Dia da Liberdade

25 de Abril. Sessão com novo Presidente da República e o pacote laboral na mira da oposição

24 abr, 2026 - 18:40 • Manuela Pires

Para festejar o Dia da Liberdade, Seguro escolheu Paulo de Carvalho e Agir para um concerto em Belém, performances poéticas e uma conversa com jovens. Montenegro almoça com o ator Ruy de Carvalho e nos jardins da residência haverá peças de teatro, medleys da Broadway e as Bodas de Fígaro. O Parlamento tem durante a tarde vários espetáculos. Há ainda o tradicional desfile na Avenida da Liberdade.

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É a Assembleia da República, com a sessão solene, que dá início às celebrações dos 52 anos da Revolução dos Cravos e, este ano, com um novo Presidente da República, o segundo Governo de Luís Montenegro e três novos líderes partidários: José Luís Carneiro, do Partido Socialista (PS), Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal (IL), e José Manuel Pureza, do Bloco de Esquerda (BE).

No ano passado, o país estava de luto pela morte do Papa Francisco e a sessão começou com um voto de pesar e um minuto de silêncio. O Parlamento estava dissolvido, o Governo encontrava-se em gestão e o país estava à beira de eleições legislativas, que voltaram a dar a vitória à AD de Luís Montenegro.

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Por causa da morte do Papa, o primeiro-ministro decidiu cancelar a programação prevista para a residência oficial (abrindo apenas os jardins), o que motivou críticas de alguns partidos na sessão solene. O então líder socialista, Pedro Nuno Santos, acusou o Governo de “ficar à janela” a ver a celebração do 25 de Abril, e Mariana Mortágua, que liderava o Bloco de Esquerda, afirmou que a decisão de adiar as celebrações do 25 de Abril foi “a triste confirmação de que nem o dia mais feliz consegue iluminar todo o futuro de um povo”.

Se, no ano passado, os discursos ficaram marcados por críticas ao Governo em plena campanha eleitoral, com apelos a futuros consensos, o então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu que a mensagem do Papa Francisco tem tudo a ver com os valores de Abril. “Tudo, tudo: dignidade humana, paz, justiça, liberdade, igualdade, solidariedade, fraternidade, abertura, inclusão, serviço dos outros, preferência pelos ignorados, omitidos e silenciados”, disse Marcelo no discurso na sessão solene do ano passado.

Cinquenta e dois anos depois do 25 de Abril, o Parlamento tem 60 deputados do Chega, um partido de extrema-direita que, somados aos do PSD, CDS-PP e IL, fazem uma maioria de 160 deputados.

A bancada da esquerda no hemiciclo está cada vez mais reduzida, com o PS a ter apenas 58 deputados, o PCP reduzido a três e o BE a um único deputado.

Este ano, a sessão poderá ficar marcada pela contestação ao pacote laboral por parte dos partidos de esquerda, que acusam o Governo de querer retirar direitos aos trabalhadores com as alterações propostas. As consequências económicas da guerra no Médio Oriente, que têm feito aumentar o custo de vida nos últimos meses, poderão também marcar os discursos da oposição.

Há ainda expectativa para ouvir António José Seguro, no cargo de Presidente da República há apenas mês e meio, mas que já interveio no pacote laboral ao convocar os parceiros sociais para uma reunião em Belém e que esteve uma semana em Presidência Aberta pelos concelhos afetados pelas tempestades, onde deixou vários recados ao Governo.

Montenegro na “Broadway”, Seguro com Paulo de Carvalho

Além do tradicional desfile na Avenida da Liberdade, que todos os anos junta milhares de pessoas, também este sábado à tarde o Parlamento, a residência oficial do primeiro-ministro e o Palácio de Belém estarão abertos, com programação dedicada ao Dia da Liberdade.

António José Seguro abre o palácio para visitas guiadas entre as 10h30 e as 11h30.

Às 15h00 está marcado um concerto de Paulo de Carvalho e Agir, bem como vários recitais de poesia, terminando às 17h00 com uma conversa do Presidente da República com 25 jovens sobre “Liberdade, Democracia e Futuro”, para abordar “as prioridades e os desafios da nossa democracia a pensar no futuro”.

Na residência oficial do primeiro-ministro, os 52 anos do 25 de Abril serão celebrados com a atuação de três escolas de teatro: uma de Sintra, que vai interpretar medleys da Broadway; outra de Albergaria-a-Velha, com a peça As Bodas de Fígaro; e, por último, uma escola de Lisboa, com a peça Crianças e Adultos.

O programa começa às 14h45 e termina às 16h00. A componente musical será composta por um medley de sucessos da Broadway, a par das duas peças apresentadas pelas escolas. Os jardins de São Bento abrem ao público às 14h00 e as atuações arrancam um quarto de hora depois, terminando às 16h00.

Se, no ano passado, Luís Montenegro escolheu a música de Tony Carreira para assinalar a revolução, este ano vai homenagear o teatro e almoçar com o ator Ruy de Carvalho, de 99 anos, que regressou recentemente aos palcos.

Na Assembleia da República, a programação é extensa e variada e começa às 14h30, quando o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, “abre a porta principal do Palácio de São Bento aos cidadãos, dando-lhes as boas-vindas à Casa da Democracia”, segundo a nota divulgada pelos serviços do Parlamento.

Até às 18h30, o Palácio de São Bento e o Centro Interpretativo do Parlamento serão palco de várias atividades, desde uma caça ao tesouro e um ateliê de aguarela até uma oficina de estampagem de panamás, na zona dos claustros. No átrio principal haverá uma atuação da Escola de Dança do Conservatório Nacional e, na Biblioteca Passos Manuel, está prevista uma palestra sob o tema “O 25 de Abril na imprensa humorística”, com a presença do coordenador da hemeroteca, Álvaro Costa Matos.

No Centro Interpretativo realiza-se ainda um concerto em formato showcase, com a cantora Milhanas e moderação de Maria Morango. No mesmo espaço está patente uma exposição sobre “Campanha Política: Os cartazes das Legislativas de 1976”.

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