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Porque muda a data da Páscoa todos os anos?

19 mar, 2026 - 15:53 • Olímpia Mairos

Entre tradição religiosa e cálculos astronómicos, a Renascença explica o que determina a data variável da Páscoa.

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Todos os anos, à medida que a Páscoa se aproxima, volta a surgir a mesma questão: por que motivo esta celebração não tem uma data fixa? Ao contrário do Natal, celebrado invariavelmente a 25 de dezembro, a Páscoa pode ocorrer entre março e abril. Esta variação está longe de ser aleatória — resulta de uma combinação de tradição religiosa, herança histórica e cálculos astronómicos. Neste explicador, a Renascença explica como se determina a data da Páscoa e por que razão ela muda todos os anos.

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Porque é que a Páscoa não tem uma data fixa?

A Páscoa não tem uma data fixa porque a sua marcação não depende apenas do calendário civil, mas também de fenómenos naturais. A Igreja definiu, há séculos, que a Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do equinócio da primavera, no hemisfério norte. Esta regra faz com que a data varie todos os anos, podendo situar-se entre 22 de março e 25 de abril.


Quem decidiu como se calcula a data da Páscoa?

A forma de calcular a data da Páscoa foi definida no Concílio de Niceia, realizado no ano 325. Nesse encontro, a Igreja procurou pôr fim às divergências existentes entre comunidades cristãs sobre quando celebrar a Ressurreição. Ficou então estabelecido que a Páscoa deveria ser celebrada ao domingo e nunca ao mesmo tempo que a Páscoa judaica, fixando-se a regra base que ainda hoje vigora: o primeiro domingo após a primeira lua cheia depois do equinócio da primavera.


O que têm a ver o Sol e a Lua com a data da Páscoa?

A data da Páscoa resulta da conjugação de dois elementos fundamentais: o ciclo solar e o ciclo lunar. Por um lado, considera-se o equinócio da primavera, que marca o momento em que o dia e a noite têm a mesma duração e simboliza renovação e recomeço. Por outro, entra em jogo a primeira lua cheia após esse equinócio. Só depois destes dois momentos é escolhido o domingo seguinte para a celebração. Esta ligação entre o Sol e a Lua explica por que a data nunca é fixa.


Qual é a ligação entre a Páscoa cristã e a Páscoa judaica?

A Páscoa cristã tem raízes na Páscoa judaica, conhecida como Pessach, que celebra a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito. Segundo a tradição, Jesus celebrou essa festa com os seus discípulos na Última Ceia, pouco antes da sua morte. Como o calendário judaico é lunar, essa influência acabou por marcar também o cálculo da Páscoa cristã, mantendo a ligação entre os dois acontecimentos.

Porque é que a Páscoa se celebra sempre ao domingo?

A escolha do domingo está ligada ao significado central da Páscoa para os cristãos: a Ressurreição de Jesus Cristo, que, segundo a tradição, ocorreu nesse dia da semana. Nos primeiros séculos do cristianismo houve divergências sobre a data a adotar, mas acabou por se estabelecer que a celebração deveria acontecer sempre ao domingo, por ser o “Dia do Senhor”.


Como se calcula, concretamente, a data da Páscoa?

O cálculo da data da Páscoa é feito através de um sistema chamado “Computus”, que reúne regras astronómicas e matemáticas desenvolvidas ao longo dos séculos. Este método combina o calendário solar, que regula o ano civil, com o calendário lunar, baseado nas fases da Lua. Apesar de na atualidade o cálculo ser automático, durante muito tempo exigiu conhecimentos avançados de astronomia e matemática para garantir precisão.


Porque é que a Páscoa pode calhar em março ou em abril?

A variação entre março e abril resulta diretamente da regra que liga a Páscoa ao equinócio e à lua cheia. Dependendo do momento em que ocorre a primeira lua cheia após o equinócio da primavera e do dia da semana em que essa lua cheia acontece, a celebração pode antecipar-se ou atrasar-se. Pequenas diferenças nestes fatores são suficientes para alterar a data de ano para ano.


Porque é que a Páscoa católica e a ortodoxa nem sempre coincidem?

A diferença entre as datas da Páscoa católica e ortodoxa deve-se sobretudo ao uso de calendários distintos. A Igreja Católica segue o calendário gregoriano, introduzido no século XVI, enquanto muitas Igrejas ortodoxas continuam a usar o calendário juliano, mais antigo. Como há um desfasamento entre os dois sistemas, o cálculo do equinócio e da lua cheia não coincide, levando a que as datas da Páscoa sejam frequentemente diferentes.


O que significam expressões como “Páscoa baixa” ou “Páscoa alta”?

Estas expressões referem-se simplesmente ao momento em que a Páscoa ocorre no calendário. Quando a celebração acontece mais cedo, em março, fala-se de “Páscoa baixa”. Quando ocorre mais tarde, já em abril, diz-se “Páscoa alta”. São formas populares de descrever a variação anual da data.

Porque é que a Páscoa é a festa mais importante do calendário cristão?

A Páscoa é considerada a celebração central do cristianismo porque assinala a Ressurreição de Jesus Cristo, fundamento da fé cristã. É a partir desta data que se organizam muitas outras celebrações religiosas, como a Quaresma, que a antecede, e o Tempo Pascal, que se segue. Todo o calendário litúrgico gira, em grande medida, em torno deste momento.


Há um significado mais profundo no facto de a data mudar todos os anos?

O facto de a Páscoa não ter uma data fixa recorda que não se trata apenas de uma comemoração histórica, mas de um acontecimento com significado espiritual contínuo. Para os católicos, a celebração convida à renovação, à esperança e à ideia de que, mesmo após momentos difíceis — simbolizados pela Sexta-feira Santa — há sempre lugar para um novo começo.

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