Presidenciais 2026

Cotrim de Figueiredo cria movimento cívico após terceiro lugar nas presidenciais

23 jan, 2026 - 22:01 • Alexandre Abrantes Neves

Em entrevista à SIC Notícias, Cotrim anunciou o próximo passo da vida política, sem dizer que não a uma candidatura nas presidenciais de 2031. Depois de uma campanha a descolar-se da IL e de conseguir mais do dobro dos votos do partido em legislativas, o eurodeputado procura agora uma plataforma agregadora para não perder o eleitorado.

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Depois do terceiro lugar nas presidenciais e de conseguir mais do dobro dos votos da Iniciativa Liberal (IL) nas últimas legislativas, João Cotrim de Figueiredo avança agora para a criação de um movimento cívico.

"Pretendo apenas que esses 900 mil votos que aderiram em massa a uma forma de fazer política mais positiva, mais otimista, mais exigente também que o país, com mais ambição, e que vieram de todos os partidos, não fiquem sem um sítio onde possam manter aquela energia, manter aquela vontade de colaborar e de participar", afirmou em entrevista à SIC Notícias esta noite, antecipando-se a qualquer outro candidato que quisesse tomar uma ação do género (como chegou a ser admitido, e depois corrigido, por Gouveia e Melo durante a campanha eleitoral).

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O candidato apoiado pela IL na primeira volta decidiu pegar na iniciativa “Horizonte 2031” (uma lista lançada no início da pré-campanha com mais de 100 personalidades, de diversas áreas, que declararam o apoio à sua candidatura) e formalizá-la num movimento para organizar eventos “online e offline” e para influenciar a "agenda pública e política" – e cujo nome deixa desde logo no ar a possibilidade de Cotrim já estar a pensar nas presidenciais de 2031.

"Fazer planos na política a cinco anos não me parece muito sensato. Portanto, não vou dizer que não, mas também não estou certamente a dizer que sim", apontou.

Esta é mais uma das evidências da demarcação entre a IL e o futuro político de João Cotrim de Figueiredo. Já no passado domingo, no discurso da noite eleitoral onde assumiu a derrota por não chegar à segunda volta, o também eurodeputado vincou que o caminho construído com a sua candidatura presidencial não podia ficar por ali – sem, contudo, deixar qualquer referência, direta ou indireta, ao partido que já liderou.

“Esta campanha nunca foi apenas uma campanha eleitoral. Foi um desafio aos portugueses que querem um país que pense mais, decida melhor e exija mais de si próprio. É uma grande vitória desses portugueses, vossa. Por isso, hoje não tem de ser um fim. Pode muito bem ser o princípio de um caminho que se abriu para que alguém o possa trilhar”, afirmou numa plateia onde se encontrava a líder da IL, Mariana Leitão, e o vice-presidente do partido, Ricardo Pais Oliveira.

Esta noite, na SIC Notícias, Cotrim de Figueiredo assinalou que é militante da Iniciativa Liberal (voltou a dizer que a liderança da IL está “bem entregue” a Mariana Leitão), mas não se esqueceu de traçar a linha que parece cada vez mais definitiva na sua cabeça e que o distingue do partido.

“Eu sou membro da Iniciativa Liberal, portanto eu gostava muito que isto resultasse num aumento da força e do peso da Iniciativa Liberal. Mas, se isso resultar num aumento da força das pessoas que querem fazer política de forma positiva e mudar o país, reformá-lo efetivamente, em qualquer outro partido, eu também fico satisfeito”, afirmou.

Cotrim de Figueiredo aponta "erro estratégico da liderança do PSD" na hora da derrota
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Ainda durante a campanha eleitoral, Cotrim de Figueiredo sempre assumiu que queria expandir a base eleitoral para lá do eleitorado habitual da IL, jovem e de classe económica mais elevada. Para isso, descolou-se do partido, fosse com a pouca presença de figuras liberais nas ações de campanha, fosse nos temas abordados – falou diversas vezes da importância da saúde e visitou perto de uma dezena de lares de idosos nas duas semanas antes das eleições.

O objetivo de arrecadar mais votos ao centro-direita e de ficar à frente de Marques Mendes acabou concretizado, mas Cotrim sabe que a margem para a IL conseguir manter este eleitorado é curta. Por isso, o antigo líder liberal tem noção de que o seu futuro na política nacional – seja em Belém ou não – precisa de dar um passo em frente, para uma plataforma mais agregadora.

“Esta campanha partiu de uma base eleitoral baixa, que era o meu partido de origem, não teve particulares recursos, não teve uma cobertura mediática superior a outros, pelo contrário”, relembrou nesta noite de sexta-feira também.

O capítulo que se segue é, por isso, o de um movimento “apartidário” (como Cotrim frisou várias vezes) e que, pelo menos por enquanto, não tem qualquer ambição de saltar do âmbito cívico para o partidário.

“Não creio que haja espaço para um novo partido político nesta altura e não seria útil. Já há fragmentação suficiente”, considerou, adiantando depois que "já na segunda-feira" regressa à cadeira de eurodeputado em Bruxelas.

Assédio. “Mostrei que não fazem de mim o que querem”

Sobre o tema do alegado assédio sexual, Cotrim de Figueiredo voltou a mostrar nervosismo e, depois de dizer que preferia “não responder” a questões e de vincar que só quer pronunciar-se em tribunal, o antigo líder da IL assumiu que o tema “não foi positivo” para a campanha, mas não o colou à não passagem para a segunda volta. “Se assim foi, foi demasiado fácil influenciar o resultado da minha eleição presidencial e isso deve preocupar-nos a todos”, afirmou.

Depois de várias acusações de “campanha suja” sem especificar e de acusar os jornalistas de serem “cúmplices”, o também eurodeputado mantém que a sua postura foi “adequada”.

“Há um velho ditado dos nativos americanos dos índios que diz: ‘nunca julgues um homem antes de andar pelo menos uma milha nos seus mocassins’. Portanto, quem nunca passou pelo que eu passei naquela semana que atire a primeira pedra”, afirmou. “Posso ter falhado em todas as provas de fogo. Duvido que haja uma prova de fogo tão difícil como aquela que eu passei naquela semana”.

Depois das críticas de Marques Mendes sobre a reação ao caso, Cotrim voltou a dizer que não considera que tenha mostrado pouca capacidade para lidar com a pressão.

“Para uns poderá ter essa imagem para outros terá de ser a imagem de alguém que se sentiu porque é filho de boa gente”, respondeu. “Até revelei que não podem fazer de mim o que querem em nenhuma circunstância”.

[Artigo atualizado às 23h18 com mais declarações de Cotrim de Figueiredo]

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  • Carlos
    24 jan, 2026 Faro 17:30
    Porque motivo em certas ocasiões estão 3 canais a emitir a mesma chachada? Por que motivo os canais contratam comentadores que só vão publicitar a sua tendência politica?
  • Maria
    24 jan, 2026 Palmela 12:25
    As tias de cascais que te aturem!

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