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Passos Coelho garante que não se vê como oposição interna no PSD

01 mar, 2026 - 00:49 • Marisa Gonçalves

Antigo primeiro-ministro reiterou que "não está a preparar nenhuma candidatura", mas ressalva que não deixará de dar a sua opinião.

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O antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, rejeita colocar-se no lugar de opositor interno, no PSD. Depois de ter criticado a nomeação de Luís Neves para o cargo de ministro da Administração Interna e de ter defendido “reformas estruturais” para o país, este sábado, à saída da conferência que assinalou o 5.º aniversário do Instituto "+Liberdade", no Museu do Oriente, em Lisboa, afirmou que não precisa de “pedir licença a ninguém” para dizer aquilo que pensa.

“Eu fui presidente do PSD, fui primeiro-ministro, ando na minha vida que não passa por nenhuma intervenção partidária neste contexto. Poderá haver quem goste daquilo que eu penso e quem não goste, mas não vou fazer comentários sobre isso”, declarou.

Antes, no espaço dedicado às perguntas, após proferir uma palestra intitulada “Reformar para Crescer”, tinha deixado a garantia de que não pretende regressar à política ativa e que não deixará de dar a sua opinião.

“Tenho dito que acho pouco provável que venha a desempenhar uma função tão ativa quanto aquela que já desempenhei e tenho ideia de que se isso algum dia se vier a equacionar, não há-de ser seguramente pelas melhores das razões, porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo a que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no Governo, estiver satisfeito com o seu desempenho, porque razão é que agora hão-de ir ao baú da História? (…) Portanto, não sei se algum dia voltarei a ser preciso ou não. E se isso vier a acontecer, não sei se serei a pessoa indicada nessas circunstâncias e como não sei que circunstâncias é que vão acontecer, nem sequer vou perder tempo a especular sobre isso”, referiu, ao mesmo que reiterou que "não está a preparar nenhuma candidatura".

Durante a sua intervenção na conferência, Passos Coelho Passos alertou para um crescimento anémico da economia nacional, muito longe das metas europeias, defendendo uma reforma do Estado com mais iniciativa privada e dando como exemplo o caso da saúde.

O antigo governante aproveitou para defender o regresso das Parcerias Público-Privadas (PPP). "No dia em que tivermos um SNS para os pobres, o problema do financiamento desse SNS vai-se pôr com muita acuidade. Porque as pessoas que o pagam, que não são os pobres, vão dizer que não estão disponíveis para pagar uma coisa que não têm acesso", apontou.

Na mesma conferência, deixou avisos sobre a insustentabilidade da segurança social. “Já sabe que nós vamos ter mais encargos do que receita durante os anos 30 e parte dos anos 40. Poderemos usar uma parte do Fundo de Equilíbrio Financeiro da Segurança Social, para financiar a diferença, mas não vamos poder financiá-la o tempo todo e a demografia, só por si, mostra que o modelo que nós temos não funciona quando nós estamos a caminhar para um ativo para cada pensionista. Este modelo não é sustentável. Mesmo que financeiramente venha a ser sustentável, daqui a 25 anos, não é socialmente sustentável porque as pessoas não vão poder viver com as reformas que vão receber. Portanto, vão bater à porta do Orçamento de Estado, como é evidente, a pedir os complementos”, sublinhou.

O social-democrata considerou também que a entrada de imigrantes é importante para o país, mas não no mesmo modelo de anos anteriores. “Foi um grande erro ter aberto as portas à imigração como o fizemos, nos termos em que o fizemos, mas evidentemente vamos precisar de gente que venha de fora, senão isso não vai funcionar. Portanto, temos de ter aqui um modelo que funcione, que permita integração, que permita assimilação, que não levante problemas. de instabilidade social, nem de insegurança pública, mas precisamos. Não há nenhuma dúvida quanto a isso”, afirmou.

No que toca à Reforma do Estado, Passos Coelho manifestou-se impressionado "com a criação de um novo ministério", com essa designação, atribuindo pouca eficácia a essa decisão do Governo e defendendo a integração dessa pasta na Presidência do Conselho de Ministros.

O antigo primeiro-ministro entende ainda que “o Estado é hoje um travão fortíssimo ao crescimento” e que Portugal tem tido capital a mais, referindo-se ao uso dos fundos europeus.

“Constituíram uma fonte de financiamento da economia portuguesa muito importante e que gerou em muitos dos agentes económicos a ideia de que não há custo de oportunidade. Se o projeto falhar, por alguma razão, paciência, não temos de o pagar paciência! Ora, isto cria um desincentivo muito grande à eficiência”, inferiu.

Passos Coelho elencou também como determinantes para o crescimento do país as seguintes necessidades: “abundância de fatores", "qualidade nas instituições" e “produtividade”.

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