Presidência aberta

Mau tempo: Autarca de Proença-a-Nova denuncia "muita fraude" nos pedidos de apoio

06 abr, 2026 - 22:21 • Susana Madureira Martins

João Lobo acompanhou o primeiro dia de Presidência Aberta de António José Seguro na região centro e, numa curta entrevista à Renascença, diz-se preocupado com a limpeza da floresta no Pinhal Interior a tempo dos meses de verão. “Obriga todos, de facto, a terem mais cuidado” com o risco de incêndios na região centro.

A+ / A-
Autarca de Proença-a-Nova, João Lobo, denuncia "muita fraude" nos pedidos de apoios após o mau tempo
Autarca de Proença-a-Nova denuncia: "Tem sido detetada muita fraude ao sistema" nos pedidos de apoios

O autarca de Proença-a-Nova, João Lobo, denuncia, em entrevista à Renascença, “muita fraude ao sistema” nos pedidos de apoio. “Uma cobertura tem mil euros e dizem que é 5 mil, por exemplo”, diz o presidente de um dos concelhos afetados pelo temporal de janeiro.

“Há mesmo situações relatadas que não existem, que são fotografias e isto também nos suscita alguma preocupação”, assume o autarca.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Nesta entrevista, João Lobo diz-se ainda preocupado com a falta de meios no município para limpar a floresta, após o temporal de janeiro. “Não há meios, os meios estão todos cativos”, diz o autarca.


Falámos há dois meses, havia 20 milhões de prejuízos contabilizados na altura, esse montante evoluiu ou estabilizou?

Está estabilizado dentro dessa ordem de grandeza, naquilo que foi uma primeira avaliação, é verdade, mas depois deste tempo e dos danos provocados, quer no património público municipal, quer também no património privado e na floresta, tem essa ordem de grandeza, 20 e poucos milhões de euros. Passados estes dois meses e uma semana, mais ou menos, há, de facto, muito trabalho que já foi feito, outro que vai demorar muito tempo a fazer e esse que demora muito tempo a fazer é o da floresta e é o que nos preocupa mais neste momento, evidentemente.

Por causa da aproximação do verão e dos incêndios?

Exatamente, esperamos que não haja incêndios, mas o nosso clima é propício a isso, portanto, vamos ter de certeza absoluta eventos com incêndios florestais. A circunstância é mitigar aquilo que poderá ser o efeito nefasto que temos na rede viária florestal que está, grande parte dela, inacessível e também todo o património lenhoso que está derrubado. É preciso tirá-lo e dar uma contrapartida aos proprietários. Somos todos responsáveis, porque a madeira é dos proprietários, quem a retira são os madeireiros da indústria transformadora, quem tem de criar condições para que isso também se faça são os municípios e as juntas de freguesia, mas, sem dúvida, o Estado central, com aquilo que são os apoios e os recursos para que isso se promova.

Em que estado é que isso está tudo?

Esta semana, os territórios impactados pela tempestade foram referenciados, há polígonos já determinados pela Direção-Geral do Território. Houve uma análise prévia desses polígonos, que estão certos, mas estão muito aquém daquilo que são as áreas impactadas, já demos também nota disso à tutela. Os municípios aqui fazem sempre parte da solução e o município de Proença-a-Nova não é diferente. Nesses territórios que estão identificados nesses polígonos será agilizado o apoio financeiro que oscilará entre 1.000 e 1.500 euros ao hectare, quer do ponto de vista da limpeza, quer na ajuda aos proprietários para retirar a madeira, mas debatemo-nos com um problema que é a falta de meios.

Não há meios, os meios estão todos cativos. Evidentemente, a população, as associações, as comunidades têm-se empenhado de forma muito positiva na limpeza desses caminhos, mas não chega. Os municípios aqui vão ter que direcionar durante esta janela de oportunidade, abril, maio e junho, para que essa circunstância se promova, no sentido de desimpedir ao máximo os caminhos florestais.

Tendo em conta que pode vir aí um verão rigoroso, tal como foi o inverno?

Exatamente. Ainda estamos muito longe, a três meses, mas a circunstância é que, de acordo com aquilo que são as expectativas meteorológicas, o verão vai ser rigoroso e, portanto, obriga todos, de facto, a terem mais cuidado. Isto é um apelo que também faço ao cidadão comum ao ir à floresta, a fazer as queimadas, a utilização do fogo, deve ser reduzido ao mínimo.

Em termos de apoios, o que é que já foi concedido, quer às empresas, quer às populações?

Sim, relativamente às populações e aquilo que tem a ver com as habitações e aquelas que foram objeto de distribuição nas suas coberturas, o processo está a andar, agora razoavelmente bem. Infelizmente, tenho de dar nota disto também porque é importante, na validação dos pedidos tem sido detetada muita fraude ao sistema. Uma cobertura tem mil euros e dizem que é 5 mil, por exemplo. Há mesmo situações relatadas de situações que não existem, que são fotografias e isto também nos suscita alguma preocupação. A ajuda é para ser dada e está a ser dada, mas tem que ser uma ajuda justa, assertiva e quantitativa relativamente aos danos.

E como é que a autarquia também está a tratar estes casos?

Nós fizemos um trabalho na altura muito importante. Logo no segundo dia metemos equipas no terreno a verificar tudo e, portanto, foi um trabalho prioritário que fizemos e percebemos bem as situações.

Depois, os apoios das empresas também estão a andar, esteve um bocadinho atrasado. A semana passada já houve articulação entre os bancos e a CCDR e o Banco de Fomento, para que isso fosse desbloqueado. Das reuniões que tivemos com o Sr. ministro foi dito que vai haver adiantamentos, mas até hoje os municípios ainda não tiveram ajuda nenhuma do ponto de vista financeiro.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • EU
    07 abr, 2026 PORTUGAL 13:26
    Ontem ouvi através da televisão um Senhor Proprietário de uma unidade hoteleira dizer ao Senhor Presidente da República que teve muito prejuízo e que ainda não recebeu qualquer subsídio para a recuperação. A primeira pergunta que fiz foi; enquanto a unidade hoteleira esteve a funcionar ALGUM DIA prestou GRATUITAMENTE cuidados de ALOJAMENTO a algum NECESSITADO? Essa pergunta devia ter sido feita pelo Senhor Presidente da República mas não foi feita. Então como pode o ESTADO subsidiar sem ter o RETORNO TOTAL? Fica a pergunta e o ALERTA. Já disse AQUI RR que há mais de 40 ANOS pago SEGURO de minha habitação e NUNCA participei a quebra de um vidro. É hora de acabar com o XICOESPERTISMO.
  • Fiscalização
    07 abr, 2026 e punição 08:54
    Era óbvio que os trafulhas não perderiam tempo a tentar ganhar o máximo, e se os pedidos não forem devidamente fiscalizados e as falcatruas severamente punidas, vai ser um "é fartar, vilanagem". E no meio disso tudo, arrisca não haver para quem REALMENTE precisa!

Vídeos em destaque