Presidenciais 2026

Ventura "da paz" quer debate centrado na saúde e faz confusão com "espreguiçadeiras"

11 jan, 2026 - 23:59 • Filipa Ribeiro

Candidato presidencial foi apanhar cavacas a Aveiro no dia em que diz querer "debater temas importantes", sem perder tempo com acusações. Centrou o discurso na saúde com o caso das "espreguiçadeiras" fotografadas no Hospital de Santo António e fonte hospitalar desvenda o mistério: fazem parte do plano de catástrofe e em 15 anos nunca foram usadas.

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André Ventura em Aveiro Foto: Tiago Petinga/ Lusa

André Ventura passou este domingo pela feira de S.Gonçalinho, em Aveiro, onde a tradição impõe que se apanhem ou atirem cavacas do cimo de uma Igreja. O candidato presidencial apoiado pelo Chega cumpriu e, encolhido debaixo de um guarda-chuva, afirma que não atiraria nenhuma cavaca a um adversário por ser "da paz".

A frase dita no meio da confusão e do ruído junto à Igreja, em Aveiro, está alinhada com a mensagem do dia de André Ventura, que disse várias vezes que recusaria alinhar numa campanha de ataques entre candidatos. “Eu quero fazer uma campanha elevada, discutir as causas e os problemas do país. É isso que eu quero e acho que as pessoas querem”, disse.

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A pergunta foi lançada em Viseu, antes da primeira arruada do dia e depois de António José Seguro ter focado o discurso no candidato André Ventura. A verdade é que, sem querer falar nos adversários, o líder do Chega deixou a nota: "Podemos passar o resto da campanha com António José Seguro a chamar-me de fascista e racista, e eu a dizer que ele é um tachista e agarrado à corrupção de regime ou podemos discutir temas importantes”, defendeu.

Nas declarações aos jornalistas, André Ventura falou ainda de outro candidato - João Cotrim de Figueiredo - para dizer que votar no candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL) "é votar no PS e PSD, porque na União Europeia esteve ao lado de tudo o que é para a imigração".

Também ao final do dia, em Aveiro, Ventura voltou a António José Seguro para dizer que o candidato apoiado pelo PS "deve querer fazer uma disputa a dois".

André Ventura defendeu, ainda durante a manhã em Viseu, que o debate nestas eleições deve estar centrado em temas como a saúde e a segurança. Na saúde, o candidato a Belém mencionou uma fotografia que recebeu que dá conta da presença de espreguiçadeiras nas urgências do Hospital de Santo António - imagem essa que também publicou nas redes sociais.

O candidato a Belém entendeu que as espreguiçadeiras estavam a ser utilizadas "por falta de macas". "Como não têm dinheiro para comprar macas, andam a comprar espreguiçadeiras", afirmou.

A fotografia é verdadeira, mas as espreguiçadeiras não estão a ser usadas e fazem parte de um plano de catástrofe. O esclarecimento é dado à Renascença por fonte hospitalar, que esclareceu que por catástrofe entende-se "grandes acidentes, catástrofes naturais, entre outros".

A mesma fonte oficial da unidade hospitalar de Santo António adianta que "em 15 anos" as espreguiçadeiras nunca foram utilizadas e que a fotografia aparece porque foram colocadas "por engano" no serviço de urgência na véspera de Natal. O hospital esclarece que "não faltam macas" naquela unidade.

Porquê espreguiçadeiras?

Ao final do dia, depois de conhecer as explicações do Hospital de Santo António, André Ventura considerou as mesmas incompreensíveis. "É incompreensível a explicação. Então numa situação de catástrofe não temos macas, mas temos espreguiçadeiras", disse o candidato presidencial que mantém as dúvidas sobre o porquê de não se usar apenas macas em todas as situações.

Questionada pela Renascença, fonte oficial do Hospital de Santo António esclarece que o conjunto de espreguiçadeiras em causa faz parte de um plano de catástrofe que está no manual do hospital que tem "certificação internacional".

De acordo com o esclarecimento, estas espreguiçadeiras "são suportes rígido, fáceis de armazenar" que não apresentam "risco de quedas" e que se destinam "essencialmente a pessoas que entram já em cadáver", facilitando o corte de roupas, limpeza de sangue ou tóxicos, e para "dar um banho rápido para uma primeira observação e triagem da gravidade".

A mesma fonte recorda que este material aplica-se apenas a "grandes catástrofes, com dezenas de vítimas a entrar em simultâneo", situação que o Hospital de Santo António nunca enfrentou.

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