Presidenciais 2026
"O novo líder da direita" e o agridoce da segunda volta para Ventura
19 jan, 2026 - 02:00 • Filipa Ribeiro
André Ventura quer fazer com a direita o que Mário Soares fez com a esquerda e vencer a segunda volta das presidenciais, em fevereiro. O candidato apoiado pelo Chega carimbou a passagem, mas não com a vantagem, nem o primeiro lugar que desejava. O adversário direto para as próximas semanas não é novidade, pois, Ventura já tinha lançado o duelo nesta campanha.
André Ventura já previa a ida à segunda volta das eleições presidenciais com António José Seguro e considera que "a luta contra um socialista" o mobiliza mais do que qualquer outra, contra qualquer outro adversário.
No entanto, durante a campanha acreditava que conseguia vencer a primeira volta e ir com vantagem sobre Seguro, mas quis o destino - e os eleitores - que fosse ao contrário e o candidato apoiado pelo Chega segue na segunda posição e o candidato apoiado pelo PS com uma vantagem de mais de 400 mil votos, no rescaldo da primeira volta.
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Apesar da "derrota" e o resultado agridoce de uma passagem na segunda posição, André Ventura salienta que esta noite "a direita venceu".
Ventura coroou-se "o novo líder da direita", perante centenas de apoiantes em êxtase, e prometeu "liderar o espaço não socialista do país", assim como uma batalha entre "o socialismo e quem não quer socialismo".
No jogo para as próximas semanas, como já tinha antecipado na campanha, André Ventura atirou que quer ser agregador da direita e apontou para esforços para evitar "um socialista em Belém".
No seu caderno mantém apontados os desafios para os partidos de direita. André Ventura voltou a acenar a bandeira dos apoios com "uma mensagem clara" para todos os líderes não socialistas que diz querer ver "a fibra de que são feitos". Apesar do segundo lugar, Ventura insiste que a "direita ganhou" e "só perderá por egoísmo do PSD, da IL e de outros partidos que se dizem de direita".
Já tinha defendido que PSD e IL - a não apoiarem a sua candidatura - não deviam ser obstáculo (nas entrelinhas queria dizer não manifestar apoio a Seguro). Esta noite, nem PSD nem IL manifestaram apoio a Seguro, deixaram o caminho aberto e até mesmo o silêncio mereceu críticas de Ventura. Atirou a Luís Montenegro, por exemplo, "por dizer que se sente bem ao dizer que quer um socialista ou não socialista".
Também nas referências às presidenciais de 1986, André Ventura fez algumas alterações. Se na campanha disse querer ser como Freitas do Amaral em 86 para agregar a direita, agora quer ser o Mário Soares mas do outro espectro político. "Em 1986 era a esquerda que estava fragmentada e o que aconteceu é que um dos candidatos da esquerda perdeu a primeira volta, mas viria a ganhar a segunda volta e é isso que vai acontecer connosco", disse.
No lançamento da segunda volta, André Ventura começou já a fazer campanha com várias críticas a Seguro por ser socialista, associando-o a casos de corrupção e a José Sócrates. No trabalho para as próximas semanas já tem prevista passagem pela Suíça, para estar com emigrantes - um eleitorado que tem sido aposta do candidato apoiado pelo Chega que ainda nesta noite eleitoral voltou a referir os portugueses no estrangeiro como "esquecidos".
André Ventura segue para a segunda volta com mais de 1,3 milhões de votos, menos cerca de 400 mil do que o Chega nas últimas legislativas e mais quase um milhão do que nas presidenciais de há cinco anos. Na sua nona candidatura, segue para mais uma volta confiante de que é o novo líder da direita e capaz de ultrapassar Seguro e fazer "história" nas presidenciais.











