Presidenciais 2026

O que dizem as sondagens sobre uma segunda volta entre Seguro e Ventura?

19 jan, 2026 - 20:35 • Diogo Camilo

Eleição do próximo Presidente da República pode tornar-se um teste à taxa de rejeição a Ventura, mais do que à aprovação a Seguro. Cenários hipotéticos nas sondagens, até ao momento, dão 68,5% das intenções de voto num frente a frente com Ventura, que não iria além dos 31,5%.

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Com as atenções agora viradas para a segunda volta das eleições presidenciais, a 8 de fevereiro, é tempo de começar a olhar para como será um frente a frente entre António José Seguro e André Ventura.

As sondagens mostram que este poderá ser um teste às altas taxas de rejeição ao candidato apoiado pelo Chega, mas podem não demonstrar o sentimento real, por terem acontecido numa altura em que o confronto era um "cenário hipotético".

A Renascença analisou todas as sondagens que incluíram os cenários de segunda volta entre António José Seguro e André Ventura e o cenário é claro: todas colocam o candidato apoiado pelo PS com uma vantagem confortável.

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A mais recente, divulgada na última edição da tracking poll da Pitagórica para TVI, CNN Portugal, Jornal de Notícias e TSF, mostra António José Seguro com 66% contra 27% de Ventura, enquanto uma sondagem na quinta-feira da Aximage para o Diário de Notícias dá 49% a Seguro e 29% a Ventura, e duas divulgadas na quarta-feira dão 57,1% e 60,5% a Seguro, enquanto Ventura tem 32,4% e 25,6%.

Dos 12 inquéritos divulgados desde o início de novembro, em apenas dois Seguro não tem maior percentagem do que a soma dos que preferiam Ventura com quem não sabia em quem votar neste cenário.

Aplicando a estes cenários a mesma fórmula da Sondagem das Sondagens da Renascença, vemos que Seguro teria 68,5% das intenções de voto num frente a frente com Ventura, que não iria além dos 31,5%.

À Renascença, Henrique Oliveira, professor do Departamento de Matemática e coordenador do agregador de sondagens do Instituto Superior Técnico, alerta que estes cenários divulgados nas últimas semanas podem não dizer muito, porque foram respondidos como um cenário hipotético, mas podem dar "pistas muito boas sobre a taxa de rejeição".

"São cenários hipotéticos. As pessoas ainda não estão confrontadas com a situação real e, portanto, a resposta pode ter sido ainda um pouco leviana", afirma.

Taxa de rejeição de Ventura vai definir segunda volta

Henrique Oliveira lembra as eleições de 1986 para dar o exemplo de Freitas do Amaral que, apesar de vencer a primeira volta das eleições presidenciais, perdeu a segunda.

"Freitas do Amaral tinha 46% a 48% taxa de aceitação. Mas perde, porque tem 52% taxa de rejeição. Os eleitores de Mário Soares, na primeira volta, são pouco mais de 20%, na segunda volta crescem para 52%. A taxa de rejeição de André Ventura é muito alta. Vamos ver se isso se altera com a campanha eleitoral, mas neste momento, André Ventura vai perder por causa da sua elevadíssima taxa de rejeição", afirma o investigador do Técnico.

Henrique Oliveira lembra que há fatores que podem fazer descer a taxa de rejeição de Ventura, como a "não indicação de voto" do líder do PSD, Luís Montenegro, ou de Cotrim de Figueiredo, o candidato apoiado pela IL na primeira volta das presidenciais, que ficou em terceiro lugar.

A sondagem com maior amostra, a da Universidade Católica para a RTP e Público, não incluiu cenários de segunda volta, mas confirmou essa mesma elevada taxa de rejeição de André Ventura: só 33% admite votar no candidato apoiado pelo Chega, enquanto 64% diz que "não votaria de certeza".

Para Seguro, a taxa de rejeição é de apenas 41%, enquanto 54% diz que "pode votar" ou que "votaria sem problemas" no candidato apoiado pelo PS.

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