Presidenciais 2026
Do "constrangedor" ao "falhanço em toda a linha". Ventura esquece campanha presidencial e fala como líder do Chega
01 fev, 2026 - 21:45 • Filipa Ribeiro
O candidato presidencial centrou o discurso em críticas ao programa do Governo para ajudar na recuperação dos estragos provocados pela tempestade Kristin. André Ventura diz que vai tirar os outdoors para servir de abrigo. Reforça que "não quer saber das eleições" e que "quer pegar no primeiro-ministro para o levar à janela" para mostrar o agravamento do estado do tempo.
Depois do "que se lixem as eleições", André Ventura disse este domingo que "não quer saber das eleições, nem dos votos" e reforçou ter ido ao terreno como cidadão e não como candidato presidencial. No dia em que o Governo anunciou medidas de apoio para as pessoas afetadas pela tempestade, o líder do Chega esqueceu as presidenciais e reforçou as críticas aos apoios com tom de líder da oposição.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.
André Ventura considerou o plano do Governo um "falhanço em toda a linha" e até defendeu que era preferível que Luís Montenegro se mantivesse em silêncio em vez de anunciar 537 euros de apoio a pessoas afetadas e mais de mil às famílias. O líder do Chega considera ser uma "vergonha" o valor definido pelo executivo para os apoios e entende que o Governo está a "gozar com as pessoas".
O candidato presidencial passou o domingo em dois quartéis de bombeiros: primeiro em Braga, nos bombeiros voluntários que inauguraram um novo edifício já com Luís Montenegro, e depois em Vila Verde, no auditório dos bombeiros voluntários, onde quis ouvir autarcas do partido.
O discurso manteve-se sempre o mesmo: a tempestade Kristin, os apoios e a gestão do Governo. André Ventura alertou o Governo sobre os próximos dias e voltou a insistir que era essencial garantir a entrega de telhas a quem ficou sem telhado com a tempestade, e que o risco se mantém face à previsão de chuva intensa. O líder do Chega, também candidato presidencial, sublinha que tem vontade de "pegar no primeiro-ministro e levá-lo à janela para ver o estado do tempo".
André Ventura não tem telhas, mas na tertúlia que organizou no quartel dos bombeiros de Vila Verde anunciou que vai retirar os outdoors da campanha presidencial para os doar, para que sirvam de abrigo, para animais, por exemplo. O candidato fez ainda referência às redes sociais, onde se mostra de fato de treino a carregar lonas para entregar.
Nas críticas que tem repetido ao Governo, Ventura voltou a insistir na mobilização das Forças Armadas. Considera que "estavam disponíveis e com vontade" e que o Governo "falhou sempre no essencial".
O candidato presidencial e presidente do Chega, no ataque ao Governo, diz que o plano apresentado e os valores definidos deixariam qualquer país na Europa surpreendido.
Para André Ventura, reforçar os telhados danificados e estar junto das pessoas devia ser a prioridade de todos nos últimos dias. Mesmo quando questionado sobre o que faria de diferente, essa é sempre a sua resposta.
O líder do Chega entende que era necessário acelerar a entrega dos apoios à população sem grandes entraves burocráticos. No caso dos 200 milhões de euros que vão ser entregues às CCDR, André Ventura entende que deviam ser entregues às autarquias. Quando questionado sobre como se controlaria e evitaria o desvio de fundos, como o que aconteceu em Pedrógão Grande, Ventura diz que "as pessoas precisam de apoio rápido e não de vistoria".
Nas dicas ao Executivo, já na tertúlia montada em Vila Verde, André Ventura defendeu a isenção de impostos para a reconstrução de casas afetadas pela tempestade.
"Nós temos, infelizmente, em Portugal, um regime que taxa e cobra para tudo, nomeadamente para a reconstrução de casas, para a aquisição de materiais de construção, nos casos do IVA sobre os bens de consumo, para o pedido de licenças às câmaras municipais, etc. O Governo deu hoje algum passo neste sentido em matéria de licenças e em matéria de desburocratização dessa parte, mas falta o resto, que é o assumir a não cobrança total de taxas, taxinhas e impostos que tenham a ver com a reconstrução", disse depois de o Governo ter anunciado que as obras de reconstrução, públicas e privadas, ficam dispensadas de licenciamento e de controlo prévio urbanístico, ambiental e administrativo.
A campanha de André Ventura não tem perdido o foco da tempestade. O candidato já fez recolha de bens e já visitou Leiria duas vezes com a comunicação social. Nas redes sociais tem feito vídeos onde se mostra a fazer as doações e tem evitado, mesmo nesta tertúlia em Vila Verde, falar de outro assunto que não a gestão da tempestade.
No fundo, a poucos dias de um embate para decidir quem entra em Belém, André Ventura está mais focado na residência do primeiro-ministro, ao apontar inclusive este domingo como "um dos dias mais negros e o maior falhanço" do atual Governo.







