​O que vai vestir o novo Papa? Conheça o simbolismo por detrás de cada peça

08 mai, 2025 - 17:40 • Marta Pedreira Mixão

No fim do Conclave, o Papa recém-eleito vai sair da Capela Sistina e entrar na “Sala das Lágrimas”, onde vestirá o traje papal.

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Saiu fumo branco da chaminé montada no telhado da Capela Sistina e o nome do novo Papa vai ser agora anunciado. Mas o que acontece depois do momento mais aguardado?

No fim do Conclave, o Papa recém-eleito vai sair da capela e entrar na “Sala das Lágrimas”, onde será vestido com o traje papal.

Na sala já está tudo pronto e nos cabides já estão batinas brancas disponíveis em três tamanhos – pequeno, médio e grande –, para que o novo Papa possa escolher o mais adequado. Além disso, estão ainda várias caixas de sapatos de vários tamanhos, faixas e outras vestes litúrgicas.

Assim que acabar a votação, um cardeal deverá surgir na varanda da Basílica de São Pedro para anunciar: “Habemus papam!” [Temos um Papa!] e aí revelará o nome do cardeal escolhido e qual o nome que este escolheu. Depois o novo Papa sairá para a varanda para dar a sua primeira bênção “urbi et orbi”.

A 13 de março de 2013, o Papa Francisco decidiu que que não se vestiria da mesma forma que outros antes dele, tendo optado pela simplicidade – trocou, por exemplo, o tradicional crucifixo de ouro por um de prata e optou por uns sapatos mais simples.

O que compõe o traje papal?

Com base na Agência de Notícias Católica, vamos explicar cada uma das vestes litúrgicas que o novo Papa deverá usar na sequência de símbolos e tradições seculares que envolvem o pontífice. Cada detalhe da roupa carrega um significado.

Solidéu

O solidéu - também conhecido como “zucchetto” ou “pileolus” -, que cobre a parte detrás da cabeça do Papa, representa a autoridade do Pontífice.

O "solidéu" é um acessório de cabeça usado por papas (que usam o branco), cardeais, bispos e abades, com cores que indicam a hierarquia religiosa– cardeais usam um vermelho, enquanto os bispos usam um de cor violeta. A sua história remonta ao século XIII.

É removido durante orações e o seu nome deriva do latim "soli Deo", que significa "somente para Deus" e simboliza a devoção a Deus. O Papa Francisco, por exemplo, como cardeal, usava um solidéu vermelho e, ao se tornar Papa, passou a usar o solidéu branco.

Batina branca

A batina branca – peça de vestuário de mangas compridas e que vai até aos tornozelos – pode ser feita exclusivamente de lã ou de uma mistura de lã, representando a inocência, a caridade e a santidade do cargo papal. Representa a pureza e dedicação total a Deus, distinguindo o Papa de outros clérigos.

As batinas, que têm ligações históricas a uma túnica romana conhecida como “caracalla”, têm, por norma, 33 botões que representam os anos de vida de Jesus.

Fáscia Papal

Uma faixa branca de linho ou seda, também chamada “fáscia”, que é usada por cima da batina, acima da cintura, e representa o compromisso com Cristo e a devoção e submissão do Papa à sua missão, bem como a sua disponibilidade para servir o povo de Deus.

A fáscia de cor branca é de uso exclusivo do Papa, enquanto a vermelha é usada por cardeais, a roxa é destinada aos bispos e a fáscia preta é utilizada por padres e diáconos.

Apenas o Papa pode ter o seu brasão nas extremidades fáscia.

“Pellegrina”

A “pellegrina” é uma capa branca curta, aberta à frente, que o Papa usa sobre os ombro, e que está ligada à batina. Esta veste também pode ser usada pelos cardeais, bispos e padres, mas só o Papa pode usar a "pellegrina", que se assemelha às capas usadas pelos peregrinos católicos no passado, em branco.

Como veste episcopal, a "pellegrina" é regulada pela Instrução do Papa Paulo VI de 1969 sobre o “Traje, Títulos e Brasão dos Cardeais, Bispos e Prelados Menores”.

Roquete

O roquete branco é uma peça de vestuário com mangas e de renda, pela altura do joelho, portanto mais curta do que a sobrepeliz, e que é usada por cima da batina, e indica a posição clerical, sendo também uma lembrança da vocação para servir a Igreja. É utilizada em cerimónias não litúrgicas e simboliza a pureza e a dignidade do Papa.

Sobrepeliz

A sobrepeliz branca, uma veste solta de linho ou algodão, é mais longa e folgada, e simboliza o manto branco do batismo e do renascimento na vida de Jesus Cristo. A cor branca representa a pureza espiritual, a santidade e a humildade do clérigo que a usa.

Mozeta

É também uma capa de ombro, pela altura do cotovelo, e vermelha. Simboliza a autoridade do Papa e o seu apelo à compaixão.

Em tempos, o Papa usava três versões de mozetas: verão – que é de cetim vermelho, de inverno – que é de veludo vermelho, e a Pascal – que é de seda de damasco.

A mozeta de inverno e a mozeta pascal deixaram de ser usadas durante o pontificado de João Paulo II (1978–2005), mas a sua utilização foi reintroduzida pelo Papa Bento XVI. O Papa Francisco, por exemplo, não utilizava mozeta papal.

Crucifixo

O Crucifixo é usado ao peito, sobre a mozeta. Assim, o pontífice carrega junto ao coração o maior símbolo da Igreja Católica: a cruz.

Segundo explicações do bispo Austin, Anthony Vetter, de Helena, Montana, é usado sobre o coração já que num ato de contrição pelo pecado se bate no peito, uma vez que é através da crucificação de Jesus Cristo que os corações se reconciliam com Deus e que os pecados são perdoados.

Anel do Pescador / Anel de São Pedro

O “Anel de São Pedro”, também conhecido como “Anel do Pescador”, é um símbolo oficial do papado e é colocado no dedo do recém eleito Papa, que como novo pontífice assume o papel de sucessor de São Pedro – apóstolo de Jesus e primeiro Papa da Igreja Católica.

Após a morte do Papa o seu anel é destruído, bem como o Selo de Chumbo.

Sapatos

O Papa usa, tradicionalmente, um par de sapatos de couro vermelho. Contudo, o Papa Francisco optou por sapatos simples.

Segundo o fundador do Liturgical Arts Journal, Shawn Tribe, citado pela Agência de Notícias Católica, os sapatos vermelhos têm origem no antigo Império Romano e a cor representa a paixão de Jesus e o sangue dos mártires.

Mancinelli, o alfaiate dos Papas
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