Presidência aberta
Seguro e a terceira volta das presidenciais. A pressão a Montenegro em dia de reunião semanal
07 abr, 2026 - 20:31 • Susana Madureira Martins
Para o Presidente da República, a relação entre Belém e São Bento é de “grande cooperação” e está “focada” no objetivo de “melhorar a vida dos portugueses”. Para o primeiro-ministro, a sensação parece ser igual. Montenegro, no discurso que fez esta terça-feira, em Mação, antes da reunião semanal com Seguro, travou eventuais leituras sobre uma eventual Presidência Aberta à Soares com laivos de força de bloqueio.
"Votei duas vezes em si”. Domitília, de 86 anos, está sentada a comer frango no salão da associação recreativa e cultural de Cardigos, uma freguesia nas profundezas do concelho de Mação, e o Presidente da República agradece e vai repetindo “maravilha, maravilha”.
Ao segundo dia, a primeira Presidência Aberta de António José Seguro não é muito diferente daquilo que foi a campanha das duas voltas para as presidenciais. O ritmo é frenético, aqui e ali a música pimba, o contacto com as populações afetadas pelo temporal é permanente.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
“Por favor, não chore”, disse o Presidente na manhã desta terça-feira à proprietária de uma habitação numa zona rural de Ourém, que não tinha traseiras e cuja sala e quarto se via da rua. Seguro leva atrás de si os autarcas, faz perguntas e para tirar dúvidas sobre como fazer os pedidos de apoio para a reconstrução das habitações chama o coordenador da Estrutura de Missão, Paulo Fernandes: “Oh Dr. Paulo, venha cá”.
"Menos palavras, mais ação"
Em dia de reunião semanal com o primeiro-ministro, descentralizada para Tomar, onde o Presidente da República assentou a sua base de trabalho nesta Presidência Aberta, Seguro deixa claro em vários momentos aquilo que quer, tendo sempre como destinatário o Governo, sem nunca dizer “Governo”, substituindo por “Estado”.
“Há necessidade de agilizar os apoios, este é o tempo da ação, é muito importante que o Estado e todas as suas estruturas colaborem, reforcem as suas capacidades, possam destruir as burocracias para que, de facto, tanto as famílias como os empresários possam ser apoiados o mais rapidamente possível”, disse esta tarde Seguro aos jornalistas na freguesia de São Bento, em Mação.
Seguro sempre afirmou que quando reunisse com o primeiro-ministro não seria propriamente para tomar chá e pressiona o Governo, garantindo, contudo, que não o faz: “Não se trata de pressão. Eu tenho um foco, através da minha Presidência, é isso que eu quero fazer durante cinco anos, que é ajudar a que os portugueses vivam melhor. E quando têm problemas, que esses problemas sejam resolvidos”.
Para o Presidente da República, o processo é simples: “Se há apoios, se há dinheiro, uma das minhas obrigações é dizer menos palavras, mais ação, para que o dinheiro chegue rapidamente às pessoas”.
A relação de “grande cooperação” com São Bento
Bicada aqui, bicada ali, o Presidente da República pede a massificação de geradores, por exemplo, para unidades de Saúde como a de Ferreira do Zêzere que viu a cobertura danificada, quer internet para a empresa de fabrico de velas, em Mação, que continua a ter problemas em dar a volta depois do temporal e deixa a garantia de que “não deixará de fazer nenhuma pergunta. Umas em privado, outras em público”.
Para o Presidente da República, a relação entre Belém e São Bento é de “grande cooperação” e está “focada” no objetivo de “melhorar a vida dos portugueses”. Para o primeiro-ministro, a sensação parece ser igual. Montenegro, no discurso que fez esta terça-feira, em Mação, antes da reunião semanal com Seguro, travou eventuais leituras sobre uma eventual Presidência Aberta "à Soares" com laivos de força de bloqueio.
“Creio que se trata de um momento importante do exercício da mais alta magistratura da Nação, num contexto que já foi aqui hoje destacado, que revela uma especial sensibilidade social do Senhor Presidente da República”, começou por dizer Montenegro, falando de Seguro como uma “personalidade política que, ao longo dos anos, foi cultivando variadíssimas intervenções de valorização da coesão territorial.”
No final de mais um dia frenético, os serviços da Presidência da República disponibilizaram aos jornalistas uma fotografia da reunião semanal entre Seguro e Montenegro, mostrando os dois sentados em cadeirões iguais, ambos de sorriso rasgado a olhar para a lente. Mas ainda faltam três dias de Presidência Aberta e o chefe de Estado tem prometido fazer um balanço e que este roteiro terá consequências.














