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Quem é Luís Neves, o novo ministro da Administração Interna
21 fev, 2026 - 18:50 • Fábio Monteiro
Luís Neves toma posse segunda-feira como ministro da Administração Interna, após oito anos à frente da Polícia Judiciária. Investigador criminal de 60 anos sucede a Maria Lúcia Amaral num ministério sob pressão política e operacional. Reforma da Proteção Civil, negociações com PSP e GNR e preparação da época de incêndios marcam o início do mandato.
Luís António Trindade Nunes das Neves toma posse na segunda-feira, em Belém, como ministro da Administração Interna, sucedendo a Maria Lúcia Amaral. A nomeação surge após a demissão da anterior titular na sequência das críticas à gestão da resposta à depressão Kristin.
Com 60 anos e oito à frente da Polícia Judiciária, Luís Neves chega ao Governo depois de três décadas ao serviço da investigação criminal. Assume uma tutela que integra PSP, GNR, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e coordena o Sistema de Segurança Interna.
Numa entrevista gravada ainda enquanto exercia funções como diretor da Polícia Judiciária para o podcast “Direito à Justiça”, uma parceria da Renascença com a Ordem dos Advogados cujo primeiro episódio será emitido em março, deixou um posicionamento claro sobre a situação remuneratória na PSP.
“Não é aceitável que um elemento venha a entrar como agente da PSP, que vem do interior do país, de onde eu sou, também sou beirão, sou da Beira Baixa, que venha, por exemplo, da minha terra, tem que ser colocado em Lisboa, em que metade do seu vencimento é para pagar uma casa. Isso não é possível”, afirmou.
“Não é possível continuar a ter salários tão baixos, porque não é atrativo”, reforçou ainda, alertando para o impacto na autoestima dos profissionais e no risco de afastar bons quadros da função policial.
Entre os principais dossiês que herda estão a preparação da próxima época de incêndios, a reforma da Proteção Civil, agora anunciada para depois dos fogos, alterações no SIRESP e a retoma do sistema europeu de controlo de fronteiras nos aeroportos, nomeadamente em Lisboa.
Mantêm-se também negociações em curso com sindicatos da PSP e associações da GNR, num contexto de contestação.
Luís Neves é o novo ministro da Administração Interna
Luís Neves era, até agora, diretor nacional da Pol(...)
Percurso e casos mediáticos
Licenciado em Direito, Luís Neves iniciou atividade na advocacia antes de ingressar na Polícia Judiciária, em 1995. Desde então, esteve sempre ligado à investigação de crime violento e organizado, terrorismo e extremismo.
Passou pela Direção Central de Combate ao Banditismo, depois designada Unidade Nacional Contra-Terrorismo, que liderou. Em 2018 foi nomeado diretor nacional da PJ pelo Governo de António Costa, encontrando-se atualmente na terceira comissão de serviço.
Ao longo da carreira, esteve associado ao desmantelamento de células da ETA em Portugal, à detenção de “skinheads” e do líder de extrema-direita Mário Machado, bem como à detenção em Itália do ex-espião do SIS Frederico Carvalhão Gil. Investigou redes de máfias de Leste, tráfico de armas e assaltos a caixas multibanco com recurso a explosivos.
Um dos primeiros casos mediáticos ocorreu em 2001, com a barricada de Manuel Subtil numa casa de banho da RTP. Já como responsável máximo da PJ, liderou a investigação ao furto de material de guerra nos paióis de Tancos.
“Não houve nenhuma guerra, partilhámos aquilo que sabíamos. A partir do fatídico dia 4 de julho de 2017 em Tancos disse-se aquilo que não se devia ter dito, e a partir daí foi um desvario que inviabilizou que a investigação pudesse ser desenvolvida com maior rapidez”, afirmou Luís Neves.
Sob a sua direção, a PJ desencadeou uma das maiores operações na Madeira, com mais de uma centena de inspetores, num processo relacionado com suspeitas de corrupção, prevaricação, abuso de poder e tráfico de influência, que envolveu o Governo Regional.
Foi também responsável pela detenção de João Rendeiro, na África do Sul, após meses de fuga à justiça portuguesa.
“Tudo faremos para que a justiça seja materializada nesta parte final”, disse Luís Neves, aquando do anúncio da captura.
Em audição parlamentar, rejeitou uma ligação entre imigração e criminalidade violenta.
“O país não é corrupto e as instituições não são corruptas”, disse Luís Neves, adiantando que “sim, há corruptos” e que a PJ irá “reforçar esse combate à corrupção”.
Durante o mandato, promoveu a modernização da PJ, reforçou quadros e integrou elementos provenientes do extinto SEF. O aumento do subsídio de risco dos inspetores gerou contestação na PSP e na GNR.
Novo MAI
Carneiro considera que Luís Neves será "personalidade forte" em "Governo frágil"
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, diss(...)
Reações políticas
A nomeação de Luís Neves gerou reações que oscilaram entre reconhecimento do percurso e avisos quanto às exigências do cargo.
“Queria dizer que tenho a melhor das impressões do doutor Luís Neves. É um excelente profissional, a quem quero desejar as maiores felicidades. É uma personalidade forte num Governo apesar de tudo frágil”, afirmou José Luís Carneiro.
O secretário-geral do PS acrescentou: “Primeiro, não há qualquer relação entre imigração e segurança. É a primeira observação objetiva e factual que poderá ser demonstrada por parte do ministro da Administração Interna”.
E deixou um apelo: “Espero que, como Luís Neves, não se ande para trás no esforço que foi feito no desenvolvimento do Sistema de Segurança Interna”.
Do lado do Chega, foi prometido escrutínio apertado. “O novo ministro da Administração Interna vai ter muitos dossiers para resolver”, afirmou Rui Gomes da Silva, enumerando as carreiras das forças de segurança, o comando unificado dos bombeiros e a reorganização da Proteção Civil.
O advogado acrescentou: “O Chega vai ser implacável no escrutínio do novo ministro da Administração Interna”.
PCP defendeu que a questão central reside na política a adotar e nas condições e meios atribuídos às forças sob tutela do ministério.
Pela Iniciativa Liberal, Mariana Leitão afirmou que “o país precisa de reformas concretas, melhor coordenação, planeamento eficaz e capacidade real de resposta”, garantindo acompanhamento atento do desempenho do novo governante.
Livre classificou a escolha como positiva, sublinhando a experiência e a defesa de valores democráticos, mas advertiu para a complexidade estrutural do ministério. O Bloco de Esquerda desejou sucesso ao novo ministro, referindo a importância do combate à criminalidade motivada pelo discurso de ódio.
Exclusivo Renascença
Novo ministro da Administração Interna considera “inaceitável” salários baixos na PSP
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[Notícia atualizada às 09h22 de 23 de fevereiro de 2026 para corrigir a indicação de que Rui Gomes da Silva é deputado]











