Presidenciais 2026
Dos 6% aos 66%. O dia em que o "patinho feio" se transformou no Presidente mais votado de sempre
09 fev, 2026 - 02:36 • João Carlos Malta
A consagração de António José Seguro confirmou o favoritismo que as últimas três semanas lhe davam, mas o começo da caminhada que agora termina em Belém foi tudo menos fácil. O Presidente da República eleito olhou para o passado e lembrou quando as sondagens o deixavam na cauda do pelotão, mas também falou do futuro quando quis marcar o tom para os próximos cinco anos. O filme da noite que levou o homem de Penamacor, em que poucos acreditavam, ao lugar na História por ter sido o político que mais votos recebeu dos portugueses.
Nos dias de euforia, muitos esquecem os momentos difíceis em que tudo parece negro. O Presidente da República eleito, António José Seguro, com 66,8% dos votos, quis recordar, na saída de casa em direção ao Centro Cultural das Caldas da Rainha, que a caminhada para Belém começou com uma sondagem que lhe dava “6%“.
Seguro reconheceu a beleza do momento. “É bonito”, disse. Em relação a um possível sentimento de vingança perante um partido, o PS, que muito demorou em o apoiar e um país que o viu no início com muita desconfiança, Seguro não quer sequer falar em “ajuste de contas”.
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Até porque a noite era de recordes. Nos próximo cinco anos, o menino de Penamacor - filho de uma família simples que aprendeu o valor do trabalho - vai ser o próximo inquilino de Belém.
Obteve quase 3,5 milhões de votos, o maior número de eleitores de sempre a escolher um só candidato numa eleição em Portugal, ultrapassando o número recorde de votantes em presidenciais, que pertencia a Mário Soares nas eleições de 1991.
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Esta noite eleitoral começou logo de forma arrasadora para o lado de Seguro e sem pouca margem para dúvidas sobre quem ganhava e quem perdia. Em todas as sondagens das televisões, anunciadas às 20h00, Seguro aparecia com valores a rondar os 70% e Ventura ficava pelos 30%.
Com o vencedor definido, só faltava saber o tamanho da vitória, para perceber se Seguro teria a legitimidade reforçada que pedia, e o tamanho da votação de Ventura para aferir se o presidente do Chega poderia fazer o discurso de novo líder da direita.
Mas vamos primeiro ao palco do vencedor. António José Seguro quis desde já dizer o que quer ser nos próximos anos: "Não serei oposição, serei exigência". Disse também que não será por ele que o Governo não vai cumprir a legislatura até ao fim.
Estas foram duas das promessas de Seguro perante um Centro Cultural das Caldas da Rainha cheio, em que centenas de apoiantes o receberam no palco com gritos de "Vitória".
Seguro afirma que os portugueses não desculparão os políticos se tudo ficar na mesma e promete que irá ser "o impulsionador dessa mudança para uma cultura de compromisso focada em soluções e na melhoria da vida dos portugueses".
"Comigo não ficará tudo na mesma", prometeu. "Estarei vigilante. Farei as perguntas difíceis e exigirei as respostas que o país precisa", acrescentou.
Sobre o uso da palavra, Seguro disse que não falará "por tudo e por nada". "Mas quando falar, será para defender o interesse público, garantir a independência nacional e assegurar as condições do exercício da nossa soberania", garantiu.
Ventura na derrota de hoje canta a vitória de amanhã
Em Lisboa, foi com um silêncio profundo que o quartel-general do Chega, no hotel Marriot, recebeu os resultados da noite. Mas horas depois foi em euforia que recebeu o líder. Apesar da expressiva derrota, Ventura conseguiu ver o caminho da vitória. Não nestas eleições, mas numa das que se vão seguir nos próximos anos.
"Os portugueses colocaram-nos no caminho para governar este país", declarou este domingo André Ventura.
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No discurso de derrota, o líder do Chega salientou que, "mesmo não vencendo, este movimento teve o melhor resultado de sempre na nossa história".
André Ventura arrecadou cerca de 1,7 milhões de votos e 33,18% na segunda volta das presidenciais. E com esta percentagem disse ter superado o resultado da AD, nas últimas eleições legislativas.
No discurso que encerrou uma longa campanha presidencial, o candidato apoiado pelo Chega diz que lutou "contra todo o sistema político português" nestas eleições e voltou a autoproclamar-se líder da direita em Portugal, como já tinha feito na primeira volta.
Voltando aos resultados, a vitória de Seguro foi tão expressiva que Ventura, que na primeira volta tinha ganho 79 concelhos, passadas três semanas só venceu em dois (Elvas e São Vicente).
Descendo ao pormenor e às terras-natais dos candidatos, Seguro venceu nas duas. Com 80% em Penamacor, onde nasceu, e Ventura só teve 35% em Mem Martins, de onde é natural.
Mas, claro, as reações desta noite eleitoral não se ficaram pelos candidatos. Os partidos também reagiram, bem como o primeiro-ministro.
Luís Montenegro acredita que a "cooperação e colaboração" entre São Bento e Belém "será a nota dominante que garantirá a estabilidade política em Portugal".
Questionado sobre as reservas de António José Seguro em relação ao pacote laboral colocado em cima da mesa pelo Governo, Montenegro promete alterar a proposta.
“Não escondo que atenta a posição de vários dos parceiros sociais, em particular das confederações sindicais, é natural que haja uma evolução e dentro dessa evolução também algumas reservas que os candidatos, entre os quais o agora Presidente eleito apresentaram sobre a proposta inicial do Governo, possam ser ultrapassadas.”
Já o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, além dos parabéns a Seguro, quis dar uma alfinetada ao Governo: “Tem sobre si uma grande responsabilidade. Só não responderá aos problemas dos portugueses se continuar a insistir na insensibilidade, na arrogância e no distanciamento”.
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Do lado do Chega, Pedro Pinto, secretário-geral do partido, reagiu às primeiras projeções com algum desalento. “Não vai ter grande história e está praticamente decidida”, disse.
Mas logo de seguida marcou tom que depois o líder usaria horas mais tarde. Agradeceu a quem votou em condições difíceis, a quem esteve nas mesas de voto e ao partido que se mobilizou. “Fomos os grandes vencedores da direita em Portugal”, enalteceu.
O pano caiu cedo na noite nestas eleições, pelo menos por uma semana. Isto porque o mau tempo, que vai continuar a marcar os próximos dias, faz com que ainda faltem apurar os resultados de 17 freguesias e outras três seções de voto em oito municípios diferentes, que adiaram as eleições para 15 de fevereiro.
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