Missa do Galo
Papa Leão XIV: "Não há trevas que o Natal não ilumine"
24 dez, 2025 - 21:55 • Aura Miguel
Na primeira Missa do Galo do pontificado, Leão XIV criticou a "economia distorcida" que "leva a tratar os homens como mercadoria".
“Não há trevas que a estrela do Natal não ilumine, porque à sua luz toda a humanidade vê a aurora de uma existência nova e eterna”, disse esta quarta-feira à noite Leão XIV na homilia da santa missa da noite de Natal, que celebrou na basílica de São Pedro.
Em Jesus, “Deus não nos dá algo, mas a si mesmo, ‘para nos resgatar de toda a iniquidade e formar para si um povo puro’. Nasce na noite Aquele que da noite nos resgata!”, afirmou o Papa, numa altura em que o mundo enfrenta tempos de guerra e de conflitos.
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O Papa sublinhou, no entanto, que “na terra não há espaço para Deus se não houver espaço para o homem, não acolher um significa não acolher o outro”. Em vez disso, “onde há lugar para o homem, há lugar para Deus; então um estábulo pode tornar-se mais sagrado do que um templo e o ventre da Virgem Maria é a arca da nova aliança”.
Durante a missa do Galo, Leão XIV refletiu também sobre a sabedoria do Natal.
“No Menino Jesus, Deus dá ao mundo uma vida nova: a sua, para todos. Não uma ideia que resolve todos os problemas, mas uma história de amor que nos envolve. Perante as expectativas dos povos, Ele envia um bebé, para que seja palavra de esperança; perante a dor dos miseráveis, Ele envia um indefeso, para que seja força para se levantarem; perante a violência e a opressão, Ele acende uma luz suave que ilumina com a salvação todos os filhos deste mundo.”
Enquanto uma economia distorcida leva a tratar os homens como mercadoria, Deus torna-se semelhante a nós, revelando a infinita dignidade de cada pessoa
E, citando Santo Agostinho - “a soberba humana esmagou-te tanto que só a humildade divina podia levantar-te” - o Papa agostiniano acrescentou: “Sim, enquanto uma economia distorcida leva a tratar os homens como mercadoria, Deus torna-se semelhante a nós, revelando a infinita dignidade de cada pessoa. Enquanto o homem quer tornar-se Deus para dominar o próximo, Deus quer tornar-se homem para nos libertar de toda a escravidão”.
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A pensar nos mais céticos, Leão XIV lançou a pergunta: "Será este amor suficiente para mudar a nossa história?”
A sua resposta aponta para o exemplo dos pastores que, despertando da noite de morte para a luz da vida nascente, contemplaram o Menino Jesus.
“Sobre o estábulo de Belém, onde Maria e José, cheios de admiração, velam o Recém-nascido, o céu estrelado torna-se ‘uma multidão do exército celeste’. São hostes desarmadas e desarmantes, porque cantam a glória de Deus, cuja manifestação na terra é a paz: efetivamente, no coração de Cristo palpita o vínculo que une no amor céu e terra, Criador e criaturas”, frisou Leão XIV.
Na primeira homilia natalícia foi seu pontificado, o Papa convidou toda a Igreja a proclamar o Natal como festa da fé, da caridade e da esperança.
“É festa da fé, porque Deus se faz homem, nascendo de uma Virgem. É festa da caridade, porque o dom do Filho redentor se realiza na dedicação fraterna. É festa da esperança, porque o Menino Jesus a acende em nós, tornando-nos mensageiros da paz”, concluiu.
Seis mil pessoas participaram na celebração na Basílica de S. Pedro e cinco mil fiéis acompanharam no exterior, apesar da chuva que caiu em Roma.
Antes da Missa do Galo, o Papa passou pela Praça de S. Pedro e deixou algumas palavras à multidão.
"Muito obrigado por terem vindo esta noite. Mesmo com este clima, queremos celebrar juntos o Natal. Jesus Cristo, que nasceu por nós, traz-nos a paz e o amor de Deus. Os melhores votos para todos vós. Acompanhem a celebração através dos ecrãs. Que Deus os proteja e abençoe todas as vossas famílias", declarou Leão XIV.









