Presidenciais 2026

Ventura volta ao ataque e no final da campanha teme "tentar e não conseguir"

04 fev, 2026 - 23:18 • Filipa Ribeiro

O candidato presidencial chegou esta quarta-feira a terreno fértil do Chega, no Alentejo, mas manteve-se em ações mais reservadas dedicadas ao temporal. Ainda assim, insistiu que Marcelo Rebelo de Sousa não deve viajar para Madrid, recusou apelar à mobilização para as eleições de domingo e centrou-se na gestão da situação de calamidade. Criticou o adversário ao considerar que Seguro será um "Presidente de conversas à lareira". Ao final do dia, admite que nestas eleições será uma "moenga" "tentar e não conseguir".

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André Ventura em Beja Foto: Tiago Petinga / Lusa
Ouça a reportagem de Filipa Ribeiro. Foto: Tiago Petinga/Lusa

No caminho para Belém, André Ventura volta a dar destaque ao atual Presidente da República para criticar a intenção de Marcelo Rebelo de Sousa de concretizar a visita de Estado a Madrid, depois de já ter ido ao Vaticano numa altura em que parte do país está em situação de calamidade.

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O candidato presidencial considera que "é um erro" a viagem que está pensada e espera que Marcelo Rebelo de Sousa "perceba a tempo". O Presidente da República só decide esta quinta-feira, mas André Ventura quis insistir que "não é respeitável" que Marcelo Rebelo de Sousa decidia ir a Madrid, mesmo que só durante um dia.

Considera que, "se colocar a mão na consciência", Marcelo Rebelo de Sousa vai entender que foi um "erro" ter saído do país com o país a atravessar um momento difícil. "O que é um Presidente vai fazer para Espanha quando o país está a cair aos bocados?"

André Ventura entende que o chefe de Estado deve estar no país e, mesmo reconhecendo que a permanência de Marcelo Rebelo de Sousa no país "não resolve os problemas a curto prazo", assume que dá um bom sinal às pessoas que estão a sofrer ainda com as consequências da tempestade Kristin.

Ventura quer Marcelo "exigente" até dia 9 de março e outro Presidente tomar posse, de forma a garantir que qualquer chefe de Estado vai ser exigente com o trabalho do Governo nas regiões afetadas pelo mau tempo.

Num dia passado em Beja entre um posto da GNR e uma exploração de vinho e azeite, fazendo o exercício de ser candidato à Presidência da República, compromete-se que, se chegar a Belém, com este contexto irá cancelar viagens que tenha programadas.

Criticas feitas, André Ventura quis abrir espaço a um elogio. Ficou satisfeito por Marcelo Rebelo de Sousa pressionar o Governo sobre o mecanismo europeu e estendeu os elogios aos esclarecimentos de Luís Montenegro. O primeiro-ministro disse esta quarta-feira que o apoio de pouco mais de mil euros para as famílias lesadas pelo mau tempo, afinal, é mensal e pode chegar aos 12 mil euros.

Ventura foi muito critico ao valor inicialmente apresentado e diz ter ficado agora mais agradado com o que foi esclarecido. O candidato presidencial acredita que a decisão, que afinal foi esclarecimento, se deveu às suas críticas. "Quer Governo, quer Presidente da República voltaram um bocadinho atrás e foram ao encontro daquilo que tenho defendido", disse.

No entanto, em tom de líder de oposição, pediu ao Governo que prolongue a isenção sobre as portagens nas regiões afetadas. Questionado sobre até quando deve ser prolongada essa isenção, André Ventura entende que deve ser durante "o período de reconstrução definido no plano da Proteção Civil.

Ataques subtis a Seguro. "O Presidente de conversas à lareira"

Na campanha de André Ventura as críticas ao candidato apoiado pelo PS vão surgindo, por vezes em forma de resposta ao que tem chegado da candidatura de Seguro. Esta quarta-feira, questionado sobre o facto de Seguro ter defendido que, com André Ventura em Belém, os próximos cinco anos serão de turbulência, o líder do Chega voltou a acusar o adversário de não apresentar ideias concretas sobre assunto algum. "Eu percebo que quem não tem mais nada para dizer ao país, tenha essa opinião", afirma.

Nas declarações aos jornalistas, André Ventura considerou que do adversário surgem apenas "um conjunto de ataques consecutivos" alegando estar a chegar "o ódio, a extrema-direita e o fascismo" e não " soluções concretas para as tempestades e para a Proteção Civil".

Num breve piscar de olho ao dia 8 de fevereiro, Ventura no final das críticas ao adversário faz o rodapé de que na segunda volta do próximo domingo, 8 de fevereiro, "os portugueses têm que decidir se querem um Presidente que seja a mesma coisa num ambiente de conversas à lareira ou alguém que tome decisões e faça coisas".

Ventura recusa apelo à mobilização

André Ventura "tem mais que fazer" do que apelar ao voto. Nos últimos dias, tem ignorado os apelos de António José Seguro à participação nas eleições do próximo domingo. Para o candidato presidencial, "não lhe faz sentido que a mensagem seja o apelo ao voto".

André Ventura, que é também líder da oposição e que tem interpretado bem o papel, mesmo que não o afirme diretamente, entende que a sua mensagem durante estes dias que são de campanha presidencial deve manter-se com um foco para que "se resolvam os problemas" das pessoas afetadas pelo mau tempo.

O líder do Chega e candidato ao Palácio de Belém realça que "quando chegar o momento (de votar) as pessoas decidirão quem tem o melhor perfil", acreditando ter já mostrado que tem um perfil "que decide e não deixa tudo na mesma", diz subtilmente em tom de crítica leve ao adversário.

A chatice destas eleições? "Tentar e não conseguir"

As sondagens podem até encurtar a distância entre Ventura e Seguro, mas o candidato presidencial tem assumido ter consciência de que o desafio no domingo será difícil.

André Ventura não tem focado o discurso na procura de votos e tem se concentrado quase sempre em ser líder da oposição. Já foi questionado sobre se não está preocupado com o possível aumento da abstenção, mas prefere sempre falar sobre o que se tem passado no país em que milhares de pessoas foram afetadas por uma tempestade.

Com o foco no mau tempo, a campanha tem sido desenhada sempre em torno do mesmo ponto com ações semelhantes. Esta quarta-feira, além de uma visita à porta fechada num posto da GNR, em Beja, voltou ao terreno para visitar uma exploração de vinho e azeite na cidade que foi afetada pelo mau tempo. No local, a chuva persistente no terreno de barro provocou lençóis de água que não deixam os mais de 50 trabalhadores da empresa prosseguirem no tratamento das vinhas para reiniciar o processo de crescimento das uvas.

André Ventura considera que deve ser esse o seu foco nesta campanha. Num tom curioso, nessa adega que visitou esta tarde, foi-lhe apresentada uma garrafa de Moenga que quer dizer "chatice". Questionado sobre qual será a sua moenga nestas eleições", André Ventura assumiu que será "tentar e não conseguir".

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