Presidenciais 2026

O que dizem as sondagens? Ventura lidera e Seguro e Cotrim disputam a outra vaga na segunda volta

16 jan, 2026 - 07:00 • Diogo Camilo

Das quatro sondagens divulgadas nos últimos três dias, André Ventura lidera três e é segundo na outra. António José Seguro disparou nas intenções de voto nas últimas duas semanas e é agora o favorito a acompanhar Ventura numa segunda volta. Cotrim de Figueiredo tem hipóteses com os indecisos e o voto útil à direita, mas só está em empate técnico com Seguro por três décimas.

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Faltam dois dias para a primeira volta das eleições presidenciais e, no último dia de campanha eleitoral, os cálculos da Renascença a todas as sondagens divulgadas nas últimas semanas apontam para um cenário de segunda volta a 8 de fevereiro onde, a não ser que os indecisos baralhem as coisas, estará André Ventura.

A acreditar nos barómetros, o seu adversário será decidido numa luta pelo voto útil entre António José Seguro e João Cotrim de Figueiredo.

Das quatro sondagens divulgadas nos últimos três dias, André Ventura foi o que reuniu mais intenções de voto em três (nos barómetros da Católica, da Intercampus e da Aximage) e fica em segundo no da Consulmark 2 e aparece em crescimento na tracking poll da Pitagórica, onde também está em segundo.

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A Renascença aplicou às sondagens divulgadas nos últimos três meses o mesmo método matemático usado na Sondagem das Sondagens, o agregador de barómetros das legislativas, para chegar a uma estimativa dos resultados mais apurada e com menor margem de erro.

Quem está à frente das sondagens?

Os resultados mostram André Ventura na frente, com 21,7% das intenções de voto, podendo apenas ser ultrapassado por António José Seguro, com 20,8%. Não estando em empate técnico com mais nenhum candidato, Ventura parece lançado para a segunda volta, com os cálculos a garantirem-lhe, pelo menos, 20% no domingo.

António José Seguro, que é o segundo nas intenções de voto, tanto pode passar Ventura e ser primeiro, como ser ultrapassado por João Cotrim de Figueiredo, com os intervalos dos dois a interlaçarem-se por apenas três décimas.

O candidato apoiado pelo PS surgiu em quatro lugar na sondagem da Intercampus, mas o barómetro ao lado de todos os outros parece uma anomalia, dado que os resultados de Seguro andaram sempre entre os 20% e os 24%.

Cotrim de Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, aparece em terceiro, com 18,0%, depois de uma ascensão meteórica nas últimas duas semanas. Na margem superior chega até aos 19,5%, enquanto a margem inferior de Seguro está nos 19,2%.

No quarto lugar está Luís Marques Mendes, com 14,8%, que não consegue chegar Cotrim, tal como Henrique Gouveia e Melo, que está com 14,5%. Os dois candidatos, que chegaram a liderar as sondagens e a serem os grandes favoritos na corrida a Belém, estão em queda desde o início do ano e vão perdendo intenções de voto de sondagem para sondagem.

Os dois melhores resultados de Marques Mendes coincidem com as duas sondagens onde Cotrim de Figueiredo está pior - a da Aximage e a da Intercampus -, enquanto o candidato tem uma prestação pior na tracking poll da Pitagórica, onde Cotrim tem os seus melhores resultados.

Sem a tracking poll, Marques Mendes estaria em empate técnico com Cotrim.

Os outros seis candidatos, segundo os cálculos da Renascença, não terão mais do que 6% juntos. Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto têm vindo a cair nas intenções de voto, à medida que Seguro cresce, e nenhum deles tem mais do que 2,2%.

Além deles, apenas Manuel João Vieira tem surgido nas sondagens, mas sempre com pouco mais de 1%. Nem André Pestana, nem Humberto Correia surgiram em nenhuma das sondagens divulgadas esta semana.

O que sabemos sobre os indecisos?

Olhando para as sondagens divulgadas na última semana, há números de indecisos para todos os gostos. Segundo a tracking poll da Pitagórica, a percentagem tem vindo a cair: era de 12,2% no início do ano e está agora nos 10%.

Mas outras sondagens não dizem o mesmo: na da Intercampus, a percentagem de indecisos disparou para 19,6% - o que significaria que um em cada cinco eleitores não saberia ainda em quem votar a uma semana das eleições.

Outra sondagem, a da Consulmark2, coloca os indecisos abaixo dos 10%, enquanto a mais robusta, a da Católica, mostra 16,1% de indecisos.

Este barómetro tem ainda dados sobre os mesmos. Há uma maior percentagem de indecisos entre mulheres, entre pessoas da faixa etária mais idosa (+65 anos) e entre os que têm mais habilitações literárias, licenciatura ou superior.

Como são realizados os cálculos?

Os cálculos da Renascença têm em atenção, não só o tamanho das amostras das sondagens - com um maior peso para aquelas que têm maior número de inquiridos -, como o quão recente é uma sondagem.

O barómetro da Universidade Católica, por ter 1.770 inquiridos, tem um peso maior que qualquer uma das tracking polls lançadas ou das sondagens divulgadas nos dias seguintes.

Mas comparando sondagens com a mesma amostra, a última vaga da tracking poll (entre 12 e 14 de janeiro) tem um peso maior que a sondagem da Aximage, que tem o mesmo número de entrevistados, mas teve o trabalho de campo realizado entre 9 e 12 de janeiro.

Todos estes cálculos são realizados já com uma distribuição proporcional dos indecisos de cada sondagem de forma igual para todos os candidatos, de forma a uniformizar o método de distribuir algo que tem diferentes metodologias nas diferentes casas de sondagens.

Cada empresa tem a sua maneira de distribuir os indecisos, que é semelhante à distribuição de indecisos numa sondagem com partidos, e que pode ser feita a partir da distribuição proporcional da percentagem de indecisos ou pode ser distribuído a partir de outras respostas ao questionário da sondagem.

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