Presidenciais 2026

"Política não é Matemática". Jorge Pinto foi beber uma ginjinha "à la Marcelo"

15 jan, 2026 - 00:06 • João Maldonado

No antepenúltimo dia de campanha, Jorge Pinto foi ao Barreiro e esteve no estabelecimento onde Marcelo Rebelo de Sousa bebe todos os anos uma "ginjinha" na véspera de Natal. "As boas coisas que se possam manter." Perante as sondagens, o candidato apoiado pelo Livre está "de consciência tranquila" quanto aos temas que trouxe para debate por estes dias.

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"Política não é Matemática". Jorge Pinto foi beber uma ginjinha "à la Marcelo"
Ouça a reportagem de João Maldonado. Foto: Rui Minderico/Lusa

É no Barreiro, margem sul do Tejo, que o candidato presidencial Jorge Pinto fecha o dia. O antepenúltimo desta campanha ziguezagueante que apenas nesta quarta-feira fez descansar comentadores e analistas, com a chegada do final do prazo para que as candidaturas possam desistir.

Jorge Pinto fica e não muda uma linha ao discurso que tem proferido nos últimos dias – desde o tal em que no debate a 11 decidiu abrir o jogo e dizer que não seria por ele que a Esquerda não passaria à segunda volta e que António José Seguro não seria Presidente da República.

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No Palácio de Belém ainda se mantém por estes dias Marcelo Rebelo de Sousa e há tradições que são para manter, mesmo que os candidatos possam ser o mais diametralmente opostos do atual chefe de Estado. “É bom também haver coisas que passam de Presidente para Presidente, portanto as boas coisas que se possam manter”, diz Jorge Pinto enquanto levanta um copo de "ginjinha" no local onde todos os anos o Presidente da República faz o mesmo na véspera de Natal há quase dez anos.

“À Saúde, à República e à Saúde da República, que bem precisamos!” É assim que é feito o brinde para gáudio dos cerca de dez apoiantes presentes, incluindo o líder do Livre, Rui Tavares. Pelo Barreiro a ideia foi esta: nem todos os passos dados por Marcelo foram errados, na democracia há que manter e não apenas destruir.

Antes já Jorge Pinto tinha visitado o Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira, concelho da Moita – cumprida com o objetivo de dar visibilidade às coisas boas que já existem no nosso país, às coisas boas que devem e podem ser replicadas”.

Trata-se de um espaço aberto à comunidade com estúdio de gravação, teatro e que garante aulas de ballet num bairro “com pessoas de muitas origens de países africanos de língua oficial portuguesa, com novas vagas de imigração, nomeadamente do Paquistão, com portugueses ciganos”, numa pluralidade que “fortalece o país”, sublinha o pretende presidencial.

O candidato apoiado pelo Livre foi naturalmente confrontado com mais uma sondagem que não o coloca sequer nos 5% que garantem uma subvenção estatal de apoio à campanha. Mas Pinto prefere destacar a quantidade de indecisos: “Esta sondagem conhecida hoje diz que perto de um em cada cinco eleitores está ainda indeciso em relação a quem vai votar”.

“Aquilo que todos nós temos de fazer daqui até dia 18 é falar à inteligência dos portugueses, explicar-lhes porque é que cada uma das candidaturas tem o seu valor”, reforça, explicando que no seu caso tem trazido para a agenda temas “urgentes para os portugueses”, como a defesa do Serviço Nacional de Saúde, da Habitação e da Constituição da República Portuguesa. E também temáticas como a “Regionalização, a Coesão Territorial, a Ecologia, os Direitos das Mulheres e o Bem-estar Animal”.

Questionado pela Renascença sobre se faz sentido a publicação de sondagens com potencial de influenciar votos tão em cima da linha de meta, Pinto refere que “mesmo que elas fossem proibidas” não está certo que deixassem de facto de acontecer e que tal até poderia acarretar risco maior. “Se calhar às vezes até é pior, porque acabamos por não ter a certeza se os valores que depois circulam nesses dias são fidedignos ou não, se foram ou não depositados como as sondagens têm de ser.”

Política não é matemática, é evidente que não há transferências de votos diretos, e ainda bem que estamos a dar aos portugueses maneiras e projetos políticos distintivos” – para que possam votar sem medo, sublinha.

E avança ainda para um “exercício especulativo”, onde para a segunda volta passa um candidato de esquerda, como Seguro, “e que a nossa candidatura tem um bom resultado”. “Se calhar na segunda volta a própria temática vai passar muito por aquilo que um potencial candidato vai ou não fazer pela Constituição”, conclui, temendo uma revisão do texto constitucional que está em vigor.

No dia em que o primeiro-ministro voltou a participar na campanha de Luís Marques Mendes, Jorge Pinto reforça que não quer um chefe de Estado “que seja um assinante de cheques em branco ao Governo”. Pede um “contrapeso”, num país “demasiado virado à direita”, contrário ao “sinal” dado por Luís Montenegro de que “aquele candidato é, se calhar, quem mais próximo estará de si e do seu Governo”.

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