Presidenciais 2026

Derrota de Marques Mendes abre buraco de 430 mil euros nas contas da campanha

20 jan, 2026 - 19:06 • Diogo Camilo

Candidato apoiado pelo PSD previa receber 1 milhão de euros em subvenção estatal, mas o fraco resultado na primeira volta apenas dá direito a 568 mil euros de apoios do Estado. Gouveia e Melo fica com prejuízo de 95 mil euros e António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto sem direito a subvenção. André Ventura recebe 1 milhão de euros e Seguro 1,2 milhões — e terão direito a mais um milhão na segunda volta.

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Além da derrota histórica na primeira volta das presidenciais, Luís Marques Mendes terá ainda de fazer contas à vida com os dinheiros de campanha. É que o candidato do PSD obteve apenas cerca de 640 mil votos, quando previa mais de um milhão de votos, provocando um prejuízo superior a 400 mil euros na subvenção estatal que esperava receber.

Cálculos da Renascença aos apoios do Estado que são distribuídos pelos candidatos presidenciais mostram um buraco nas contas do candidato apoiado pelo PSD, que no seu orçamento de campanha entregue na altura da formalização de candidatura previa receber 1 milhão de euros em subvenções estatais.

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Com o pobre resultado na primeira volta deste domingo, de 11,3% dos votos, Marques Mendes irá receber apenas 568 mil euros, o que significa que o candidato terá de pagar os restantes 432 mil euros do seu próprio bolso — ou com a ajuda do PSD.

Mas não é o único nesta posição. Também o almirante Gouveia e Melo, que esperava mais de 800 mil votos nesta primeira volta, recebeu menos de 700 mil votos. Com isso, em vez de receber os 700 mil euros de subvenções estatais que orçamentou, terá direito a apenas cerca de 605 mil, tendo de desembolsar do seu próprio bolso cerca de 95 mil euros.

Ao todo, apenas cinco candidatos vão receber subvenção estatal: António José Seguro, André Ventura, João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes. Estes foram os candidatos que conseguiram pelo menos 290 mil votos, referente a 5% da votação deste domingo.

António José Seguro foi quem liderou os votos e será também quem recebe mais subvenção estatal, no valor de 1,27 milhões de euros, segundo os cálculos da Renascença, enquanto André Ventura receberá cerca de 1 milhão de euros. Cotrim de Figueiredo, que orçamentou apenas 400 mil euros em subvenções, terá direito a mais de 730 mil euros.

Como se distribui a subvenção estatal?

Vão ser distribuídos a estes candidatos cerca de 4,2 milhões de euros da seguinte forma: 20% em partes iguais e 80% de maneira proporcional com os votos de cada um dos candidatos com mais de 5% dos votos.

A subvenção é pedida ao Presidente da Assembleia da República nos 15 dias seguintes ao anúncio oficial dos resultados das eleições e inicialmente é adiantado 50% do valor devido nos dias seguintes à entrega da solicitação.

No entanto, o Estado só paga aquilo que foi efetivamente gasto, "não podendo ultrapassar o valor das despesas efetivamente realizadas", segundo a Entidade de Contas e Financiamentos Políticos.

Na segunda volta, para André Ventura e António José Seguro, estará disponível mais um milhão de euros em subvenção estatal.

Quem não vai receber subvenção estatal?

De fora destas contas ficaram seis candidatos: Catarina Martins, António Filipe, Manuel João Vieira, Jorge Pinto, André Pestana e Humberto Correia.

Nas últimas presidenciais, foram quatro os candidatos a ficarem de fora desta barreira: João Ferreira, Marisa Matias, Tiago Mayan e Vitorino Silva. Nas eleições de 2016, foram vários os casos a ficarem de fora, como o próprio Vitorino Silva, mas também Maria de Belém, Edgar Silva, Paulo de Morais, Henrique Neto, Jorge Sequeira e Cândido Ferreira.

Entre estes candidatos, apenas três previam receber subvenção estatal e terão agora de cobrir estes gastos do seu próprio bolso ou com a ajuda do partido.

António Filipe é o caso mais grave, com 300 mil euros orçamentados em subvenção estatal, enquanto Jorge Pisto previa receber 87 mil euros e Catarina Martins 47.450 euros.

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