Presidenciais 2026

António Filipe "não mudaria nada", mas “a galinha não canta antes de pôr o ovo”

16 jan, 2026 - 15:00 • João Maldonado

No último dia de caça-ao-voto, o candidato escolheu passar uma manhã num terreno confortável para os comunistas. Distribuiu cravos aos apoiantes que encontrou nas ruas da Baixa da Banheira e bebeu uma ginjinha matinal. Mas não brindou à vitória, que isso nem sempre dá sorte.

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Ouça aqui a reportagem. António Filipe bebeu uma ginjinha matinal na Baixa da Banheira e disse que há práticas de Marcelo Rebelo de Sousa que são "estimáveis". Foto: Rui Minderico/Lusa

São 11 e picos da manhã, mas, desafiado por quem na rua ali anda, António Filipe não teme o desafio que lhe propõem. “Não bebe aqui uma ginjinha?” E lá vai disso. “Um brinde ao 25 de abril, um brinde à Constituição, um brinde aos trabalhadores portugueses, um brinde a esta candidatura”, diz de mini-copo na mão o candidato presidencial.

O brinde escolhido tem quatro destinatários, mas nenhum deles a vitória no próximo domingo. “A galinha não canta antes de pôr o ovo, vamos aguardar, mas com confiança!”, responde questionado pelos jornalistas que o rodeiam neste momento.

A ingestão de ginjinha tem sido uma das práticas mais típicas de Marcelo Rebelo de Sousa, que sempre pela véspera de Natal se dirige ao Barreiro para cumprir tal tradição. Já Jorge Pinto tinha feito um número similar por estes dias – a diferença é que foi literalmente no estabelecimento predileto do atual Presidente da República. “Nem todas as práticas são más, há práticas do atual Presidente que são estimáveis, o contacto direto com as pessoas acho que se deve manter, mas que não seja só uma proximidade física de afetos, que seja uma proximidade de conhecimento dos problemas”, adverte Filipe.

Terminado o copo matinal, bebido “devagarinho”, que “não pode ser de penalty”, o candidato apoiado pela CDU espera não sair deste café “aos ziguezagues”. Que não é “um candidato de ziguezagues” e sublinha ter sido “direitinho desde o início da campanha”, com propósitos que “nunca mudaram” e “sempre com o rumo certo no sentido de obter um bom resultado no dia 18”. O tempo o dirá, se daqui por dois dias a fuga ao voto útil foi ou não bem-sucedida.

De regresso às ruas da margem sul do Tejo, distribui cravos entre os muitos apoiantes que vai encontrando. A maioria de idade mais avançada, mas há também, como sempre tem havido, alguns jovens que gritam repetidamente “abril presente, António a Presidente” ou “nem direita nem centrão, António é solução”.

É em jeito de balanço que António Filipe fala nesta última manhã de caça-ao-voto. “As iniciativas têm sido muito participadas e a campanha tem vindo a crescer”, diz, em tom confiante quanto ao resultado que espera obter no domingo. Por um país com melhores salários, direito à habitação, à educação e à saúde garantidos, o candidato comunista acredita que “há muitos eleitores identificados com a necessidade de dar força a uma candidatura que não quer que tudo fique na mesma”.

Quando António Filipe falava aos repórteres, a meio do percurso, ainda o sol dava luz à zona da Baixa da Banheira, mas Filipe prenunciava que “naturalmente que no inverno é muito arriscado haver muitas iniciativas ao ar livre”. Dito e feito, a arruada acabou por terminar mais cedo do que o previsto, nem uma hora depois, tal a carga de água que caía dos céus.

O apelo repetido ao longo de toda a campanha, onde Filipe “não mudaria nada no essencial", é também neste derradeiro dia enfatizado. O combate ao voto útil leva o comunista a apelar aos eleitores, mais uma vez, que não se deixem condicionar por “estudos de opinião” e “sondagens” na hora de escolher quem querem para Chefe de Estado.

Pela “afirmação dos valores de abril” e “para um novo rumo”, o pretendente ao Palácio de Belém garante ter cumprido “um grande esforço para que a discussão em todas as situações fosse aquilo que preocupa de facto os portugueses e não questões laterais”. Filipe refere-se ao comentário ao “diz-que-disse” entre protagonistas políticos de que quis fugir. E a verdade é que o fez, talvez com exceção ao "não" que quis dar a uma convergência à Esquerda para beneficiar António José Seguro – de quem foi sempre dizendo que é amigo, mas lamenta não estar a defender os valores da Esquerda.

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