Presidenciais 2026

"Sistema tem medo de mim": Gouveia e Melo diz que há um "pântano de interesses" no Estado

08 jan, 2026 - 22:06 • Tomás Anjinho Chagas

Almirante aproveitou caos na Saúde para acusar Marques Mendes de estar demasiado próximo do Governo e Seguro de não ter soluções. Gouveia e Melo lembra experiência com a vacinação para criticar as nomeações políticas que atrapalham o funcionamento do SNS.

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Os casos dos doentes que morreram depois de várias horas à espera pela ambulância impôs-se e marcou o quinto dia oficial da campanha para as presidenciais de 18 de janeiro. Para Gouveia e Melo não foi diferente.

Esta quinta-feira à noite, depois de um dia em que não deixou respirar o tema (ver abaixo), fez um discurso crispado em Fafe, distrito de Braga, onde voltou a abordar o tema para se afirmar como o candidato fora do sistema.

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Gouveia e Melo considera que o problema no setor da saúde "não é a falta de investimento", mas antes "uma crise de liderança, organização e capacidade". O almirante usa uma expressão celebrizada por António Guterres quando se demitiu do cargo de primeiro-ministro, em 2001.

"O Estado tem esta crise há décadas que há um pântano de interesses, de partidos que se vão infiltrando no Estado e que fazem a troca de lugares, quando chegam ao poder", atira Gouveia e Melo, que tem na sua candidatura vários membros do PS e PSD.

Para o almirante, que usa o crédito que ganhou como coordenador da taskforce para a vacinação contra a Covid-19, para falar do tema e criticar os partidos tradicionais. Quer separar o trigo do joio.

"Os portugueses sabem que eu digo a verdade. É isto que é o cerne da questão, é precisamente por isto que este sistema tem medo de mim", desfere o militar.

Gouveia e Melo recusa o "pacto para a saúde" de António José Seguro: "Mas que pacto? Esse pacto está feito. O que os dois partidos não fizeram foi um pacto de limpeza da administração pública das suas clientelas".

O almirante diz que é o único candidato que "conhece bem o Estado" e por isso o único que o pode "renovar". Afirma que na Marinha ninguém é escolhido por ser "um boy".

Numa ressalva, Gouveia e Melo assinala que os partidos são "importantes para a democracia".

Dia de críticas

Pela manhã, o almirante começou por criticar o silêncio de Ana Paula Martins. Falava aos jornalistas, em Mirandela, antes sequer de se conhecerem as duas mortes que vieram ao conhecimento público durante a tarde desta quinta-feira.

Sem pedir a cabeça da ministra da Saúde, Gouveia e Melo avisava que não justificar publicamente o caso, dava aso a leituras: "Quem não explica, deixa que uma onde de indignação se propague na sociedade. Começamos a ter dúvidas se teremos assistência, isso é péssimo para o Governo e para todos nós".

E se uma das miras estava no executivo, a outra estava nos adversários, com destaque para Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD, que por sua vez apoia o Governo. Sem nunca mencionar o nome do seu adversário (tática repetida esta campanha), o Almirante lamentou que Marques Mendes evite temas sensíveis como este, para não incomodar Luís Montenegro.

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