25 de Abril

25 de Abril. Recorde as principais frases da sessão solene no Parlamento

25 abr, 2026 - 09:54 • Susana Madureira Martins , João Malheiro , Miguel Marques Ribeiro

António José Seguro vai discursar numa sessão solene do 25 de Abril enquanto Presidente da República.

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25 de Abril. Reveja as intervenções da sessão solene no Parlamento
Sessão solene do 25 de abril na AR. Reveja os principais momentos. Foto: Rodrigo Antunes/Lusa

A sessão solene do 52.º aniversário do 25 de Abril arrancou pelas 10h00. António José Seguro discursou pela primeira vez enquanto Presidente da República nesta cerimónia.

Para além das intervenções de todos os partidos com assento parlamentar, assistitu-se ao discurso do Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, numa altura de forte escrutínio da classe política devido à decisão da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos de não revelar dados dos doadores dos partidos.

Na sala de visitas do Presidente do Parlamento, enquanto esperavam por entrar na Sala das Sessões, registou-se uma longa conversa entre Seguro e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, com o Presidente de cravo na lapela.

Seguro diz que donativos políticos devem ser públicos e interpela diretamente os jovens

António José Seguro defende que tornar públicos os donativos políticos "não é uma questão administrativa. É um compromisso com a ética".

Para o Presidente da República, "onde há opacidade cresce a suspeita, onde há clareza cresce a legitimidade". Um recado dado passado uma semana desde a decisão que faz com que os nomes dos doadores dos partidos e das campanhas eleitorais já não podem ser revelados.

No seu primeiro discurso numa sessão solene para celebrar o 25 de Abril desde que foi eleito Presidente da República, que acabou aplaudido pelas bancadas da Esquerda, do PSD e até do Chega, Seguro centrou a sua intervenção na defesa dos valores da liberdade que "é tão natural como a nossa vida".

O Presidente da República dedicou grande parte do seu discurso a uma interpelação direta aos jovens, reconhecendo que enfrentam desafios duros e que "o presente está a hipotecar o futuro".

Aguiar-Branco: "O problema pode estar em nós, os políticos"

Aguiar-Branco aborda o tema da "desconfiança" com que os portugueses olham para a política. "Nem tudo está bem", admite o presidente do Parlamento: "É altura de admitirmos a possibilidade de o problema português não ser a Constituição, o capitalismo ou o funcionamento da Democracia", concluindo que "o problema pode estar em nós, os políticos", referindo o chavão sobre os políticos pertencerem a uma "casta" ou "elite".

"Sim, de facto, temos políticos que dedicaram a vida inteira ao serviço público, 50 anos depois já vimos os filhos dos políticos a fazer política. Sim, temos cada vez mais políticos que passaram pelas juventudes partidárias sem nunca ter passado pelo país real", disse ainda Aguiar-Branco, referindo que "estes factos são padrões que entram na definição de casta ou bolha".

Lamentando que se repitam "chavões" e que se tenham tomado "medidas dos politicos contra os políticos que são sempre muito populares ou populistas", Aguiar-Branco salientou que o país esqueceu o "velho principio" de que os melhores para servirem bem "têm de ser bem remunerados".

"Temos a responsabilidade de trazer para esta sala mais pessoas talentosas, de áreas diferentes, com origens diferentes, porque a nossa Democracia é interclassista", defendeu ainda Aguiar-Branco, sendo aplaudido pela maior parte das bancadas. Na bancada do PS, o dirigente Pedro Delgado Alves, de cravo vermelho ao peito, levantou-se e virou as costas ao plenário, em protesto pelo discurso do Presidente da Assembleia da República.

PSD critica extremismos "de esquerda e direita" e exalta "moderação" da AD

Hugo Soares, do PSD, diz que o 25 de Abril "não é de cravos verdes ou de cravos vermelhos", mas sim de todos os portugueses.

Para o social-democrata, "é preciso ter coragem para cumprir Abril", recordando palavras de Nuno Morais Sarmento de que "Abril não é revolução, Abril é evolução".

O líder da bancada parlamentar do PSD fala na coragem "de dizer não" para rejeitar "os extremismos de esquerda e de direita", e "o imobilismo". Por outro lado, Hugo Soares diz que "hoje também é preciso coragem para dizer sim".

"Cumprir Abril é ser um Democrata pleno. O democrata pleno é quem festeja o 25 de Abril e celebra sem dúvidas o 25 de Novembro. É quem saúda os capitães de Abril mas não esquece a memórias de Pires Veloso ou Jaime Neves. Combate o radicalismo, mas aceita a decisão do povo".

"A ala esquerda tem medo da palavra pátria. A ala direita baniu o humanismo. A ala esquerda tem medo da autoridade, a ala direita esqueceu a doutrina social da Igreja", critica, igualmente. sublinhando a "moderação" da AD.

"O povo não é quem mais ordena só quando dá jeito a alguns. É sempre quem mais ordena", sublinha, ainda.

Ventura: "Vocês serão vencidos por uma direita grande que não vai desistir"

Pelo Chega é o líder do partido que usa da palavra, com André Ventura a subir à tribuna de cravo verde na lapela para, diz o deputado, homenagear os emigrantes portugueses.

O líder do Chega refere ainda que este "é o dia de todas as Forças Armadas, não é o dia em que se celebram os capitães de um mês". "Nunca aceitaremos que o valor da Liberdade seja reduzido", diz ainda Ventura, que replica o que disse na sessão solene dos 50 anos da Constituição, dirigindo-se às galerias: "Quero que saibam que quem mata autoridades portuguesas não tem outro nome que não seja de assassino".

Ventura fala ainda das reformas "miseráveis dos que estão em casa" e que "talvez fossem essas que uma classe corrompida devia ter pensado primeiro". "Mais importante do que os cravos era se pedíssemos aos nossos autarcas que não sejam corruptos e que quem foi condenado por corrupção não deve voltar a exercer cargos públicos", defendeu ainda o líder do Chega.

Debitando assunto atrás de assunto, Ventura defende que "o tal texto da Constituição não é para levarem ao colo enquanto bebem cerveja", atirando às bancadas da esquerda: "Vocês serão vencidos por uma direita grande que não vai desistir".

Ventura discursa agora sobre a necessidade de uma reforma laboral. "Precisamos e o Chega quer", insistindo ainda que é preciso uma reforma do Estado, avisando: "Nunca poderemos aceitar que nenhuma reforma seja mais facilitadora de corrupção". O líder do Chega diz ainda que o partido "representa o trabalho e os trabalhadores". Termina atirando: "Não nos esqueceremos dos que nos apunhalaram pelas costas".

PS diz que crescimento económico não justifica "revisão de direitos dos trabalhadores"

José Luís Carneiro diz que o 25 de Abril foi "um sobressalto moral" que fez de Portugal "um país aberto ao mundo e de progresso, feito com todos os portugueses".

O secretário-geral recordou os "milhares de jovens que fugiam clandestinamente à pobreza e à guerra" do Estado Novo. O líder socialista critica a guerra do Ultramar como um conflito "sem sentido, imoral, injusto e contrário ao princípio da autodeterminação dos povos".

Depois de um longo período em que Portugal esteve "orgulhosamente só", José Luís Carneiro destaca que Portugal apresentou-se ao mundo como "um Estado de direito democrático e construtor ativo de uma ordem internacional baseada nos princípios da Carta das Nações Unidas".

"Portugal redefiniu a sua presença no mundo. A cooperação e a diplomacia aberta sucederam ao isolamento internacional", sublinha.

Recentrando o discurso para a realidade interna, José Luís Carneiro realça que "há desigualdades que persistem e outras que se agravam, um crescimento económico débil e dificuldades às quais é necessário responder".

"Precisamos de estimular o crescimento económico, mas tal não justifica a reversão dos direitos constitucionais dos trabalhadores, designadamente a proibição dos despedimentos sem justa causa, nem o destratamento dos imigrantes, de quem a nossa economia e os serviços sociais tanto carecem. Só podem contar com a nossa oposição as políticas em curso nesse sentido. Porque nós somos a alternativa credível e de confiança", aponta, em crítica direta ao Governo da AD.

Mariana Leitão da IL desafia Governo: "Faça o que lhe compete"

Pela Iniciativa Liberal (IL) é a própria líder do partido, Mariana Leitão, que usa da palavra. "A partir de determinada altura estagnámos", lamenta a deputada, após 52 anos de Democracia e conclui que "abril não se fez para que nada mudasse".

A dirigente liberal pede ao poder político que "faça o que lhe compete, o que só ele pode fazer, o que até hoje não fez", referindo que as pessoas "já fazem todos os dias as escolhas que lhes são possíveis fazer", lamentando que "falta a coragem política", referindo que "abril não se fez para que nada mudasse".

Mariana Leitão avisa ainda, numa indireta ao Governo, que "o povo não se engana nas escolhas que faz" e que "desta vez não nos vai perdoar se nós nos enganamos nas nossas".

Livre critica "cravos geneticamente modificados" para terem outras cores e recorda que a ditadura "nasceu da corrupção e violência"

Rui Tavares, porta-voz do Livre, recorda o fim da Primeira República, há cem anos, que deu origem ao Estado Novo, para recordar que "a ditadura militar nasceu da corrupção e da violência".

Para o deputado do partido de esquerda, o momento decisivo do 25 de Abril "deu-se no Terreiro do Paço. Os canhões decidiram não disparar sobre os revoltosos".

Rui Tavares apela à criação de um Museu Nacional do 25 de Abril para demonstrar "que o povo está com essa memória".

O porta-voz do Livre criticou ainda "cravos geneticamente modificados", numa referência aos deputados do Chega que estão no Parlamento com cravos verdes e não vermelhos, como é tradicional.

PCP quer a "derrota" do pacote laboral

É a vez do deputado do PCP, Alfredo Maia, que arranca, tal como o BE, com uma saudação aos capitães de abril presentes nas galerias do hemiciclo, incluindo Vasco Lourenço, o presidente da Associação 25 de abril. O comunista recorda os camaradas que foram torturados nas prisões do Estado Novo. "Foram milhões os alvos da vigilância da PIDE-DGS e dos seus bufos".

Maia traça o cenário do país antes do 25 de abril que "não era apenas pobre", estava submetido a uma "repressão brutal", lamentando a ditadura "fascista que alguns ainda evocam".

O deputado comunista refere-se ainda ao "retrocesso" em que "se insere o pacote laboral", acusando o patronato de pretenderem "esmagar os direitos dos trabalhadores", apelando à necessidade de "derrotar" o pacote laboral, numa altura em que o Governo deu mais duas semanas até encerrar as negociações.

CDS rejeita "cartilha oficial" do regime e pede um país sem medo de reformas

O CDS-PP rejeita que o 25 de Abril tenha donos e critica quem tenta impor "uma cartilha oficial". João Almeida, deputado dos centristas, acusa o MFA e o PCP de tentarem "condicionar o sentido da revolução e o horizonte da liberdade que a mesma abria".

"Ou seja, Portugal viveu um período crítico no qual a verdade oficial era comunista, o caminho obrigatório era para o socialismo e os donos do regime queriam impedir o exercício da vontade popular", considera.

João Almeida questiona por que é que "há tanto medo" de discutir história, pôr em causa "os donos do regime", fazer reformas e rever a constituição. Para o deputado do CDS-PP, esse medo vem "dos que se apoquentam por se celebrar Novembro aqui na Assembleia da República, com a dignidade que o CDS sempre defendeu".

"Precisamos de abrir as portas à Liberdade verdadeira. Para nos libertarmos do que nos tolhe e atrasa, precisamos de reformas, de crescimento e de prosperidade. Já experimentámos o caminho do preâmbulo e não funciona. Está na altura de ser a vontade do povo a determinar para onde ir. Porque o único dono de Abril é o povo", apontou.

BE: "O Parlamento não pode ser o espelho das nossas piores pulsões"

Mais um deputado único sobe à tribuna, Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda (BE) que começa por agradecer aos militares de abril presentes numa das galerias. Também de cravo ao peito, o líder parlamentar bloquista fala da "tolerância da diferença" e de como o "pluralismo se constrói no debate de ideias", contra a "gritaria constante".

"O Parlamento não pode ser o espelho das nossa piores pulsões", pede o dirigente do BE, referindo ainda que o país "tem muitos problemas, mas nenhum deles é a liberdade. É o desinvestimento na Saúde, a crise da Habitação".

Fabian Figueiredo refere ainda que o projeto da Democracia "é o direito a viver melhor".

PAN diz que Abril não se cumpre "quando mulheres continuam a ter medo dentro de casa"

Inês Sousa Real, do PAN, destaca que o 25 de Abril foi "o fim de um país em que as mulheres eram seres menores" e se praticava uma grande violência de género.

Recordando Natália Correia, a deputada única diz que ainda não se cumpriram todos os valores de Abril: "Não estamos a cumprir Abril quando as mulheres continuam a ter medo dentro de casa".

A deputada do PAN defende que "Abril falha quando outras formas de violência prevaleçam", como a violência da palavra, ou do olhar para quem é diferente.

"Hoje demasiadas vezes a política transforma-se num campo de batalha identitário", lamenta, sublinhando que "isto é o contrário do espírito de Abril".

Por isso, espera que o próximo 25 de Abril "seja celebrado com menos violência e mais empatia". "Abril ensinou-nos que a Liberdade não vive sem respeito", acrescentou.

JPP lamenta "discursos de ódio" que "tentam dividir o que abril uniu"

O rol de intervenções começa com o deputado único Filipe Sousa do Juntos pelo Povo (JPP) que fala sobre "datas que não pertencem apenas ao passado". O madeirense refere ainda a "coragem que venceu o medo". e que "abril ensinou-nos que a liberdade não é um dado adquirido".

Filipe Sousa, de cravo na lapela, regista que o país está confrontado com "novos desafios", lamentando os "discursos de ódio" que "tentam dividir o que abril uniu".

"O medo não pode ocupar o espaço da esperança", continua o deputado, referindo que "celebrar abril é mais do que lembrar, é escolher" e que "mesmo nos tempos mais difíceis vale sempre a pena escolher a liberdade".

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