

A+ / A-
Seguro avesso a demissões no Governo
Reportagem de Susana Madureira Martins. Foto: Lusa

Por cinco vezes questionado, cinco vezes a mesma recusa sem responder se considera que a ministra da Saúde deve ou não manter-se no cargo. António José Seguro tem evitado hostilizar o primeiro-ministro e o Governo, em geral, e mantém a posição de princípio de não entrar no que designa por “jogo partidário”.

Esta quinta-feira, Seguro estava no meio de uma arruada no Cacém quando entrou por um café adentro e viu na televisão a notícia de uma nova morte de uma pessoa por falta de respostas do INEM. O primeiro de dois casos esta quinta-feira e o candidato presidencial atirou de imediato: “Outra vez?”.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Questionado pelos jornalistas e face às mais recentes mortes devido à falta de resposta da emergência médica, o candidato presidencial apoiado pelo PS começou por dizer aos jornalistas, na viagem de comboio que fez esta quinta-feira entre o Cacém e Sete Rios, que se sentia “indignado” e “revoltado” com a situação, mas poupando sempre o Governo e a ministra.

Pela tarde, já com o debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento a decorrer e a meio de uma passeata por Évora, Seguro mostrou-se visivelmente incomodado com as perguntas sobre a ministra da Saúde. “Minha senhora, o que tem que se encontrar aqui são respostas para os problemas das pessoas”, respondeu à pergunta sobre a necessidade ou não de Ana Paula Martins demitir-se.

Face à insistência, Seguro começou mesmo a irritar-se e acabou por responder que a “preocupação” que tem como candidato a Presidente da República “não é fazer o jogo partidário”, mas “exigir ao Governo em particular, mas também aos partidos, que olhem para o sofrimento que está a acontecer no nosso país”.

Seguro mantém a confiança que pode ir à segunda volta e ser eleito e prefere um eventual ajuste de contas com Luís Montenegro após a tomada de posse. “A primeira conversa é com o primeiro-ministro”, despachou o candidato.

Confrontado com o anúncio do primeiro-ministro no debate quinzenal de uma série de viaturas de ambulância para o INEM, Seguro respondeu seco: “Isso já não salva nenhuma das mortes que aconteceram, pois não? Portanto, tem de haver planeamento, tem que haver racionalidade. O nosso país não pode ter um Estado a abrir fendas, nem pode ter um Estado de pés de barro”.

No discurso à noite, no jantar comício em Portalegre, Seguro voltou ao tema para defender que só há duas possibilidades. “Ou continuar neste caminho de demissões deste ou demissões daquela ou, pelo contrário, concentrarmo-nos em encontrar soluções para os problemas”

“Contra a lama, contra os extremismos”

Assumindo que ambiciona ser eleito Presidente da República, Seguro distancia-se da troca de galhardetes entre os adversários, que também o atacam.

O socialista pede que passe a existir uma cultura “baseada nas soluções e não baseada na retórica, no ruído, no conflito no insulto, a enlamear candidatos numa eleição presidencial”.

Seguro diz mesmo que está nesta campanha para “elevar a qualidade do debate, contra a lama contra os extremismos porque isso afasta as pessoas da política”.

Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+