Carlo Acutis

Carlo Acutis canonizado este domingo. "O que marca os jovens é que ele é como nós"

07 set, 2025 - 08:30 • Ângela Roque

O interesse sobre este Santo millennial tem crescido de ano para ano, confirma o padre Ricardo Figueiredo, autor da biografia espiritual de Carlo Acutis. Em entrevista à Renascença, fala da devoção que tinha por Fátima, da passagem por Portugal, e de como a sua vida, e o muito que fez em poucos anos, mostra que a santidade é para todos e não escolhe idade. O jovem italiano morreu com 15 anos, vítima de leucemia.

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padre ricardo Ricardo Figueiredo
“O que marca os jovens é que ele é como nós”, diz padre Ricardo Figueiredo sobre Carlo Acutis

Está marcada para este domingo a canonização de Carlo Acutis, o jovem italiano que morreu em 2006, vítima de leucemia. Tinha apenas 15 anos de idade. Para o padre Ricardo Figueiredo, que escreveu uma biografia espiritual sobre este Santo millennial, a vida de Acutis mostra que o caminho de santidade está ao alcance todos, independentemente da idade.

“Há muitas vezes a tentação de pensar que a santidade é algo do passado, ou que antes é que havia santos, e o Carlo Acutis mostra-nos que a santidade continua a acontecer hoje, com aquilo que são os desafios do nosso tempo e que são os traços fundamentais do Carlo Acutis e da geração millennial: a questão da informática, das redes sociais, todos estes desafios e coisas novas que apareceram neste tempo, e que também aí é possível ser Santo e fazer a vontade de Deus nestas circunstâncias”.

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O padre Ricardo diz que Acutis foi um “apóstolo do digital”, pioneiro no uso das tecnologias para evangelizar. “Sentiu-se profundamente enviado a ser evangelizador nesses meios, e foi exemplar, quer pela criação da Exposição dos Milagres Eucarísticos, quer pelos vários vídeos que criou, e que hoje ainda conseguimos encontrar no YouTube, sobre pontos da doutrina católica, exatamente para ajudar a formar e a esclarecer”.

Esta faceta, e o facto de ser contemporâneo (morreu adolescente, há apenas 19 anos) fazem dele um Santo próximo e atual. “O testemunho que vou ouvindo de muitas pessoas que passam, por exemplo, pelo túmulo dele [em Assis], os jovens que vão lendo e vão conhecendo a sua vida, o que mais marca é sempre isso: é que ele é como nós! E este é um traço muito importante para ver como a santidade não é uma coisa estranha, como diz aquele texto que muitas vezes aparece: ‘precisamos de santos de calças de ganga, que bebam Coca-Cola’, passo a publicidade. São precisos estes santos para vermos que na nossa vida há a possibilidade deste caminho de santidade. Precisamos desta renovação constante da vida de santidade. E por isso muitos jovens sentem o Carlo Acutis muito próximo, muito presente, como um sinal profundo de que é possível ser Santo, também nestes nossos dias”.

O interesse sobre o primeiro Santo millennial tem crescido de ano de ano para ano, confirma o padre Ricardo Figueiredo, até com base na procura pela biografia espiritual que escreveu sobre Carlo Acutis, intitulada "Não eu, mas Deus". “Há um interesse enorme! Neste momento o livro tem, além da edição de Portugal, uma edição brasileira, uma edição no México e, recentemente, uma edição na Noruega. E vou vendo, até pelo número de exemplares que são adquiridos, que há um crescimento muito grande no interesse em relação à vida e à espiritualidade do Carlo Acutis. De ano para ano vai crescendo, cada vez mais vai sendo conhecido e cada vez mais pessoas o querem conhecer”, refere.

Apesar de muito jovem, Carlo Acutis viveu a sua fé de forma muito intensa e profunda.“Às vezes confunde-se juventude com falta de firmeza ou de profundidade, mas é um erro. Houve sempre jovens, em todos os tempos da Igreja, que viveram a santidade e que foram profundos na sua vivência da vida cristã, mostrando que não há uma equivalência entre juventude e falta de firmeza, antes pelo contrário. Os jovens, pela sua vitalidade, entusiasmo e alegria são capazes de viver a fé, muitas vezes com mais profundidade e com mais empenhamento do que as pessoas menos jovens. Carlo Acutis é, exatamente, um modelo disto, desta alegria, desta profundidade, mostrando a todos os jovens que é possível ser firme na fé, bastante apostólico no serviço, no cuidado aos mais pobres, na atenção aos mais fragilizados, como ele fazia, e ser ao mesmo tempo um jovem normal, ter o computador, ter amigos, ter tudo numa vida normal de um jovem e ser profundamente extraordinário no meio de tudo isso”.

O padre Ricardo destaca, ainda, o interesse que Acutis teve por Portugal, que chegou a visitar. “Teve dois destinos particulares. Ele estava a criar a exposição dos Milagres Eucarísticos, e queria visitar o milagre eucarístico de Santarém. E também para ir a Fátima. Era uma grande devoção”.

“Uma vez perguntámos à mãe do Acutis se havia alguma invocação particular de Nossa Senhora que ele mais gostasse. A mãe disse 'Nossa Senhora é só uma, é só a Virgem Maria, mas se houvesse uma invocação que ele tivesse mais devoção seria Nossa Senhora de Fátima'. Tudo o que é a vida dos pastorinhos, com quem se identificava muito - e de forma muito especial S. Francisco Marto, que era exatamente aquele que ficava na igreja junto da eucaristia. A grande devoção de Acutis à Eucaristia é sinal disso também, e a devoção à mensagem de Fátima como um grande compêndio da doutrina católica. E nós vemos que as quatro exposições que Acutis idealizou - só realizou uma, a dos Milagres Eucarísticos, mas pensou também numa sobre as aparições de Nossa Senhora, outra sobre o inferno, purgatório e paraíso, e uma quarta exposição sobre anjos e demónios. E vemos que estes quatro temas são os que estão presentes nas aparições de Fátima: o anjo que dá a Eucaristia aos pastorinhos na última aparição de 1916; a aparição de Nossa Senhora; Nossa Senhora que mostra o inferno e pede esta oração pelas almas do purgatório; e o Anjo que aparece também a preparar as aparições de Nossa Senhora”.

Carlo Acutis percebeu de forma particular que Fátima era um sinal para o nosso tempo, por isso este grande amor do Carlo Acutis a Portugal. Além de Fátima e de Santarém, pelas fotografias consegue-se perceber que passou também por Alcobaça e pelo Mosteiro de Jerónimos, visitou outros locais com a família. Portugal estava muito no seu coração”, refere.

Em Portugal , como por todo o mundo, há cada vez mais paróquias em que a imagem de Carlo Acutis vai ser venerada. É o caso, na Diocese de Lisboa, da Basílica dos Mártires, no Chiado, e também da paróquia da Ramada, em Odivelas.

A canonização de Carlo Acutis esteve inicialmente marcada para 27 de abril, no Jubileu dos Adolescentes, mas a morte do Papa Francisco obrigou a adiar a celebração, que o Papa Leão XIV reagendou para este domingo, 7 de setembro, dia em que será igualmente canonizado o beato italiano Pier Giorgio Frassati.

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