Presidenciais 2026

Os "soundbytes" da noite que pôs Seguro na "pole position" para Belém

19 jan, 2026 - 01:26 • João Carlos Malta

Era uma noite que prometia emoções fortes, mas o cenário que se foi desenhando nos últimos dias acabou por se confirmar. Serão António José Seguro e André Ventura a estar na segunda volta a 8 de fevereiro. No rescaldo aos resultados, os dois vencedores começaram a testar as estratégias para a decisão daqui a três semanas. Confira as frases que marcaram a reação aos resultados.

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Começou como um candidato que poucos acreditavam ter possibilidades de chegar ao Palácio de Belém, mas António José Seguro chega ao fim da noite da primeira volta destas eleições presidenciais na "pole position" para ser o próximo Presidente da República. Durante o discurso de vitória, lançou já a segunda volta.

“Convido todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a juntarem-se a nós para, unidos, derrotarmos o extremismo e derrotarmos quem semeia ódio e divisão entre os portugueses”, António José Seguro, candidato apoiado pelo PS.

O líder socialista, José Luís Carneiro, não quis deixar passar a oportunidade de capitalizar esta vitória para o PS.

“António José Seguro é o vencedor da noite e é um vencedor claro, pelos indicadores já disponíveis. É um candidato suprapartidário, mas naturalmente que o PS vive com muita alegria este momento especial", José Luís Carneiro, secretário-geral do PS.

O segundo candidato mais votado foi André Ventura, líder do Chega, com mais de 1,3 milhões de votos. Numa sala em apoteose cheia de apoiantes, Ventura diz que a escolha será simples para o povo de direita.

"A luta com o socialismo vai começar agora, na segunda volta [….] Quem hoje liderar a direita para a segunda volta tem a maior probabilidade de poder vencer", André Ventura, candidato apoiado pelo Chega.

E lançou-se contra Seguro, numa antevisão do que serão as próximas três semanas.

"É isto que vamos ter amanhã: uma luta entre o socialismo e quem não quer o socialismo", André Ventura.

João Cotrim de Figueiredo, candidato apoiado pela IL, diz que perdeu, mas que os apoiantes da candidatura que encabeçou ganharam. E culpou o PSD por não estar com Seguro a disputar a segunda volta.

"É provável que tenhamos um Presidente socialista. Tal ficará a dever-se, exclusivamente, a um erro estratégico da liderança do PSD", Cotrim de Figueiredo, candidato apoiado pela IL.

Mas nem todos os liberais quiseram manter o tabu sobre quem apoiam na segunda volta.

“Muitos dos comportamentos do Chega indiciam uma forte ameaça ao Estado de direito”, Mário Amorim Lopes, vice-presidente da IL.

Gouveia e Melo que chegou a ser apontado como o mais forte candidato a vencer estas eleições presidenciais e a liderar sondagens, acaba por ser um dos grandes derrotados da noite. Mas não disse um adeus definitivo à vida pública ativa.

"O país pode contar comigo [...] Ninguém é dono de ninguém. Só sou dono de mim próprio e da minha consciência. Mais tarde falarei [sobre quem apoio] quando achar oportuno", Gouveia e Melo.

Outro dos derrotados da noite, talvez o maior, foi Luís Marques Mendes. O candidato apoiado pelo PSD não quis distribuir culpas.

"A responsabilidade é minha, toda minha e apenas minha ", Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS.

Uma das grandes incógnitas da noite era qual seria a posição do primeiro-ministro no caso de serem Seguro e Ventura a passar à segunda volta. Quem iria apoiar Luís Montenegro? A resposta é ninguém.

"Na segunda volta não estará representado o nosso espaço político. O PSD não estará envolvido na campanha, não emitiremos nenhuma indicação , nem é suposto fazê-lo”, Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder do PSD.

Nos partidos à esquerda, assumiu-se a derrota, num contexto descrito como difícil, mas saem em uníssono a defender o voto em Seguro daqui a três semanas.

"A resposta adequada é votar em António José Seguro com os olhos bem abertos", Catarina Martins, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda.
“O apelo ao voto em António José Seguro na segunda volta não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que defendeu enquanto candidato e tem defendido ao longo da sua atividade política”, António Filipe, candidato apoiado pelo PCP.
"Tinha dito que não seria por mim que Seguro não seria Presidente da República. Agora, digo algo diferente: será por mim que ele será Presidente", Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre.

Por fim, há uma promessa de recandidatura em 2031, daqui a cinco anos. Isto se não houver problemas mentais entretanto. Falamos de Manuel João Vieira.

"É possível [recandidatar-me] se não estiver completamente louco e demente", Manuel João Vieira.
Agora é entre Seguro e Ventura. O filme da noite que derrotou as primeiras apostas
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  • Joao Paulo Araujo De
    19 jan, 2026 Vila do Conde 10:02
    Soundbite (que morde) e não soundbyte

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