Presidenciais 2026

Ventura atira “bananas” para o sistema escorregar e acusa Marcelo de ter "falhado" na Saúde

09 jan, 2026 - 17:30 • Filipa Ribeiro

Em dia de Conselho de Estado, André Ventura é candidato presidencial de manhã e líder do Chega à tarde. Na corrida para Belém considera "inoportuna" a convocatória feita por Marcelo Rebelo de Sousa em plena campanha. Critica o atual Chefe de Estado por "falhar" na intervenção sobre a Saúde e avisa que não vai ser "um Presidente como os outros".

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André Ventura em Sobral de Monte Agraço Foto: Tiago Petinga / Lusa
André Ventura em Sobral de Monte Agraço Foto: Tiago Petinga / Lusa

Além de candidato presidencial, André Ventura é presidente do partido Chega e, por isso, esta sexta-feira participou no Conselho de Estado, que considera "inoportuno".

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O encontro, que teve a Venezuela e a Ucrânia como pontos principais, decorreu no Palácio de Belém e André Ventura passou, por isso, a manhã nos arredores do distrito de Lisboa, em Sobral de Monte Agraço, onde lançou um tapete de críticas e avisos que fará a Marcelo Rebelo de Sousa, realçando aos jornalistas que não lhe é permitido indicar o que será defendido no encontro.

Na lista de “coisas a dizer ao Presidente da República”, o líder do Chega considerou “inoportuno” o Conselho de Estado convocado para decorrer a meio de uma campanha presidencial, porque, no seu entender, “não há justificação, a não ser colocar o Presidente da República em exercício no centro do debate político”.

Noutro ponto, André Ventura sublinhou que ia dizer a Marcelo Rebelo de Sousa que “aquilo que aconteceu nos últimos dias em Portugal, em termos de Saúde, mereceria uma ação firme do Presidente da República”.

“É preciso dizer a Marcelo de Sousa que ele falhou ao não chamar a atenção do Governo em falhas gravíssimas que tivemos estes dias, quando pessoas morriam por falta de atendimento médico. Isto tem que ser trabalho e papel do Presidente”, realçou.

André Ventura lamenta que Marcelo Rebelo de Sousa tenha reagido ao que se passa no sector da Saúde 48 horas depois do primeiro caso conhecido esta semana e considera que, se um Presidente “não é regulador do sistema”, “não vale a pena ter um Presidente da República”.

Sobre as ambulâncias anunciadas por Luís Montenegro esta quinta-feira, André Ventura menciona notícias que dão conta de que a maior parte delas estavam adjudicadas e em concurso desde 2023, defendendo que o primeiro-ministro “anda a brincar com a oposição e o país”.

Na arruada desta manhã, a pressa para despir a camisola de candidato presidencial e vestir a de presidente do Chega era evidente. Ainda assim, André Ventura não deixou de responder aos jornalistas sobre as sondagens que o colocam na frente e as declarações de outros candidatos.

André Ventura ironizou dizendo que as eleições presidenciais “não são o concurso da miss mais bonita”. Acredita que está a conseguir “furar a fronteira do Chega e chegar a outro eleitorado” e defende que será o único eleito como Chefe de Estado a “optar pelo corte do sistema”.

Sobre os adversários, Ventura tentou colar João Cotrim de Figueiredo ao PSD, ao dizer que o eurodeputado tem “votado tudo igual ao PSD” na União Europeia.
“Votar no João Cotrim de Figueiredo ou no Marques Mendes é a mesma coisa. São exatamente iguais”, acusou.

Quanto a Henrique Gouveia e Melo, que defendeu que nenhum candidato tem valor intrínseco, André Ventura recorda que o seu adversário tem Rui Rio e Isaltino Morais na sua campanha.

Oeste "sem força" pede casca de banana

Em Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, a pulsação por André Ventura parece fraca. Ventura tentou animar, ao estilo de Marcelo Rebelo de Sousa, com ginja para todos, mas só algumas gargantas conseguiram aquecer.

A imagem pode parecer familiar, mas André Ventura tinha, minutos antes, avisado que não vai ser como os outros.

“Eu não vou ser um Presidente como os outros. Se aquilo que esperam é um Presidente que faça exatamente a mesma prática de se limitar a ser uma espécie de olheiro de fora do sistema e do Governo, não contem comigo para isso”.

Já a meio do percurso, na mercearia Pomar da Vila, o candidato presidencial tentou animar a manhã com a compra de um cacho de bananas. Acompanhado pelos jornalistas, enquanto tentava encontrar as que tivessem melhor cor, afirmou que procurava as melhores bananas para “o sistema cair”.

Nos trocadilhos possíveis, André Ventura não especificou a quem colocaria uma casca de banana para escorregar, preferiu generalizar e dizer que seriam “para todos os que são do sistema”. Assumiu, contudo, que algumas seriam também por precisar de “vitamina” para “levar a campanha até ao fim com muita força”.

Já fora da mercearia, ofereceu bananas a apoiantes, guardou algumas para “os amigos” e lembrou-se que as levaria também para o Conselho de Estado desta sexta-feira.

RSI volta à campanha. Beneficiários de pensões querem cortes noutros subsídios

Ainda mergulhado no tema da Saúde, André Ventura puxou da bandeira do Rendimento Social de Inserção (RSI) para criticar que o Estado gaste mais de 300 milhões de euros e não consiga investir pelo menos 2 milhões na compra de ambulâncias.

O candidato presidencial deixou essa nota no início da arruada e voltou a repeti-la quando encontrou Rui Cunha que, acompanhado pela mulher, pediu a André Ventura uma fotografia. Acabou por confessar que não tem casa e vive numa caravana.

Na conversa com o líder do Chega, Rui diz que não consegue ter trabalho e que não recebe apoio da Segurança Social, mas que fica indignado porque diz saber que há “imigrantes” a receber “subsídios de mil euros”. André Ventura foi rápido na resposta e recorda a Rui o que tinha dito à comunicação social.

“Exatamente isso que referi há pouco. Gastamos 200 milhões de euros em RSI's e depois não temos dinheiro para ambulâncias”, afirmou.

Rui Cunha concordou com o candidato presidencial e também defende um corte nesses subsídios. No entanto, questionado à margem, confessa que sobrevive graças à Pensão Social de Inserção atribuída à mulher, que ronda os 300 euros.

Uma campanha de rua e um foco em Marques Mendes

Apesar de não ter recebido muito apoio em Sobral de Monte Agraço, André Ventura termina uma semana de campanha essencialmente de rua. Por várias vezes, confundia-se com uma verdadeira celebridade ou estrela pop, face ao entusiasmo criado em quem se cruzava com a caravana.

Houve arruadas em que dezenas de pessoas se empurravam para entrar na bolha e conseguir uma selfie, um autógrafo ou apenas garantir que eram vistas por André Ventura. As crianças entregavam desenhos, os mais velhos confessavam que Ventura era a sua única “esperança”.

O amor por André Ventura tem quase sempre um oposto em cada eleitor: a desilusão com a política e o ódio pelos casos de corrupção, pela imigração e, em alguns casos, pelos ciganos.

No rol de abraços e beijos, a estratégia de arranque de André Ventura foi surgir em pontos do Algarve, Alentejo e Centro do país, onde sabe que o Chega tem força, ganhando balanço para insistir que Marques Mendes é um candidato de Luís Montenegro – ou do “montenegrismo”, como chegou a designar.

Nesse ataque à AD, Ventura sublinhou ter como referência Sá Carneiro e a ambição de ser, à semelhança de Freitas do Amaral em 1986, “o agregador da direita” nestas eleições.

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