Presidenciais 2026

Marques Mendes com um terço dos votos da AD, Cotrim maior que a IL. Como se comparam as presidenciais às legislativas?

20 jan, 2026 - 20:58 • Diogo Camilo

Nos 10 concelhos onde a AD teve os seus melhores resultados nas legislativas de maio, Marques Mendes foi o mais votado em dois, Seguro o candidato com mais votos em três e os outros cinco foram liderados por André Ventura. O candidato socialista só não superou o resultado do PS em dois concelhos do país e Jorge Pinto só foi melhor que o Livre em Amarante, a sua terra natal.

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Para a primeira volta das presidenciais do último domingo, foram a votos sete candidatos apoiados por oito dos partidos mais representados no Parlamento. Se a vitória de António José Seguro foi consequência de um melhor resultado em relação ao que conseguiu o PS nas legislativas de maio de 2025, o quinto lugar de Marques Mendes — com 11,3% dos votos — é reflexo do seu mau resultado em comparação com o da AD.

A coligação de PSD e CDS teve quase 2 milhões de votos nas últimas legislativas e Luís Montenegro continuou a liderar o Governo. Desta vez, o candidato presidencial Luís Marques Mendes não foi além dos 637 mil votos.

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Entre todos os concelhos do país, a votação de Marques Mendes nestas presidenciais fica abaixo do resultado da AD no mesmo município em maio, mas o mais impressionante é a dimensão da queda. Em mais de metade destas derrotas, a queda entre a votação na AD e a votação em Marques Mendes é superior a 20 pontos percentuais.

O resultado "menos mau" de Marques Mendes aconteceu no seu concelho, Fafe, um dos poucos em que foi o mais votado. O candidato apoiado por PSD e CDS teve 31,2% dos votos, mas nas legislativas, a AD tinha conseguido 35,8% — mais 4,6 pontos percentuais.

Este resultado de Marques Mendes em Fafe foi o seu segundo melhor, apenas atrás de Boticas, onde também venceu (com 32,9%), mas com um resultado muito abaixo do arraso da AD em maio — onde ganhou com 62,6%, uma diferença de quase 30 pontos que se distribuíram entre Ventura, Seguro, Gouveia e Melo e Cotrim de Figueiredo.

Os maiores trambolhões de Marques Mendes em relação ao resultado de maio da AD aconteceram no interior Norte — Aguiar da Beira, Arouca, Sernancelhe, Mesão Frio — e na Madeira — Calheta, São Vicente e Santana. Nestes territórios foi André Ventura a crescer.

Cotrim vale mais do que a IL

As presidenciais tiveram o efeito contrário no candidato liberal e no partido que o apoiou. Depois de ver a Iniciativa Liberal (IL) conseguir cerca de 5,4% dos votos em 2025, João Cotrim de Figueiredo superou a IL em todos os concelhos do país em, pelo menos dois pontos percentuais.

O concelho onde Cotrim teve o melhor resultado foi em Cascais, com quase 25% dos votos, município onde superou o resultado dos liberais nas legislativas por maior margem — mais de 15 pontos percentuais.

Ainda assim não foi o suficiente para vencer qualquer concelho. O melhor que conseguiu foi ser segundo em 11 concelhos - nove à frente de Ventura e dois à frente de Seguro, em Oliveira do Bairro e Vagos.

O mapa por concelhos mostra como Cotrim cresce em todo o país, com maior margem nos centro urbanos como a Grande Lisboa, na região de Leiria (onde o PSD é tradicionalmente forte) e no Grande Porto.

A subida mais baixa de Cotrim aconteceu em Penamacor, a terra de António José Seguro e onde o vencedor desta primeira volta dominou.

Seguro vence 227 concelhos

O concelho de Penamacor é, precisamente, o maior expoente de vitória de António José Seguro no último domingo.

Aqui, o PS tinha sido o partido mais votado nas legislativas de 2024, com cerca de 35% dos votos. Um ano depois, perdeu seis pontos percentuais e foi a AD a força política mais votada nas legislativas do ano seguinte, conseguindo não mais do que 28,9%.

Na sua vila natal, António José Seguro teve 71,3%, mais do que duplicando o resultado do PS no espaço de oito meses.

A tendência confirmou-se no resto do país: só em dois concelhos, Seguro não teve um resultado maior nesta primeira volta das presidenciais do que o do PS nas legislativas — em Porto Moniz, na Madeira, e em Freixo de Espada à Cinta.

O candidato socialista foi o mais votado em 227 concelhos e ficou no segundo lugar noutros 73, com sete municípios onde foi o terceiro votado e um único onde teve menos votos que Ventura, Marques Mendes e Cotrim: Vagos, com 16,6% dos votos.

Seguro consegue ainda a proeza de superar Gouveia e Melo em todos os concelhos do país e apenas ficar atrás de Cotrim em dois e de Marques Mendes em oito deles.

Ventura cresce em terreno laranja

Um dos concelhos onde Seguro não cresceu face ao PS explica-se através de André Ventura. O candidato apoiado pelo Chega dominou e cresceu em relação aos resultados do partido nos territórios que têm sido do PSD — no interior Norte e na Madeira.

Ventura foi o mais votado em 80 concelhos e e o segundo mais votado noutros 210 municípios e a sua maior vitória aconteceu no concelho onde o Chega conseguiu a sua primeira câmara municipal em outubro: São Vicente, na Madeira, com 43,6% dos votos. Nas legislativas, o partido tinha conseguido apenas 20,6% dos votos, enquanto a AD teve 48,4%.

O mesmo cenário é observável noutros concelhos da ilha da Madeira, onde os eleitores preferiram Ventura a Seguro — Ribeira Brava, Câmara de Lobos, Calheta, Ponta do Sol e Porto Santo.

Nos 10 melhores resultados da AD nas legislativas de maio, Marques Mendes foi o mais votado em dois, Seguro o candidato com mais votos em três e os outros cinco foram liderados por André Ventura.

Entre os partidos mais pequenos e os candidatos que apoiaram, a maior queda é a do Livre, com Jorge Pinto a conseguir apenas cerca de 38 mil votos — menos 220 mil que o partido teve em maio nas legislativas.

O único concelho onde Jorge Pinto teve mais votos que o partido foi em Amarante, a sua terra natal, com 4,56%, quase mais 400 votos do que em maio.

Mas em Lisboa, onde teve o seu melhor resultado nas legislativas, o Livre perdeu mais de 27 mil votos — a votação em maio foi de 9,4% e Jorge Pinto teve apenas 0,75%. As outras grandes quedas do Livre e Jorge Pinto aconteceram noutros centros urbanos, como Oeiras, Almada, Porto, Alcochete, Cascais e Amadora, todas acima dos 5 pontos percentuais.

Catarina Martins consegue um resultado semelhante ao que teve o Bloco de Esquerda nas legislativas de maio - menos 9 mil votos, mas mais sete centésimas em percentagem -, mas o curioso é onde consegue os votos.

A candidata perde em todos os centros urbanos, mas ganha votos no Alentejo e especialmente na Madeira, onde a percentagem em relação ao Bloco é 3 a 4 pontos superior.

António Filipe só cresceu em quatro concelhos, face à votação da CDU em maio: em Alvaiázere, Figueira de Castelo Rodrigo, Oleiros e Mogadouro, mas em todos os casos nunca mais do que 0,1 pontos percentuais.

A maior queda do candidato comunista face ao resultado da CDU foi em Serpa, Mora e Arraiolos, cenários onde teve menos 10 pontos percentuais que nas legislativas.

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  • Petervlg
    21 jan, 2026 Trofa 08:20
    Sejam sérios, estão a comparar o quê? Não existe comparação, entre as eleições, as quais se estão a referir. Nas legislativas vota-se um projeto um rumo, aqui vota-se na pessoa/candidato, depois existem os "outros", que se julgam muito importante, que apoiam essa pessoa/candidato. Ter um partido ou uma pessoa, a dizer em quem devem votar, é simplesmente estupido e sem nexo.

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